08 – No prédio da administração

Quarta, 25 Março 2020 16:46
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Deixando a casa de força, seguimos para o prédio da administração. Enquanto caminhávamos, analisávamos a situação, comentando com o meu companheiro de lutas mais achegado, Luis Dam:

- Sabe, meu amigo, esses Espíritos que acabamos de prender são considerados nossos inimigos. Digo inimigos, pois estão do outro lado das hostes do bem. Vamos dizer que são adversários em tempos de conhecimentos diferentes. A luta continua e o bem deve ser o propósito final que devemos perseguir.

- Olha, Maria Rosa, - elucidou o companheiro – Buscando encontrar o âmago da vontade divina, nos especializamos em buscar aqueles que já estão aptos a deixar os lugares nebulosos e adentrar as regiões de luz. Muitos podem achar que estamos delirando, quando elucidamos essas questões, mas isso é questão apenas de tempo e espaço para se compreender. Quanta coisa só aprendemos depois de muito esforço e sofrimento.

- O canto da sereia que chama o Espírito ao seu dever vêm sempre de Jesus, que é o Mestre Divino e Pegureiro de todos os Espíritos que vivem na Terra. – assegurei ao companheiro. – A estrada de Damasco de cada um acontece um dia e quando isso ocorrer, é necessário que estejamos atentos para amparar aqueles que são acordados para a vida.

Estávamos caminhando em duplas, separadas por certa distância para nos protegermos de possíveis agressores que pudessem estar na cidade. Os outros também conversavam baixinho enquanto seguiam nossos passos. Tínhamos que aproveitar o momento da noite para deixar as coisas bem encaminhadas quanto aos problemas da cidade. Seguimos ao prédio central onde fomos recebidos pelo senhor José.

Passamos por uma sala muito grande que estava iluminada fracamente, apenas por dois candieiros.

O administrador nos recebeu com alegria.

- Graças a Deus vocês voltaram – exclamou o amigo, com um sorriso jovial.

- Estamos felizes por estarmos ao seu lado nessa hora – respondi ao amigo. As trevas estão sempre dispostas a perturbar nos lugares onde reina a paz e a harmonia.

Seu José estava triste com o acirramento das batalhas e nos disse:

- Hoje temos os vigilantes que estão nas paliçadas e até o momento conseguiram rechaçar os ataques. Mas tudo é questão de horas ou dias, para sermos vencidos. Nós estamos em número inferior aos atacantes.

- O problema é que tudo estava muito quieto e em paz por aqui – comentei com o amigo – Quando havíamos asseverado da necessidade de manter um número maior de vigilantes na cidade e na proteção aos comboios, a questão ficou para ser resolvida posteriormente. Aproveitando a brecha, os inimigos resolveram atacar com todas as forças disponíveis. Mas não adianta lamentar o que passou. O importante é saber o que fazer agora.

- Nós precisamos de mais homens para a defesa da cidade – concluiu o amigo.

- Com certeza, seu José – concordei – a cidade necessita de mais homens e eu os trarei dentro de poucas horas, antes mesmo de amanhecer. Já dominamos os jagunços que estavam aqui. É preciso que os mecânicos restaurem os equipamentos para restabelecer a energia da casa de força. Algumas peças estão danificadas e mesmo com o concurso de pessoal especializado para efetuar o conserto, isso pode demorar alguns dias.

- Estamos indo embora – comentei em tom de despedida – mas logo chegarão guerreiros para auxiliar na defesa da cidade.

Nos despedimos e voltamos pelo mesmo caminho por onde havíamos entrado na cidade. Em poucos minutos nos encontrávamos do lado de fora, ladeando as montanhas, nas cercanias da estrada principal.

As estrelas ainda brilhavam no firmamento quando seguimos pela estrada, nos afastando da cidade. O ar fresco da noite nos dava a sensação de leveza espiritual. A responsabilidade que carregávamos nos ombros nos afligia o coração, mas a confiança em Deus crescia nesse momento.

Caminhamos por dois quilômetros e nos encontramos com um de nossos grupos de batalha, com cerca de duzentos homens, que eu havia arregimentado na véspera. Conversei com o comando da tropa e pedi que fossem para a cidade colaborar com a proteção da mesma. Eram nossos homens e seguiram o caminho acompanhados por um dos guerreiros que estivera comigo na cidade.

Pedi aos guerreiros, que comigo estiveram durante a noite, que montassem acampamento nas imediações da estrada principal, afastados cerca de um quilômetro da cidade, para observar o desenrolar dos acontecimentos, quanto às batalhas que certamente ocorreriam junto às muralhas.

Continuar...