15 – O retorno dos guerreiros

Quarta, 25 Março 2020 16:39
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Por volta da meia-noite um de meus assistentes veio dizer que os companheiros que mandara seguir em busca dos viajantes da caravana estavam voltando. Todos pareciam bem. Eram cinco amigos imbuídos do desejo de auxiliar nosso trabalho. Haviam se disfarçado como mambembes para não despertar suspeitas e se infiltrado nas regiões de névoas. Depois dos cumprimentos habituais, Antonio começou a narrar os fatos de sua empreitada.

- Quando saímos da estrada principal e adentramos a região nevoenta, já fomos abordados por um grupo de desocupados do mundo espiritual. Queriam saber quem éramos e o que fazíamos ali. Disse que estávamos sabendo que o comandante Marcos estava recrutando soldados para atacar a cidade e queríamos fazer parte do exército.

Os desocupados acreditaram e nos indicaram o caminho até um posto avançado das milícias. Seguimos por carreiros estreitos e encontramos um Espírito que estava em frente a uma caverna esculpida na rocha. Paramos para conversar e ficamos sabendo que ele morava ali, pois havia se cansado das mentiras dos homens que o fizeram acreditar que dando parte de seus bens a religiosos conseguiria alcançar o céu. Na verdade pensava em comprar o céu com o ouro da Terra. Fizera muitas bobagens no mundo e estava havia vinte anos naquela caverna. Ele mais parecia um repórter do além, pois contou-nos dezenas de fatos que ocorriam por ali. Sabia de tudo e conhecia a todos.

Perguntamos então se não tinha visto algumas mulheres e homens diferentes dos habitantes do lugar. Disse-nos que há alguns dias passaram pessoas diferentes e estavam com as mãos amarradas. Diversos jagunços conduziam essas pessoas. Seguiram pelo carreiro principal que leva à povoação nos locais sombrios, quilômetros abaixo.

Agradecemos a informação e seguimos em frente pelo carreiro principal até alcançarmos a referida povoação cerca de dez quilômetros abaixo. O núcleo é formado por mais de seiscentas casas simples que tem no final da rua principal uma praça imensa e um barracão para reuniões.

Fomos abordados pelos guardiões do lugar e dissemos que queríamos nos alistar para a guerra. Fomos conduzidos até um galpão onde pessoas mal encaradas nos fizeram perguntas sobre nossa procedência. Depois nos indicaram um alojamento onde podíamos ficar.

Conversando com alguns dos homens que se encontravam no alojamento, ficamos sabendo que havia uma prisão no final da rua. Eu e o José saímos do galpão e fomos até a prisão. Era uma casa com grades fortes. Quando chegamos fomos abordados por guardas altos e fortes que nos pediram o que é que desejávamos.

Dissemos a eles que queríamos ver os homens e mulheres que haviam sido presos, pois tínhamos curiosidade de vê-los. Nada que uma boa conversa não consiga. Deixaram-nos entrar e ver o pessoal. Estavam acuados nas celas. Eram dez rapazes e oito moças, além dos dois cocheiros e dos guardas. Todos tinham o semblante carregado de temor pelo que poderiam sofrer nas mãos dos malfeitores. Um dos presos era meu conhecido de quando eu visitara a cidade do Recanto. Pisquei para ele para que compreendesse que estávamos ali para auxiliá-los, fiz isso sem que os guardas notassem.

Quando saímos disse para os guardas que não via a hora de enfrentar os combatentes da cidade. Voltamos ao galpão e logo fomos conduzidos ao posto de alistamento. Fica distante mais de oito quilômetros, para as bandas da saída do umbral, para os lados da cidade atacada. Dali para a cidade do Recanto são apenas dez quilômetros. Recebemos uma espada cada um e seguimos um pelotão até o acampamento principal, no entardecer.

Ficamos observando os mercenários enfurecidos. Tínhamos que fazer cara de quem estava insatisfeito com a cidade que continuava fechada e cara de amigos aos inimigos do bem. Parece que nos saímos bem no papel de atores. Quando chegou a noite, sorrateiramente, saímos do acampamento, nos embrenhando na escuridão, deixamos o local. Em poucos minutos estávamos avistando nosso acampamento. – concluiu Antonio, um de meus guerreiros principais.

Agradeci aos companheiros o trabalho realizado. Disse-lhes que deveriam seguir para as tendas, para o descanso merecido. O melhor a fazer no momento era descansar. Por certo, teríamos muito trabalho pela frente.

Continuar...