Semana Santa - A Paixão de Cristo - Parte II

Sábado, 07 Março 2009 20:13
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08 - A ressurreição de Lázaro

Quando Jesus estava pregando em terras distantes, o amigo Lázaro ficou doente e as irmãs, Marta e Maria, prontamente enviaram um mensageiro para avisá-Lo do ocorrido. Jesus, sabendo da noticia, confidenciou aos discípulos que aquela doença não era para a morte e sim para gloria de Deus e para que o Filho de Deus fosse glorificado por ela. E o Cristo ficou ainda dois dias no lugar onde se encontrava.

Depois, disse aos Seus discípulos: -“Vamos outra vez para a Judéia”. Os discípulos apreensivos responderam: -“ Rabi, ainda agora os judeus procuravam apedrejar-te e tornas para lá?”.  Eles tinham receio de que Jesus pudesse sofrer uma perseguição maior do que aquela a que estavam acostumados.

Mas Jesus disse-lhes que Lázaro estava apenas dormindo e que iria despertá-lo do sono. –“Lázaro está morto”, disse por fim o Cristo para que soubessem que Ele poderia fazer com que os mortos voltassem à vida. Todos os tipos de mortos podem volver à vida novamente. Esse é o principal objetivo de Sua missão na Terra. Tirar os que estão mortos da morte e conduzi-los à vida eterna.

Quando chegou a Betânia, fazia quatro dias que Lázaro estava morto e os amigos consolavam Maria em sua casa, enquanto Marta recebeu Jesus. Maria foi chamada e juntos foram até o sepulcro. Jesus chorou pelo amigo do coração.  Mandou que retirassem a pedra do túmulo e falou, olhando para o céu, que o que faria era para que acreditassem que Deus é que O havia enviado.

Então disse em grande voz: -“ Lázaro sai para fora”. E o homem que estava morto apareceu ainda tendo os pés e as mãos ligados com faixas e o rosto envolto num lenço. Os que estavam juntos e observaram a cena creram em Jesus. 

Esse episódio fez com que os inimigos do Cristo se inflamassem e buscassem a Sua morte a todo o custo.

 

09 – Maria unge com ungüento os pés de Jesus

Seis dias antes da páscoa, Jesus esteve em Betânia onde Lhe ofereceram uma ceia. Lázaro que fora ressuscitado estava presente e isso era motivo de curiosidade de parte de todo o povo. Quem é que não gostaria de ver alguém que estivera morto e que estava vivinho da silva? Com certeza até nós iríamos tocar o homem para ver se era verdade. Quem é que não tem um pouco de Tomé dentro de si?

Então Maria, que servia o jantar, tomou de um arrátel de ungüento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-Lhe os pés com seus cabelos. Judas então disse que era preferível vender o perfume e dar aos pobres ao que Jesus respondeu que: -“Porque os pobres sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes”.

E Jesus enfatizou que ela, Maria, seria conhecida por todo o mundo por causa desse fato.

Os principais dos sacerdotes tomaram deliberação para matar Jesus e também a Lázaro.

 

10 - Jesus anuncia a Sua paixão

Jesus tomou consigo os doze apóstolos e disse-lhes:

-“ Eis que subimos a Jerusalém, e se cumprirá, no Filho do homem tudo o que pelos profetas foi escrito.

Pois há de ser entregue às gentes, e escarnecido, injuriado e cuspido;

E, havendo-o açoitado, o matarão. E ao terceiro dia ressuscitará”.

Mas os apóstolos nada entenderam do que Ele lhes dizia.

Isso está escrito em Lucas Cap 18 v 31- 34 para comprovar que Jesus sabia qual seria o Seu destino nos próximos dias.


11 - A grande ironia - Entrada triunfal em Jerusalém e a morte na cruz

Na saída de Betânia, seguindo a Jerusalém, quando passaram pelo monte das oliveiras, Jesus chamou dois de Seus discípulos e mandou que fossem a aldeia que estava à frente, Betfagé, para pegar um jumento que nunca fora montado. Logo estavam de volta com o animal. Colocaram panos sobre a montaria e puseram o Mestre sobre ele.

A multidão já era grande a acompanhar a marcha. Colocavam suas vestes no caminho por onde Jesus passaria e diziam: -“ Bendito o Rei que vem em nome do Senhor. Paz no céu, e glorias nas alturas”.

Da multidão vinham vozes que pediam que os discípulos se calassem ao que Jesus respondeu: -“Digo-vos que, se esses se calarem, as próprias pedras clamarão”.

Quando Jesus avistou Jerusalém chorou e disse:

–“Dias virão em que os inimigos a cercarão de trincheiras e a sitiarão e a derrubarão e aos filhos que dentro estiverem e não deixarão pedra sobre pedra”.

Jesus sabia que no futuro, exatamente entre os anos 66 e 70, o general Tito afogaria em sangue uma rebelião judia, destruiria a cidade e o templo e na luta morreriam perto de um milhão de israelitas.

