18 – Regresso dos companheiros à noite

Quarta, 25 Março 2020 16:36
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Quando a noite cobriu com seu manto nosso acampamento, recolhi-me à barraca para meditar. A noite estava calma e silenciosa. As estrelas pareciam muito apagadas nessa noite e a lua se mostrava opaca. 

Enquanto meditava sobre as ocorrências do dia e o que tinha a fazer no dia seguinte, ouvi passos que se aproximavam da tenda. 

Em seguida meu auxiliar comunicava que estavam chegando alguns companheiros. Eram meus amigos diletos que haviam partido para o resgate dos caravaneiros. Manoel estava à frente e comunicou-me que os prisioneiros não puderam ser resgatados na totalidade, pois haviam levado cinco moças e cinco rapazes para o acampamento para servirem aos propósitos do general. Os outros haviam ficado no lugarejo para qualquer eventualidade ou necessidade que se fizesse urgente. O comandante, por certo, estava planejando usá-los como escudos, no momento certo, a seu favor. 

Meus companheiros haviam resgatado cinco rapazes e três moças, mais os cocheiros e os guardas da diligência. Estavam todos bem. Pedi ao auxiliar que os levasse às barracas ao lado da minha para que pudessem descansar.

Agradeci aos companheiros a dedicação e disse-lhes para voltar às suas tendas, pois ao amanhecer teriam muito trabalho pela frente.

Meu coração estava opresso, pois nunca imaginei que teria tamanho combate na espiritualidade. Para quem acreditava apenas na existência de um inferno para os maus, um purgatório para os pecadores veniais, e um céu para os bons, o que eu estava passando era muito diferente de tudo que havia aprendido na antiga igrejinha de minha terra natal.

Os maus continuavam com os mesmos sentimentos e, pior, faziam questão de mostrar que continuavam maldosos e desejavam proclamar isso aos quatro ventos. Mas a balança tem dois lados e os pesos devem se equivaler para se saber exatamente quanto pesa determinado objeto.

Depois de longo tempo muitos dos antigos guerreiros e comandantes das campanhas do Contestado ainda continuavam a mesma luta, alguns pela aniquilação dos bons e os outros pela recuperação dos maus, com a consequente saída dos locais de sofrimento para a entrada nas regiões de luz e de paz.

Muitos jagunços e vaqueanos de meu tempo de guerra pude reencontrar no mundo espiritual, agora como mercenários das hostes do mal. Diversos bandidos pude rever com a mesma carantonha e armamentos do tempo antigo. Não evoluíram e continuam a sina de andejo sem rumo e sem conserto. No baixo astral servem de guerreiros das trevas no combate aos servidores de Jesus.

Muitos de meus amigos e comandados pude reencontrar na espiritualidade com o mesmo desejo de lutar pelo bem, pela liberdade, pela grandeza de Espírito. Hoje muitos deles continuam a luta sob meu comando e sinto que são imensamente felizes por conseguirem deixar as tristezas de lado e lutar para que a luz vença os obstáculos que o mal promove.

Continuar...