Consequências do “terror” da Revolução Francesa no destino de um Espírito

Segunda, 11 Julho 2011 13:28
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Queda da Bastilha em 14-07-1789

 “O que existe, já havia existido: o que existirá, também já existiu” (Ecl 3, 15).

“Eu era um jovem de boas qualidades e tive a sorte de ter uma boa alma, ou melhor, sendo bom, vim a um corpo sem mancha” (Sb 8, 19).

“Porque nós somos de ontem e nada sabemos...” (Jó 8, 9).

 

Jesus instrui Nicodemos acerca do novo nascimento

1. Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um notável entre os judeus. 2. à noite ele veio encontrar com Jesus e lhe disse: “Rabi, sabemos que vens da parte de Deus como mestre, pois ninguém pode fazer os sinais que fazes, se Deus não estiver com ele”. 3. Jesus lhe respondeu: "Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus”. 4. Disse-lhe Nicodemos: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Poderá entrar segunda vez no seio de sua mãe e nascer?” 5. Respondeu-lhe Jesus: “Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. 6. O que nasceu da carne é carne, o que nasceu do Espírito é espírito. 7. Não te admires de eu te haver dito: deveis nascer de novo. 8. O vento sopra onde quer e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito”. 9. Perguntou-lhe Nicodemos: “Como isso pode acontecer?” 10. Respondeu-lhe Jesus: “És mestre em Israel e ignoras essas coisas? 11. Em verdade, em verdade, te digo: falamos do que sabemos e damos testemunho do que vimos, porém não acolheis o nosso testemunho. 12. Se não credes quando vos falo das coisas da terra, como crereis quando vos falar das coisas do céu?”. (João capítulo 3, versículos de 1 a 12).

 

01 – Introdução

               Aprendemos através de escritores que escreveram biografias importantes de Chico Xavier muitos casos sobre reencarnações de Espíritos que cometeram desatinos e erros em vidas passadas e que cumprem resgates dolorosos na atualidade.

               A Doutrina Espírita não é dona da verdade (o que é a verdade se até mesmo o Mestre Jesus calou quando perguntado sobre isso?), mas segundo os ensinos dos Espíritos superiores, que são os autores, junto com o Espírito Verdade, do trabalho da Codificação, as leis de Deus existem na própria natureza de todas as coisas. E uma delas preconiza que “Quem com ferro fere, com ferro será ferido” e outra lei considera que “É necessário nascer de novo para entrar no Reino dos Céus”.  Assim, observando apenas essas duas leis, aprendemos que todos os erros cometidos devem ser reparados para que o Espírito não fique com manchas incômodas em seu perispírito, o que vai impedir o seu progresso.

               Sendo assim, é de lei que os Espíritos consertem os seus desequilíbrios para evoluir, sendo utilizados todos os meios necessários para isso, e comumente à volta ao corpo carnal para a reabilitação.

               Por isso que vemos por aí, tanta desigualdade quanto à riqueza e pobreza, oportunidades que se criam, portas que se abrem e se fecham, corpos perfeitos e corpos monstruosos, pessoas sadias e pessoas doentes, gente de bom coração e gente de mau coração. Cada um exterioriza o que é por dentro. Cada Espírito demonstra com suas atitudes, a sua qualidade e o seu nível espiritual.

 

02 – José Xavier e Geni Xavier

               “Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados” (1 Pedro 4:8).

“O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões” (Provérbios 10:12).

              

               Chico Xavier tinha um irmão chamado José Xavier, que era casado com dona Geni Pena Xavier. Ele era seleiro e o principal auxiliar de Chico Xavier no Centro Espírita Luiz Gonzaga em Pedro Leopoldo. Era passista, orador e doutrinador.

               Dona Geni adoeceu e necessitou ser internada. O Centro contava apenas com Chico Xavier e seu irmão José. Em 1932, José necessitou ausentar-se dos trabalhos do Centro para atender o serviço durante o período noturno e entre 1932 e 1934 Chico Xavier abria o Centro fazia a prece de abertura e falava apenas para os Espíritos que ali compareciam para o trabalho. Quem o visse da rua, diria que Chico estava doido, pois que falava sozinho no Centro Espírita.