Depois de entrar em Jerusalém em festa, Jesus ceou com os discípulos quando teve a oportunidade de lavar os seus pés em sinal de humildade. Aproveitou para deixar as últimas instruções aos discípulos tendo inclusive prometido o Consolador Prometido que ficaria para sempre com os homens.  Saindo com os discípulos foi para o Getsêmane onde foi preso depois do beijo de Judas Iscariotes.

Desde então começou o calvário moral e corporal que culminaria com a morte na cruz da ignomínia. Jesus foi levado ao Sinédrio, onde foi humilhado de todas as formas.

Depois foi entregue a Pilatos que lavou suas mãos quando entendeu que não podia bater de frente com o populacho e os homens do Sinédrio.  Eles detinham o poder espiritual do povo e não convinha ficar contra os seus desejos. E que mal teria em morrer mais um judeu desconhecido, na cruz que já haviam feito milhares de vitimas em dezenas de anos de ocupação?

Era apenas mais um que morria nas mãos dos fanáticos religiosos. E o melhor para ele era lavar as mãos, pois entendia que o Seu sangue era inocente.

Em seguida foi levado até Herodes que o enviou de volta a Pilatos.

Barrabás, um famoso criminoso, foi solto para que o Cristo fosse morto.

Vestiram o Mestre de púrpura e colocaram uma coroa de espinhos em Sua cabeça. Açoitaram o Seu corpo com o castigo infligido aos maiores criminosos. A multidão gritava impropérios e clamava por Sua morte.

Fizeram com que carregasse a própria cruz morro acima, por mais ou menos quinhentos metros, até chegar ao Gólgota.

Os discípulos também abandonaram Jesus nas últimas horas, excetuando apenas João Boanerges que permaneceu junto a Maria de Nazaré, Maria de Magdala, Joana de Cusa e outras mulheres corajosas.

Mas a fraqueza dos discípulos seria compensada nos anos seguintes quando percorreram o mundo espalhando o evangelho do Mestre por todos os rincões conhecidos da Terra. Provariam com seu próprio sangue o amor que acalentavam por Jesus. Gastaram as sandálias percorrendo as estradas do mundo, no afã de espargir a luz do Senhor aos sofredores de todos os tempos.

12 - Jesus assombra o mundo

“E, havendo-o açoitado, o matarão; e ao terceiro dia ressuscitará”. (Lucas cap. 18 v 33)

Até então em todos os tempos em que o homem se conhece como homem nunca havia ocorrido algo parecido. Dos milhares de inimigos do estado romano e judeu, que foram crucificados, ninguém havia voltado do túmulo. Todos deixaram os seus restos para que os vermes os devorassem com sua ânsia por carne pútrida.

Mas aquele era um homem diferente, que ensinava maravilhas de um mundo perfeito para onde todos deveriam seguir um dia. Quanto mais esforço fizesse para melhorar o seu íntimo, mais cedo chegaria a esse mundo. Não somente falou e ensinou sobre um Pai benevolente e amigo que a todos espera em Seu reino de luz, mas comprovou com milhares de efeitos espirituais ou, como dizem alguns amigos, milagres que assombraram o mundo da época.

Curou milhares de doentes que jaziam nas camas, extáticos, com as carnes macilentas; mandou que coxos andassem; que cegos voltassem a enxergar; que mudos tornassem a falar; que o morto chamado Lázaro voltasse à vida.

Fez prodígios de todos os tipos e qualidades não para demonstrar o Seu poder, mas para mostrar que todos somos capazes de realizar os mesmos efeitos que Ele, realizou desde que tenhamos condição espiritual para isso.   Trouxe ao homem a Doutrina mais pura e santa que se conhece porque advém direto das fontes que jorram dos mananciais da Eternidade.

Ao terceiro dia de Sua morte, Maria Madalena foi ao túmulo para aplicar especiarias em Seu corpo e viu que a pedra que o fechava estava fora do lugar. Conversou com alguém que pensou ser o jardineiro do lugar. Mas quando O reconheceu, chamou-O de Rabi e Ele pediu que não O tocasse porque ainda não havia subido ao Pai.

A partir desse instante instalou-se a maior comunicação espiritual entre os que mourejam na carne e os que vivem no mundo verdadeiro.

Jesus passou quarenta dias entre os seus discípulos, ensinando muitas coisas mais e conclamando-os para a batalha em prol do evangelho do amor. A Sua ressurreição foi o ponto principal para fazer com que os Seus amigos, amparados na fé e no conhecimento de que a morte não existe, se enchessem de coragem para enfrentar a escuridão e levar a luz aos mais recônditos lugares da Terra. Viveram e morreram por Jesus com a alegria que move os justos.

Nunca mais o planeta Terra seria o mesmo. Nunca mais o homem seria o mesmo.

