22 – O encontro

Quarta, 25 Março 2020 16:32
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Nesse instante vi que o jovem Capitão se aproximava, a cavalo, de nosso grupo. Chegou ao meu lado e pediu-me que o escoltasse até o acampamento. Sem pestanejar, pedi um pano branco e o amarrei à ponta da lança, seguindo, então para o centro do acampamento.

Fomos abrindo caminho entre os guerreiros inimigos. Em minutos estávamos frente a frente com o comandante. Apeamos e seguimos, intimoratos, ao encontro do líder do exército inimigo.

Enquanto seguíamos ao encontro, observei que o comandante empalidecia. Um grito saiu de sua garganta ao reconhecer o jovem. Era o filho dileto que havia desaparecido de sua presença havia dezenas de anos. O moço aproximou-se e, num gesto súbito, abraçou-se ao homem que fora na última encarnação seu pai.

Pai e filhos estavam comovidos. Caíram de joelhos e permaneceram abraçados por longo tempo.

- Meu filho! Meu filho!... - dizia o general, não acreditando no que estava acontecendo.

- Meu pai!... Agora podemos reconstituir nossa família – dizia o filho. – Minha mãe e irmãs estão bem, numa cidade espiritual, esperando por nós.

O comandante chorava emocionado. Nunca imaginaria poder encontrar o seu filho em meio a uma batalha. Sentia vergonha por duvidar de Deus e de Sua bondade. Agora compreendia que Deus existe e que a vida reúne os Espíritos em tempo determinado para que trilhem novamente os mesmos caminhos.

- Pai, vamos tirar proveito dessa situação. Vamos abaixar as armas e reiniciar nosso futuro e o de toda essa gente - rematou o Capitão.

- Eu não sei o que fazer. Tenho muitas contas para acertar – disse o pai.

- É muito melhor recomeçar agora do que dentro de alguns anos – concluiu o filho.

Pai e filhos levantaram, abraçados. O comandante olhou para mim e perguntou ao filho quem eu era.

- Essa moça se chama Maria Rosa. É comandante do exército que lutou na Guerra do Contestado – respondeu o capitão. É a comandante de nossas forças.

- Muito prazer em conhecê-lo, comandante. 

Disse-lhe, estendendo a mão.

- Nunca pensei que teria que enfrentar uma moça em batalha – respondeu-me o comandante.

- É muito bom conhecer gente de fibra. Estou me referindo ao senhor e ao seu filho. - Disse-lhe, rindo, para quebrar o gelo.

- Também gosto de ver gente que não foge da luta – emendou o comandante.

- Esse é o nosso destino, nossa estrada na vida – arrematei.

- Andei por muito tempo em trevas, sem amor no coração, por pensar que havia sido esquecido por Deus. Não sei o que fazer... – comentou o líder, enxugando o rosto coberto de lágrimas.

- Essa é a hora de reconsiderar seus passos, seus pensamentos e atitudes. Mande seus guerreiros deporem as armas que lhe garanto que todos serão tratados da melhor maneira possível. Nós temos especialistas que estudarão caso a caso, pessoa por pessoa. Quem quiser seguir conosco será bem vindo, quem não quiser poderá voltar ao lugar de onde veio – disse-lhe com firmeza na voz.

- Eu acredito em você – respondeu o homem vencido pelo amor de Deus.

- Essa é a sua estrada de Damasco e de todos os seus comandados. É o divisor de águas entre os caminhos escuros e as estradas de luz. Deixe o amor divino penetrar seus corações. Esqueçam o passado e iniciem um novo futuro. Vocês nunca mais esquecerão esse dia em que Jesus os chamou para a luz - afirmei com segurança.

O comandante chamou seus imediatos e conversou com eles. Em seguida depositou as armas no solo e pediu que todos os seguidores fizessem o mesmo. Mandou libertar os reféns. Os jovens libertos nos abraçaram e seguiram, correndo, para perto de nossos pelotões.

Notei que o comandante era homem de muito respeito entre os seus soldados. Rapidamente falou-lhes que a batalha estava terminada e que ele se equivocara quanto à justiça divina. Todos seriam ouvidos e poderiam escolher o caminho a seguir: uma nova vida ou o retorno aos antigos sítios de vivência.

A comoção era geral. Os antes destemidos guerreiros agora estavam consternados e humildes. O comandante tinha grande poder de persuasão e a grande maioria dos soldados permaneceu no lugar. Entretanto, aproximadamente oito centenas de soldados deixaram o acampamento, carregando armas e barracas, e tomaram o rumo de sua cidade no umbral. Ainda não estavam preparados para modificar a sua vida.

A luz infiltrara-se nos corações desesperançados e tristes. A estrada luminosa abria seus horizontes para que cada um pudesse caminhar em busca do progresso espiritual.

O comandante pediu aos auxiliares que determinassem aos homens desmontar o acampamento e deixar o campo limpo.

Continuar...