               Em fevereiro de 1939 José foi acometido de um insulto cerebral. Chico pediu ajuda ao Dr. Bezerra que lhe disse que o seu irmão deveria ficar onze anos preso ao leito, paralítico e demente, como consequência de atos realizados em encarnação precedente. Mas por intercessão dos mentores e pelo trabalho que ele realizara durante onze anos ininterruptos junto ao Centro Espírita, foi outorgada a desencarnação de José, o que ocorreu na mesma noite.

               Depois do desencarne de José a viúva Geni foi acometida por um processo obsessivo insidioso, o que obrigou a família a interná-la no Instituto Raul Soares em Belo Horizonte. Interessante o fato narrado por Chico Xavier, pois quando da internação da cunhada, ele chorou muito e foi inquirido por Emmanuel do por que daquele choro, pois nunca havia visto o Chico chorar pelas outras duzentas irmãs que estavam internadas naquela casa e que a dor dos Xavier não era maior do que a dos Ferreira, Santos, Pereira, etc. Emmanuel mandou Chico voltar para casa e cuidar do sobrinho Emmanuel Luiz.

 

03 – José Xavier na Espiritualidade

               Tempos depois do desencarne, José aparece para Chico Xavier quando este estava deitado, em prece. O irmão chega e lhe dá um beijo na face. Chico o observa e vê que está triste e abatido.

               Passado algum tempo Chico, em desdobramento, reencontra o irmão José que está bem restabelecido. José conta o que aconteceu. Depois do desencarne sentia fortes tonteiras, como consequência dos erros do passado. Na última encarnação terrena deveria ficar onze anos paralítico e demente. Como havia trabalhado onze anos ininterruptos no Centro Espírita junto ao Chico, auxiliando os necessitados, obteve permissão de ter o seu futuro modificado o que acarretou em seu desencarne, com a consequente supressão da prova a que estava destinado.  E ele andava assim perturbado no mundo espiritual até que certa noite chegou um benfeitor que lhe disse:

               - José, lembra-se do nome a ser dado ao Centro Espírita em Pedro Leopoldo? Querendo homenagear Luiz IX da França, guia espiritual de Allan Kardec, vocês trocaram o nome e colocaram Luiz Gonzaga, patrono da juventude italiana.

               Hoje, 21 de junho, comemora-se o seu dia e ele estará descendo dos planos mais elevados para a Terra. Se quiser vê-lo, aproxime-se das alas onde será formado um corredor, junto aos Espíritos que o aguardarão.

               E José foi postar-se junto à multidão que aguardava o Espírito de escol. Quando Luiz Gonzaga chegou com um séquito de Espíritos de luz, José sentiu uma generosa mão oferecer-lhe um lírio luminoso, cujo perfume curou-o imediatamente. Vislumbrou que a multidão pegava com as mãos a luz proveniente do Espírito e a colocavam sobre as doenças, sentindo-se aliviados.

 

04 – Emmanuel Luiz

               Esse é o personagem principal de nossa história para comprovar que Deus é magnânimo e benevolente com seus filhos ao permitir que aquele que erra muito numa vida possa reparar seus erros através do sofrimento ou tarefas em nova oportunidade de encarnação. Depois do resgate vem a fase do trabalho onde o Espírito desenvolve atividades para aquisição de luz em busca da felicidade.

               Quando o Espírito deixa o corpo através do desencarne, segue para regiões espirituais que se afinem com o seu coração, pois ali é onde está o seu tesouro. Se na Terra foi pessoa boa, vai para as regiões espirituais de luz; se foi pessoa má, segue para as regiões de sofrimento.

               Com a prática de atos insanos e prejudiciais aos outros vai sobrecarregando o seu perispírito com energias negativas, deixando-o escuro e doente.

