Capítulo 09 – Entrando no umbral

Segunda, 24 Dezembro 2018 21:05
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A névoa cobria os campos não permitindo que a paisagem fosse vislumbrada em sua totalidade e com a nitidez necessária. Imaginamos ser uma pradaria imensa onde algumas tendas se erguiam a certa distância.

Entramos no descampado e seguimos, caminhando, lado a lado. As representações da paisagem se nos abriam aos olhos e podíamos vislumbrar o campo imenso. As primeiras imagens nevoentas, se nos apresentavam como opacas para nos demonstrar como os Espíritos andarilhos a veem.

Eram muitos os grupos de Espíritos que perambulavam na pradaria. Fixei a atenção em um dos grupos que me pareceram, a primeira vista, serem Espíritos que na Terra haviam sido ladrões do erário público.

- Estão vagando sem destino, esquecidos do amor que deveriam nutrir nos corações – disse Maria Rosa. – A vida e o ganho fácil fizeram com que criassem uma nuvem em suas mentes que obliteram os pensamentos.

- Muitos deles não se conheceram durante a encarnação e agora estão juntos, pois se encontram imantados pelos mesmos pensamentos.

A observação de Luiz Dam dava o tom da tristeza que carregavam aqueles Espíritos. Boa parte deles havia se locupletado com as facilidades encontradas em subtrair o dinheiro público. Não haviam entrado em quadrilhas apenas por curiosidade ou oportunidade surgida, mas haviam perseguido o momento propício para se apoderar do dinheiro, sem que isso se refletisse negativamente em sua moral que estava obliterada pelo desejo da fortuna.

Observamos o ambiente e reconhecemos nele grupos diversos que perambulavam sem que tivessem um norte. Muitos Espíritos cambaleavam enquanto tentavam acompanhar os companheiros de jornada.

Observei alguns Espíritos que se detinham perto de montículos no chão. Abaixavam-se e pegavam a terra, puxando-a de encontro ao peito. Depois, sentiam que a terra se esvaia pelos dedos o que lhes causava desespero. Eles tinham a ilusão de juntar moedas de ouro, e, quando viam sumir das mãos, choravam desesperadamente. O suposto ouro desaparecia no chão levando consigo o desespero dos avarentos.

Ao lado, alguns Espíritos choravam compulsivamente recordando o tempo perdido enquanto encarnados. A dor moral de se reconhecerem responsáveis pela inoperância na Terra, quando olvidaram as responsabilidades que carregavam no íntimo sem que se propusessem a buscar o desenvolvimento espiritual.

Não acreditavam que pudessem ter que enfrentar a sua consciência em determinado tempo. Locupletaram-se com as atitudes iníquas e agora sofriam e colhiam as consequências dos atos perpetrados.

Continuar...