Covardia

Terça, 04 Agosto 2015 18:12
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 O leão estava a uma distância que permitia que o caçador se preparasse para o tiro fatal. Era um animal fabuloso com seus pelos amarelos ao redor da face e a juba escura, comprida, contornando o pescoço.

O caçador havia viajado milhares de quilômetros desde os Estados Unidos até Zimbabue, na África, para poder abater um animal considerado o rei da natureza. Que lhe importava a majestade do leão, se o seu hábito de caçar se sobressaía em seus interesses?

Acostumado às caçadas, já havia abatido diversos bichos, que haviam sido fotografados e que tiveram suas cabeças penduradas em uma sala ampla de um casarão.

Matar animais era seu esporte predileto. Tão importante quanto matá-los era mostrá-los ao mundo para que todos soubessem de sua coragem na campanha sanguinolenta.

Matar animais era seu hobby e, agora, encontrando-se na África tinha que mostrar o quanto era perito naquilo que fazia. Não tinha medo dos bichos, pois os enfrentava, cara a cara, para abatê-los. Sempre guiado por caçadores profissionais, armados fortemente, se não conseguisse o seu intento com certeza um dos seus protetores abateria o animal antes que fossem atacados.

Nessa caçada, atraíram o leão para fora do Parque Nacional de Hwange com uma isca, um pedaço de animal amarrado em um veículo. O leão, sem nada desconfiar, seguiu os caçadores até um local onde deveria ser abatido.

Esse leão chamava-se Cecil e usava um colar com GPS colocado por cientistas em um projeto da Universidade Oxford da Grã-Bretanha. Ele era extremamente calmo e ficava perto dos carros dos turistas, sem se incomodar, sem causar pânico. Estava acostumado com a presença de humanos que chegavam para vê-lo junto à sua família.

O caçador americano pagou 50.000 dólares a Honest Ndlovu, dono de um parque particular de caça e ao caçador Theo Bronkhorst para que pudesse caçar o leão.

O leão estava à uma distância segura para o tiro fatal com seu arco projetado para caça. A adrenalina subiu, suas mãos tremeram, mas era preciso ter calma para não errar o alvo. O leão estava à sua frente esperando para ser abatido.

A flecha cruzou os ares e atingiu Cecil, que sentiu o impacto da seta e correu procurando esconder-se. Vagou por 40 horas, ferido, até ser encontrado pelos caçadores e ser abatido com um tiro fatal. A cabeça foi cortada para servir de troféu em alguma sala de uma casa americana.

A morte deste leão demonstra a ignorância que ainda impera nas pessoas que se proclamam caçadores. Enfrentar as feras com armas modernas é fácil, muito fácil. Gostaria de vê-los enfrentar esses animais apenas com as mãos, sem qualquer arma. Em cem por cento das batalhas, os bichos venceriam.

Autoridades do Zimbabue convocaram para depoimento Honest, o dono do parque e Theo, o caçador que permitiram que o americano matasse o leão que era símbolo do país. Agora pedem a extradição do americano para que possam julgá-lo pelo ato de covardia.

O caçador Walter Palmer, assumiu ter matado o leão. É dentista e morador de Minnesota, nos Estados Unidos. Ele se defendeu dizendo que acreditava que os guias profissionais o levariam a abater um leão que não fosse tão famoso. Diz que ama a atividade de caça e que a pratica com responsabilidade e dentro da lei.

Sabemos que muitos países africanos e de outras partes do mundo permitem que caçadores matem animais desde que paguem para isso. Esse dinheiro sujo, obtido com o derramamento de sangue de animais inocentes, deveria ser esquecido pelas autoridades desses países. Ganhariam muito mais se modernizassem seus parques e construissem redes de turismo que pudessem levar o maior número possível de turistas que levariam consigo apenas uma “arma”: a câmara fotográfica.

O mundo todo está indignado com a caçada de Walter Palmer e o povo pede que ele seja punido, pois ganharia muito mais se tivesse ficado em seu consultório atendendo seus pacientes em vez de tirar a vida de animais que estão no mundo sob as bênçãos de Deus.

Em vez de amenizar a dor de dente de seus pacientes, foi tirar a vida de um leão que é o símbolo do Zimbabue. Essa é a mais pura covardia!...


Luiz Marini 02 de agosto de 2015.