               No mundo espiritual inferior, nas regiões de vibrações mais baixas, esse Espírito vaga sem destino, perseguido pelos inimigos que forjou na Terra. Muitas vezes é seviciado, espancado, preso, até que tenha permissão de ser retirado dessas regiões umbralinas e possa ser encaminhado para algum lugar melhor onde os mentores poderão promover a sua volta à carne para resgate de seus débitos.

               Como o seu perispírito ficou deformado pelas suas ações, essa má formação vai ser transferida para o corpo em gestação. Quando de seu reencarne estará preso numa jaula disforme e silenciosa de onde não poderá mais prejudicar os seus semelhantes.

               Nessa história vamos conhecer esse menino que nasceu todo deformado, mas que cumpriu seu destino e aceitou o resgate, advindo de muitos anos quando foi o terrível acusador do Tribunal da Revolução Francesa, principalmente na época do “terror”, e se chamava Antoine Quentin Fourquier Tinville.

               Filho de José e Geni Xavier nasceu Emmanuel Luiz em 1936 e era uma criança toda disforme, cega, surda e muda.

               José desencarnou em 1939. Geni, logo em seguida, foi internada com problemas psíquicos; assim, a criança de apenas três anos passou a ser cuidada por Chico Xavier até a data de seu desencarne em 1949.

               Chico fez o papel de pai e mãe em sua vida de sofrimento e resgate dos erros do passado. Nessa época o Centro Espírita funcionava na mesma casa onde morava Chico Xavier com a criança. Chico procurou mantê-la distante dos olhares dos curiosos e a deixava sempre coberta com um véu para protegê-la dos insetos. A comunicação era feita através de toques de Chico e gemidos que a criança emitia, sinalizando compreender os sinais. Durante perto de dez anos Chico cuidou do sobrinho, dando-lhe todo o carinho e afago possível.

               No momento do desencarne, com doze anos de idade, ele abriu os olhos e, em meio a um choro convulsivo, agradeceu, por sinais, ao Chico por tudo.

               Quando desencarnou, os parentes se sentiram aliviados, pois disseram: - “finalmente descansou”, totalmente alheios às necessidades que os Espíritos têm de cumprir cronogramas especialmente delineados antes da encarnação. Chico sofreu muito com o desencarne do menino, pois tinha por ele afeto muito grande.

               Anos depois, o Espírito Emmanuel Luiz apareceu para o Chico como um moço muito bonito, aparentando ter vinte e dois anos. Ele informou ao Chico que deveria permanecer no mundo espiritual durante cinquenta anos e que tinha reencarnação programada para o início do terceiro milênio.

               Vamos conhecer a história da Revolução Francesa e de Fourquier para entender que Deus não privilegia a quem quer que seja. A lei de causa e efeito estende seus braços e alcança a todos em qualquer lugar onde estejam.

 

05 – Revolução Francesa

               Aconteceu entre 05 de maio de 1789 e 09 de novembro de 1799.

               A França tinha cerca de vinte e cinco milhões de habitantes.

               Seiscentos mil moravam em Paris, onde mais de duzentas mil viviam à custa do trabalho e da cobrança de impostos do terceiro estado.

               Foram presas perto de trezentas mil pessoas.

               Cerca de quarenta mil foram executadas.

               A França do século 18 tinha três tipos de estados:

               1 - Primeiro estado. – clero.

               2 - Segundo estado. – nobreza.

               3 - Terceiro estado. – povo, burgueses, camponeses sem terra, artesãos e aprendizes.

               Os dois primeiros estados não pagavam impostos e com o rei que mantinha um governo absoluto que em tudo mandava, viviam na mordomia enquanto o povo sofria muito.

               As causas da Revolução foram a participação da França na Guerra de Independência Americana, onde gastaram uma fortuna auxiliando os americanos, a derrota na Guerra dos Sete Anos, a falência do governo com suas finanças, por causa dos altos custos da monarquia e também o pensamento de Voltaire, Montesquieu, Diderot e Kant.

