19 – Meditação

Quarta, 25 Março 2020 16:35
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Por certo meus companheiros já estavam descansando em suas barracas, sentindo o frio que corta a alma quando se tem que lutar.

Recordei os tempos em que juntos descansávamos sob um mesmo teto de estrelas enquanto esperávamos as batalhas seguintes no nosso Contestado. 

Senti um aperto no coração aflito ao relembrar nossas façanhas na luta contra os vendilhões de terras, comparando-os aos vendilhões do templo quando Jesus derrubou suas mesas e barracas. 

Os Judeus transformaram o Templo de Jerusalém numa feira livre onde se vendia de tudo. Nossas terras também haviam sido vendidas aos estrangeiros que as revenderiam, batendo de frente com os nossos interesses como verdadeiros filhos e detentores do direito das terras.

Relembrei a astúcia dos comandantes dos exércitos ao comprarem a mente e a alma dos coronéis transformando-os em nossos inimigos. Depois, pude vê-los na espiritualidade nos piores sofrimentos que se possa imaginar. Tornaram-se os maiores mendigos do mundo espiritual, contrastando com os cargos elevados que possuíam na Terra.

Mas cada um constrói o seu destino no mundo. Não devemos acreditar que os vendilhões do templo que atuavam na Jerusalém antiga tenham acabado. Continuam eles e todos os outros que se criaram no passar do tempo a vender Jesus e as pessoas sem qualquer escrúpulo e sem que se enforquem depois. Por isso que o mundo está virado numa babel na qual ninguém se entende.

O tempo criou muito mais deles e os fortaleceu na empreitada de apenas viver a vida e não se preocupar com o próximo. Aliás, o próximo para eles, é o que está na fila esperando para ser espoliado.

Mas Deus está atento a tudo e cria oportunidades múltiplas para redesenhar a trajetória dos Espíritos. Muitos daqueles homens maus que conhecemos e que pensávamos que jamais pudessem modificar o pensamento, hoje são os grandes auxiliares na edificação da Nova Era.

Com muita humildade e trabalho haveremos de conquistar nosso lugar na jornada rumo às regiões celestes. Jesus não se cansa de nos chamar, através de múltiplos meios, a engrossar as fileiras dos bem aventurados. Só precisamos acalmar o coração, sentir a brisa da noite, e ouvir o Seu chamado.

E eu me pergunto no silêncio da noite:

- Até quando Deus esperará pela nossa renovação? Até quando Jesus nos chamará ao Seu redil? Até quando teremos oportunidades de viver sem qualquer compromisso com a luz? Até quando?...

Fechei os olhos e senti a sensação de entorpecimento de meu corpo com a suspensão de meu Espírito. A luz clareou a tenda e me senti elevada a outro céu. A paz penetrou meu coração e ouvi uma voz que me dizia para ter confiança em Deus e acreditar que tudo seria resolvido da melhor maneira.

A barraca pareceu estender-se em tamanho e o colorido de uma luz violeta penetrou o ambiente. À minha frente surgiram dois Espíritos: Bezerra de Menezes e avó Maria. Eles sorriram para mim, transmitindo confiança no trabalho a ser realizado. Depois de alguns minutos desapareceram de minha visão.

Abri os olhos e vi que a luz se apagava lentamente. Aos poucos voltei à normalidade e senti um alívio muito grande por perceber que Deus não nos abandona nunca.

Permaneci em silêncio, em quietude espiritual, por longo tempo. Sentia meu Espírito elevado a outro céu, uma região celeste de amor sublime e de paz inigualável.

Deixei meu pensamento vagar por regiões desconhecidas sem qualquer preocupação. O silêncio era minha prece, a quietude meu amparo. Não pensei em nada a não ser em minhas sensações de paz e de harmonia.

Aproveitei cada segundo dessa percepção sublime e exorei a Deus a oração sem palavras. A meditação desse momento refletia a incrível beleza da alma em suspensão. Imaginei quão grande é a beleza que Deus guarda para aqueles que já atingiram as regiões da mais sublime luz.

Continuar...