10 – Guerreiros do Contestado

Quarta, 25 Março 2020 16:44
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O tilintar das esporas anunciava que os cavaleiros já estavam prontos para a cavalgada até a cidade sitiada. A guarnição exultava de alegria nos momentos que antecediam a jornada. Os cavalos estavam arreados e enfileirados, dispostos em duas colunas com mais de cento e cinquenta animais cada uma, frente a frente, com os cavaleiros apeados, segurando os cabrestos.

Os cavalos escramuçavam no gramado demonstrando ansiedade. Eram fogosos e bem cuidados. As diferentes pelagens reluziam aos raios do sol que começava a nos aquecer na manhã clara.

Os cavaleiros estavam vestidos cada um a seu gosto, mas com calças largas e botas de cano alto. As camisas eram de diferentes cores, mas o lenço no pescoço era branco, com fitas verdes e azuis costuradas nas bordas. Os chapéus de couro e de palha estavam postos à cabeça. Na cintura a espada, o facão, o punhal e, no ombro, o fuzil.

Nesta manhã eu estava com o vestido branco, com franjas verdes e azuis. No cabelo arranjei flores. Na bainha a espada e o punhal e, no ombro, o fuzil. Também os arreios estavam enfeitados.

O dia amanhecera com o céu límpido. Desde a madrugada a movimentação havia sido intensa no lugarejo onde desenvolvemos atividades de aprendizado e trabalho com os Espíritos desejosos de caminhar pelas estradas do bem. Nesse forte ficam os comandados de nosso agrupamento e que geralmente são chamados para atender casos de resgates de Espíritos que já estão aptos a deixar as regiões nebulosas. Esse posto de trabalho está encravado nas regiões do Sudoeste do Paraná.

Montei em meu cavalo e passei no meio das colunas cumprimentando cada um dos companheiros. Aos chegar ao fim da fila, virei meu cavalo e disse-lhes:

- Lembrem-se amigos, antigamente guerreamos contra as forças federais, jagunços e mercenários em busca da recuperação de nossas terras. Nossa guerra foi a de Davi contra o gigante Golias, mas valeu, porque mostramos aos governantes que naquela região havia muita gente, brasileiros iguais a todos os outros, sofrendo com a injustiça.

Hoje a luta é pela implantação do bem sobre a Terra. Nosso trabalho é buscar e livrar das garras do mal aqueles que sofrem. Nossa luta tem sido árdua, mas sempre temos a proteção divina e por isso não esmorecemos.

- Vamos em frente, que temos um grande serviço a fazer. Dizendo isso, levantei a mão fazendo um sinal para que a coluna avançasse, transpondo os portões, para alcançar a estrada solitária...

Continuar...