               80% da economia francesa era agrícola. Com as geadas e a seca a fome estabeleceu-se no campo e os agricultores foram para a cidade, onde moravam em casebres sem saneamento e comiam pão preto.

               Os clérigos e nobres queriam diminuir o poder do Rei Luiz XVI, e o Rei queria que eles pagassem impostos para custear o Estado e minimizar o sofrimento do povo. Como o Rei não conseguiu reformar a constituição para isso (ele queria que o primeiro e o segundo estados cedessem em seus anseios de viver à custa do povo, e também recolhessem algum imposto, que dessem os anéis antes de perder os dedos), os aristocratas exigiram e o Rei convocou os Estados Gerais para o projeto de reformas.

               No dia 05 de maio de 1789 começou a reunião. O clero e a nobreza sempre tinham maior poder de votação e tudo continuava como eles desejavam.

               Como não se entenderam o Rei tentou fechar a reunião, mas os integrantes do baixo clero e da nobreza liberal, os deputados, instalaram a Assembléia Nacional Constituinte.

               O Rei tentou fechar a Assembléia, mas foi impedido pelo povo que pegou em armas e tomou a Bastilha que tinha sete presos no dia.

               Elaboraram a Constituição baseada na liberdade, igualdade e fraternidade, que foi promulgada em setembro de 1791. Aboliu o feudalismo, nacionalizou os bens eclesiásticos e reconheceu a igualdade civil e jurídica entre os cidadãos. Surgia a sociedade burguesa e capitalista.

               O Rei tentou fugir e foi preso, mas a Assembléia absolveu-o e conservou-o no cargo com poderes limitados.

               Uma coligação de países anti-franceses (com a Prússia à frente) invadiu a França e na batalha de Verdum, último reduto Francês, sob o comando de Danton, Robespierre e Marat que cederam armas ao povo, os franceses vencem os invasores, em 20 de setembro de 1792, ao som da Marselhesa. A bandeira francesa já era de três cores.

               Os reis são presos sob a acusação de colaborarem com os invasores.

               Em 21 de janeiro de 1793 o Rei Luiz XVI é guilhotinado e em 16 de outubro do mesmo ano a esposa Maria Antonieta também é morta na Praça da Revolução.

               Os jacobinos assumiram o poder, criando o tempo do terror, onde faziam julgamentos e execuções sumárias.

               O governo jacobino tinha o Comitê de salvação pública responsável pela segurança externa. O Comitê de segurança pública responsável pela segurança interna e o Tribunal revolucionário que julgava e executava os inimigos do regime.

               Tinha início o terror entre 31 de maio de 1793 (queda dos girondinos) e 27 de julho de 1794 (prisão de Robespierre), onde milhares de pessoas foram executadas publicamente.

               Obtiveram permissão do parlamento para executar os suspeitos e os inimigos de Revolução de maneira sumária, sem que os acusados tivessem direito a defesa.

               O governo executou Georges Danton e Camille Desmoulins, em 05 de abril de 1794, por que desejavam um governo menos radical. Estavam matando os seus maiores amigos, aqueles que lutaram juntos na tomada do poder.

               Em julho Marat foi assassinado pela jovem Charlotte Corday, que vingou seus companheiros mortos. Marat foi o principal incentivador da execução do grande químico francês Lavoisier, sobre o qual o grande matemático Joseph-Luis Lagrange teria dito: “Não necessitaram senão de um momento para fazer cair essa cabeça e cem anos não serão suficientes para reproduzir outra semelhante”.

               Já havia indícios de uma contra-revolução.

               Em 27 de julho de 1794 a Convenção derrubou Robespierre, Saint-Just, Couthon e seus partidários que foram guilhotinados sumariamente.

               A grande burguesia girondina voltava ao poder. Foram extintas as prisões arbitrárias e os julgamentos sumários. Os jacobinos passaram a ser perseguidos.

               Em 1795 elaboraram uma nova constituição, iniciando a República do Diretório. Mas os problemas estavam cada vez maiores e resolveram que necessitavam de uma ditadura militar para manter a paz, a ordem, o poder e os lucros. Assim assumiu o poder Napoleão Bonaparte em 09 de novembro de 1799.