Sua palavra ainda não chegou a muitos corações, mas a sementeira é grande e os trabalhadores continuam o serviço de espalhar aos quatro ventos a alegria de conhecer a Sua Doutrina de amor e viver completamente o Seu ensino.


13 – O que aprendemos com Jesus

Jesus foi o Mestre incomparável que:

Ensinou-nos a pescar e não somente a pedir o peixe.

Ajudou-nos a caminhar pelas estradas escuras do mundo, acendendo luzes para clarear as cercanias.

Advertiu-nos que andemos enquanto há luz para que as trevas não nos acerquem para nos perturbar.

Pediu-nos que amássemos os nossos inimigos e que orássemos por eles.

Comparou-nos às aves do céu e aos lírios do campo para que não vivêssemos apenas em busca dos bens materiais.

Conclamou-nos a andar pelo mundo pregando os Seus ensinos, pois somos o sal da terra e a luz do mundo.

Exultou a nossa condição de deuses e que poderíamos fazer tudo quanto Ele fez.

Adoçou a nossa alma quando pegou no colo o menino de cinco anos chamado Ignácio de Antioquia e pediu que deixassem que fossem a Ele os pequeninos porque deles é o reino de Deus.

Estabeleceu diretrizes para nossa vida quando nos mostrou o maior mandamento da Lei de Deus: -“Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

Incitou-nos a fazer a caridade quando ensinou que o óbolo da viúva tinha maior valor porque ela tirava de seu sustento para auxiliar o próximo.

Chamou-nos a deixar de lado os programas obscuros e sem valor, quando disse ao mancebo rico que vendesse o que tinha, que desse aos pobres e O seguisse porque ganharia a vida eterna.

Aconselhou-nos a nunca julgar alguém, porque com o mesmo julgamento com que julgarmos, seremos julgados.

Recomendou-nos a não condenar alguém, porque se estivermos sem pecados que atiremos a primeira pedra.

Mandou-nos espalhar a semente do amor em terra fértil para que desse bons frutos.

Mostrou-nos que a fé transporta montanhas quando andou sobre as águas no mar da Galiléia, secou a figueira estéril, ressuscitou Lázaro.

Admoestou-nos a andar no caminho do bem para que não caíssemos nos infernos até pagarmos o último ceitil.

Disse-nos que não podemos servir a dois senhores: a Deus e a mamon.

Demonstrou a realidade da comunicação entre os que habitam o mundo material e o mundo espiritual quando se transfigurou junto a Moisés e Elias.

Ensinou-nos a humildade quando nos disse que quem quiser ser o maior que seja o menor dentre os seus.

Lembrou que os amigos devem ser valorizados quando disse que quem não é contra nós é por nós.

Sugeriu que nunca colocássemos a candeia sob o alqueire, mas sobre ele para que clareasse o máximo.

Passou a lição da segurança do conhecimento quando, com apenas 12 anos, debateu com os doutores da Lei no templo.

Disse-nos que estava trazendo fogo e dissensão à Terra em clara alusão às dificuldades de transformar o coração humano.

Explicou que a porta larga leva à perdição e a porta estreita à salvação.

Estabeleceu amizade com homens pobres e ricos, ensinando as mais belas lições em cada oportunidade.

Confirmou o ensino espiritual de que os pecados resultam em punições quando disse a muitos que curou: Vai e não peques mais.

Pediu que não misturássemos as coisas da matéria e do espírito quando expulsou os vendilhões do templo.

Avalizou o ensino de que déssemos a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

Ratificou o axioma que diz que o trabalho dignifica o homem, pois trabalhou desde a juventude com a profissão de carpinteiro.

Mostrou que os desígnios de Deus devem ser seguidos, pois enfrentou os piores flagelos para o corpo e para o espírito para que se cumprissem as escrituras.

Estabeleceu o preceito da humildade aos amigos quando lavou os pés de Seus discípulos.

Constituiu as diretrizes da família universal quando pediu: quem é minha mãe, quem são os meus irmãos?

Deu-nos de beber a água da vida eterna e que fará com que nunca mais tenhamos sede.

Instruiu-nos a ser mansos como pombos e ágeis como serpentes.

Convocou-nos ao Seu ministério de amor universal.

Visualizou o futuro quando disse que nem uma das ovelhas que o Pai Lhe confiou se perderia.

Ratificou o ensino de que devemos deixar os mortos cuidar de seus mortos.

Convidou-nos a segui-Lo porque o Seu jugo é suave e o fardo é leve.

Indicou-nos o caminho do bem e que nos cuidássemos para não cair em tentação.

Considerou a boa vontade e a perseverança que devemos ter quando deixou Seu reino de luz perene para encarnar e desvendar aos homens as Leis de Deus.

Determinou objetivos para a Sua vida e os alcançou. Mostrou que também nós temos objetivos espirituais que devemos alcançar no mais curto espaço de tempo.

Trouxe para todos nós um caminho de luz que devemos seguir para sermos felizes todos os dias de nossa existência rumo à eternidade.


Luiz Marini.