100 anos da Guerra do Contestado

Segunda, 19 Dezembro 2016 13:49
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O silêncio ainda perdura nos vales e campos das terras do Contestado. Cem anos de angústia e solidão perpassam na região com os ventos que entoam os lamentos daqueles que morreram em busca de um ideal.

A posse da terra foi o estopim da guerra que marcou o início do século XX. A voragem da companhia que construiu a ferrovia foi canalizada na venda das terras e na expulsão dos colonos que nela viviam.

Os pinheiros e imbuias, riquezas nativas da terra, foram derrubados para alimentar as serrarias e enriquecer seus donos, que pensavam apenas na exploração da madeira e na venda das terras ao largo dos dormentes da estrada de ferro.

Os colonos e posseiros se revoltaram e pegaram em armas para defender seu direito de viver em paz no chão que já havia sido cultivado por seus ancestrais.

Foram quatro anos de batalhas e mortes de ambos os lados sendo que os vencidos foram despojados de suas terras e direitos e os vencedores em pouco tempo abandonaram a região, deixando que as ervas daninhas e o mato tomassem conta de suas construções.

Mortes, muitas mortes ocorreram nas batalhas entre os pobres colonos e os poderosos exércitos que chegavam com armas modernas, dispostos a aniquilar os sonhos dos que lutavam por seus direitos.

Cem anos se passaram da revolta que tomou as pradarias das terras catarinenses e paranaenses, litígio que se transformou na luta dos posseiros na manutenção de suas terras ao longo da ferrovia que ligou São Paulo ao Rio Grande do Sul.

Onde andam aqueles que destruíram com seus canhões os sonhos daquela gente que apenas queria prosseguir em sua vida simples de plantar o chão e cuidar de sua família?

Muitos dos opressores, depois da morte, encontraram seus próprios demônios em suas mentes doentias, clamando por perdão às suas vítimas indefesas. Muitos enlouqueceram e vagaram pelos campos e matas, sem destino, assustando os moradores com suas chamas e clarões vistos à noite como se fossem fantasmas em delírio cruel.

A reencarnação trouxe de volta ao cenário carnal, nas mesmas plagas, muitos deles, para resgatar o mal que cometeram durante a guerra. Muitos andaram pela região como dementes vivendo da caridade alheia e colhendo os frutos amargos de suas próprias desilusões.

Resgataram o que semearam de mal, recebendo o que cultivaram nas mesmas proporções, cumprindo com o que estabelece a Lei do Carma ou da Causa e do Efeito.

Muitas feridas continuam abertas, mesmo um centenário depois dos acontecimentos, como cancro que dificilmente se cura, pois as chagas da maldade somente se curam com muito remédio, paciência e resignação.

Cem anos do término da Guerra do Contestado e ainda vemos Espíritos sofrendo as consequências dos atos impensados que cometeram naquela época e que hoje ainda estão marcados indelevelmente em suas memórias.

Mas, Jesus, em Sua infinita misericórdia, continua abençoando a todos, sem distinção, para que encontrem o seu norte e entrem, finalmente, na estrada de luz que conduz ao reino de paz e de luz do Pai Celestial.


Luiz Marini/Maria Rosa – 16-12-2016