 

Antoine Quentin Fourquier Tinville.

“Dêem-me uma frase de quem quer que seja e eu encarrego-me de fazê-lo guilhotinar”.

Antoine Quentin Fourquier Tinville

(Acusador do Tribunal Revolucionário de 1793 a 1794)

 

               Antoine nasceu em Herovel, em 1746, uma vila no distrito de Aisne, estudou direito e originalmente foi procurador ligado ao Chãtelet em Paris. Após quebra por falência vendeu seu escritório em 1783 e se tornou balconista sob a direção do tenente-general da polícia.

               Aparenta ter adotado idéias revolucionárias logo cedo, mas pouco se sabe sobre sua participação na Revolução Francesa.

               Apoiado por seu amigo Camille Desmoulins, tornou-se o capataz do júri estabelecido para votar os veredictos de crimes da realeza.

               Personificou a crueldade do reino do terror. Entre suas vítimas podemos citar Maria Antonieta e Georges Danton.

               Após a queda de Maximiano Robespierre, Tinville foi julgado e guilhotinado.

 

Promotor Público:

               Quando o tribunal revolucionário de Paris foi criado pela convenção nacional em 10 de março de 1793, ele foi nomeado promotor público e ocupou este cargo até 28 de julho de 1794.

               Suas atividades durante este tempo rendeu-lhe a reputação de uma das mais sinistras figuras da revolução. Seu cargo como promotor público arbitrariamente refletiu a necessidade de apresentar a aparente legalidade durante o que essencialmente foi um comando político, mais do que a necessidade de estabelecer culpados reais.

               Tanto Fourquier quanto Robespierre foram conhecidos pelo seu radicalismo cruel, e ele raramente falhou em assegurar uma condenação.

               Atuou como acusador nos julgamentos de, entre muitos outros, Charlotte Corday, Maria Antonieta, Girondistas, Antoine Barnave, Jacques Hebert e seus subordinados e dos Dantonistas.

 

Queda:

               Sua carreira terminou com a queda de Robespierre no começo da reação Thermidorian. Embora, tenha sido mantido como acusador do novo governo por um curto espaço de tempo, auxiliando na prisão de Robespierre, Luis de Saint-Just e Georges Danton, e sendo confirmado por Bertrand Barere de Vieuzac e a convenção em 28 de julho.

               Foi preso após ser denunciado por Luis Marie Stanislas Freron.

               Preso em 01 de agosto, foi levado ao tribunal da convenção. Sua defesa foi de que teve somente que obedecer as ordens do Comitê de Salvação Pública.

 

O Que Disse:

               “Não sou eu quem deve encarar o tribunal, mas os chefes que ordenaram o que eu executei. Eu tive somente que agir de acordo com as leis feitas pela convenção e todos os seus poderes. Pela falta dos membros no tribunal, eu me encontrei de cabeça na conspiração e nunca fui avisado. Aqui estou encarando esta calúnia; as pessoas sempre estão ansiosas em encontrar outros responsáveis”.

 

Morte:

               Após um julgamento de 41 dias, foi sentenciado a morte e guilhotinado em 07 de maio de 1795, juntamente com 15 de seus companheiros.

               Depois de 141 anos do desencarne de Fourquier eis que o mesmo Espírito reencarna em terras brasileiras, no ano de 1936, para resgatar os seus crimes.

 

Conclusão

               Ao narrarmos esta história concluímos que os Espíritos têm a oportunidade de reparar os erros do passado e andar na estrada do bem.

               Fourquier aprontou as piores maldades, imbuído que estava de desempenhar com eficiência o cargo de acusador do “terror” durante a Revolução Francesa.

               Ocupava o cargo onde tinha a missão especial de mandar o máximo de pessoas à guilhotina todos os dias. Fazia parte de um grupo sanguinário que já não sabia mais o que fazer para se manter no cargo tamanha a pressão a que estava sujeito.

