17 – Logrando os inimigos

Quarta, 25 Março 2020 16:37
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Os batalhões estavam escondidos, estacionados depois de uma curva da estrada principal, numa distância de dois quilômetros do acampamento dos belicosos. Os soldados estavam tranquilos esperando o momento certo de entrar em combate.

Fomos até a elevação de onde pudemos ver a movimentação no acampamento. Estavam se preparando para atacar a cidade. Aprendi na guerra que é importante desmantelar o inimigo, fracionando suas forças. Sempre que possível devemos fustigar pelos flancos para minar as forças inimigas.

Enquanto observava o acampamento, ouvimos os tambores iniciarem o chamamento para o ataque. O rufar dos bombos encheram o ar com a melodia triste e abafada.

Centenas de soldados avançaram sob o rufar dos tambores e atacaram a fortaleza. Dezenas acometeram com o aríete para derrubar os portões, enquanto outros carregavam escadas para escalar a muralha. As flechas voavam contra a paliçada buscando atingir os defensores da cidade. Na defensiva, dezenas de guerreiros usavam seus arcos para disparar flechas contra os atacantes.

Os canhões não podiam ser utilizados, pois os geradores ainda não haviam sido consertados. Então a questão era lutar com o que se tinha à disposição.

Com certeza repetiam as guerras ocorridas no período medieval onde usavam esse tipo de armamento. As flechas e armas dos atacantes dificilmente atingiam os defensores, pois o bem cria um escudo invisível que os protege. Mas os atacantes eram atingidos pelas flechas e sentiam as dores nas feridas abertas. Caíam ao solo e gemiam, sendo carregados para os limites de proteção no acampamento. Isso ocorre porque os Espíritos ligados ao mal são atingidos e sentem as dores como se estivessem encarnados. Aliás, nada mais são do que desencarnados com corpos perispirituais muito semelhantes aos da carne.

Observando a batalha resolvi utilizar uma estratégia adequada para o momento. Chamei os chefes dos cavaleiros e explanei meu plano. Todos assentiram com o mesmo e formaram uma meia lua duzentos metros antes da elevação que escondia o acampamento. Estavam na formação cerca de trezentos cavaleiros. Os outros trezentos ficaram escondidos atrás de pequeno morro ao lado da estrada principal.

Chamei o general Augusto e expus o plano. Ele me cedeu oitenta soldados, que foram incorporados a setenta guerreiros do Contestado. Subi à pequena elevação e comandei a ação.

Os cento e cinquenta soldados estavam a pé, armados com espadas e punhais. De súbito, desceram a elevação e apareceram na estrada principal. Rumaram direto ao acampamento em marcha acelerada. Ao se aproximarem dos inimigos foram notados por sentinelas que chamaram os companheiros. Num instante cerca de trezentos inimigos estavam à frente. O embate aconteceu e as espadas brandiram o aço na refrega. Podíamos ouvir o som das espadas retinindo no espaço.

Nossos companheiros estavam em menor número e depois de alguns minutos de embate, começaram a retirada. Recuaram, terçando espadas com os oponentes. Vez por outra algum inimigo do bem caía ferido. Com certeza não iria morrer, mas sentiria a dor do ferimento e deixaria de combater.

Recuando, nossos homens chegaram perto da elevação e então correram em direção às nossas forças. Os inimigos não perceberam a estratégia utilizada e entraram em nossos domínios sem pestanejar. Era o que queríamos que acontecesse. Em minutos eles estavam à frente dos trezentos cavaleiros. Quando deram em si já era tarde. Tentaram recuar, mas se viram cercados pelos outros cavaleiros que estavam escondidos ao lado da estrada principal e haviam fechado o cerco.

O embate foi rápido, pois os inimigos estavam cercados e não encontraram outra saída a não ser depor as armas. Foram conduzidos pelos cavaleiros até a retaguarda onde foi montado um cercado para prendê-los.

O general do acampamento nem viu o que fizemos. Ele estava imerso na observação da batalha nos muros da cidade. Vendo que não estavam atingindo seu intento, mandou seus oficiais retrocederem ao acampamento para reagrupar as forças.

Os soldados do acampamento passaram o restante do dia fazendo apenas pequenas incursões à fortaleza. Nossas tropas estavam em prontidão esperando a hora certa para o ataque final. Até o entardecer nada ocorreu de mais significativo. Quando o sol sumiu no horizonte, nos reunimos com os comandantes para traçar os planos de combate para o dia seguinte.

Continuar...