Capítulo 20 – No povoado

Sexta, 01 Fevereiro 2019 13:25
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A marcha prossegue! Os gritos e lamentos dos Espíritos sofredores enchiam os ares e penetravam em nossos corações como afiadas espadas. Sentíamos a tristeza deles como se fossem lanças fustigando nosso íntimo.

Alguns desses Espíritos conseguiam se aproximar, como se perdessem o medo de nosso grupo. Eram atendidos por nossos amigos que com eles conversavam e logo os acomodavam em nosso grupo.

Seguimos por mais de uma hora pela estrada sinuosa e cheia de calhaus até atingirmos uma região plana onde divisamos centenas de casinhas encravadas ao sopé de um morro.

- Esse é o povoado que procuramos – disse-nos Marilda.

- Não foi preciso nos anunciar aos moradores, pois os vigias já correram para denunciar a nossa chegada – disse Maria Rosa.

- Vamos até lá para resolver essa questão de vez – comentou Luiz Dam.

Nesse instante, observei que pela direita o grupo comandando por José e Tirson estava chegando e pela esquerda o grupo de Menotti e Manoel também se aproximava. Nossos três grupos chegavam ao mesmo tempo no povoado.

- Estamos prontos para resolver esse assunto – afirmei. - Essa é a hora da libertação.

Entramos pelo campo e nos encontramos com os outros dois grupos na entrada do povoado. Muitos Espíritos do lugar vinham até as primeiras casas para observar o que estava ocorrendo. Depois, corriam de volta para o aconchego de seus abrigos.

Reunimo-nos com os comandantes dos outros grupos e delineamos a estratégia para abordarmos o local onde estava Andréia. Marilda disse-nos que o bar onde ela se encontra fica no fim da rua principal. Foi para lá que seguimos. Nosso grupo estava formado por mais de trinta guerreiros.

Luisinho e Bruno ficaram com os outros companheiros à retaguarda acompanhando-nos à uma distância de trinta metros.

Nas casas, pelas janelas, muitos olhares procuravam ver o que estava acontecendo na rua e quem eram os visitantes. Os que estavam na rua corriam para se proteger, pois não sabiam quem éramos e o que desejávamos naquele momento.

Em minutos, a rua estava deserta. Somente nossos passos podiam ser ouvidos no momento. Quando chegamos ao bar onde supúnhamos estar Andréia, fomos recebidos por diversos Espíritos mal encarados que faziam questão de demonstrar que não estavam felizes com nossa presença.

- O que vocês querem aqui? – perguntou um homem de cabelos e barba ruivos, parado no alpendre, com os braços cruzados.

Ao lado, diversos amigos o acompanhavam portando espadas, lanças, foices e varas.

- Viemos buscar uma moça que vocês mantém como prisioneira nesse bar – disse Maria Rosa.

Continuar...