               Matavam os inimigos e supostos adversários para manter as suas cabeças no lugar. “Que rolem as cabeças dos adversários antes que as nossas”, pensavam.

               Até o dia em que perderam o poder e foram sumariamente guilhotinados também. Com a morte começavam a resgatar os crimes perpetrados contra a vida.

               Fourquier também teve que suportar a prisão, o julgamento, a humilhação e o medo de saber que poderia ser condenado à morte. Quando do veredicto confirmando que seria guilhotinado sentiu na pele o que os milhares de inimigos já haviam sentido antes quando por ele foram sentenciados.

               A espera pungente e dolorosa de saber que a cada hora que passava poderia ser a hora da sua morte. A cada condenado que buscavam na prisão sentia a sensação de terror de que poderia ser ele o próximo a andar no corredor da morte.

               Até que o dia crucial chegou. Sua camisa foi cortada na gola e seus cabelos raspados acima do pescoço. Teve suas mãos amarradas nas costas e foi obrigado a andar pelos corredores da prisão até o pátio onde subiu numa carroça puxada por bois. Dali seguiu o cortejo pelas ruas de Paris até a Praça da Revolução, sob o apupo do populacho que adorava ver as execuções.

               Geralmente mais de vinte mil pessoas se aglutinavam na praça para ver a guilhotina funcionar implacavelmente.

               Fourquier também teve que descer da carroça sob a ovação popular e gritos de revolta, e caminhar, cambaleante, até a escada que conduzia ao patíbulo.

               O terror enchia sua alma e a partir desse momento compreendeu que “não devemos fazer aos outros aquilo que não queremos que nos façam”, segundo o ensino de Jesus Cristo.

               Depois da morte violenta amargou pesadelos incríveis nas regiões umbralinas, perseguido pelos inimigos que havia mandado matar.

               Alguns dos Espíritos que comandaram o “terror” na Revolução Francesa conseguiram reencarnar para espiar os crimes nefandos. Dentre esses que alcançaram essa bênção está o Espírito que na época chamou-se Antoine Quentin Fourquier Tinville.

               Pelo encontro espiritual com Chico Xavier podemos visualizar que o moço bonito que apareceu terá uma encarnação de proveito e qualidade espiritual de alto nível, no século XXI, não mais para resgatar débitos e sim para desempenhar missão de alto nível junto aos mensageiros de Jesus.

               Resumindo, podemos dizer que o mesmo Espírito animou:

               - Antoine Quentin Fourquier Tinville – França - (1746 - 1795).

               - Emmanuel Luiz – Brasil - (1936 - 1949).

               - Nova encarnação no século XXI.

 

Perguntas

               Para concluir formulamos algumas perguntas para a reflexão dos amigos:

               - Qual a ligação espiritual entre José e Geni Xavier com Fourquier? Será que os dois primeiros também viveram na época da Revolução Francesa?

               - Qual a ligação espiritual entre Chico Xavier e Fourquier?

               - Chico Xavier viveu na França naquela época?

               - Chico Xavier, por ser um apóstolo do Cristo, acolheu o Espírito Fourquier apenas por caridade?

               - Por que muitos Espíritos franceses reencarnam no Brasil para resgatar seus débitos?

               - O Espírito Fourquier Tinville/Emmanuel Luiz já reencarnou no Brasil neste século? Em que lugar e em que família?

               - Se ele tiver o conhecimento espiritual, se renascer no seio de uma família ajustada no bem, poderá se tornar um homem de bem?

               - Se ele for criado à solta seguirá o caminho das tendências de Fourquier ou conseguirá ser bom e cumprir uma boa missão conforme disse a Chico Xavier?

               - Será que depois dessa história vamos começar a compreender, entender e ajudar os que nascem com deficiência física?

               - Se nós temos alguma deficiência física, e se pudermos trabalhar pelo bem, não é melhor resgatar o passado desde já, construindo o futuro?

 

Luiz Marini 24-04-09