Capítulo 15 – Auxílio aos andarilhos

Segunda, 14 Janeiro 2019 17:29
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Enquanto nossos companheiros estacionavam no campo, notei que muitos Espíritos sofredores se aproximavam. Eram maltrapilhos, alguns alienados, outros enlouquecidos. Alguns tentavam mostrar o semblante calmo, mas tremiam ante a possibilidade de conversar com algum forasteiro.

Nossas vibrações estavam ao mesmo nível do ambiente para que não causássemos impressão de superioridade àqueles seres tão sofridos.

Maria Rosa e Luiz Dam estavam ao meu lado, atendendo os necessitados, conversando pacientemente com quem se aproximasse.

De repente, Luiz Dam disse-me que seguiria até a entrada da estrada que conduz aos limites do umbral inferior para verificar a situação do local. Ao lado de Maria Rosa comecei a atender alguns necessitados que desejavam conversar conosco.

O primeiro era um senhor aparentando setenta anos, tendo os cabelos brancos e o corpo esquelético.

- Ajude-me, senhora – suplicou-me. - Há muitos anos estou nesses campos e me sinto muito doente. Não tenho lembrança do que aconteceu para que eu ficasse assim.

- O senhor sabe onde se encontra? – perguntei para que ele se sentisse à vontade e me contasse a sua história.

- O que sei é que o tempo não passa e a vida parece que está estagnada, sem qualquer objetivo que me possa prender a algo. Para mim é sempre noite e não consigo enxergar sequer uma réstia de sol, uma nesga de luz.

- O senhor está em uma região do mundo espiritual onde a claridade é escassa. Aqui o sol não consegue penetrar com seus raios luminosos por causa das nuvens espessas. O ambiente é escuro, nevoento e a visibilidade é pouca.

- Eu não sei se sou um vivo na morte ou um morto na vida. Isso me aflige porque sinto dores e não tenho consciência de quem sou.

- O senhor é um Espírito desencarnado e está neste lugar por não ter cumprido a missão que lhe foi confiada na Terra. As doenças que ocasionaram o seu desencarne continuam a atuar em seu corpo espiritual. Mas, agora, é hora de renovação e o senhor deve aproveitar a oportunidade para o devido recomeço.

- Tenho condições de melhorar? – perguntou-me com os olhos marejados.

- Sim! Jesus permitiu que nossa caravana aqui chegasse para que pudéssemos contatá-los. Os que estiverem aptos serão recolhidos aos Postos de Socorro e cidades onde poderão melhorar as condições espirituais.

- Agradeço por me ouvir – disse-me enquanto apertava minha mão em sinal de agradecimento. - Tenho certeza que meu caminho haverá de se modificar de agora em diante.

Um enfermeiro aproximou-se e conduziu-o até o local onde se fazia a triagem daqueles que seguiriam com a caravana.

Uma senhora de aproximadamente setenta anos aproximou-se e olhou-me detidamente. Depois, disse-me, com ares de superioridade:

- Agora estou com o dinheiro disponível para doar às casas de caridade. Antes, tive que cuidar para que amealhasse o bastante para não ter que enfrentar penúrias no futuro. Hoje tenho disponível uma boa quantia de dinheiro para ser utilizado com os necessitados.

Enquanto falava, a mulher tirou maços de papel de uma sacola que carregava em um dos braços. Para ela, era dinheiro, mas, na verdade, não passava de papéis envelhecidos, cortados ao feitio de cédulas.

- Há algum tempo vago por essas paragens e não consigo encontrar as pessoas certas para entregar o dinheiro para as obras de caridade.

- A senhora encontrou, agora, as pessoas que vão lhe auxiliar a bem utilizar esse dinheiro – eu lhe disse com a certeza de que nossos companheiros conseguiriam ajudá-la a sair desse comprometimento espiritual. - Fique tranquila, que a senhora será auxiliada.

Chica Pelega estava ao meu lado e a conduziu até uma carruagem. A mulher seria levada até um dos Postos de Socorro onde receberia os primeiros socorros à sua mente doentia. Ela havia sido uma senhora muito rica, quando encarnada, e sempre se esquivou de ajudar as entidades beneficentes que a procuravam. Agora, depois de desencarnada e de passar por sofrimentos, recebe a oportunidade de ser socorrida e de recomeçar a caminhada no rumo da espiritualidade superior.

Continuar...