Capítulo 01 – Encurralado

Segunda, 26 Novembro 2018 21:45
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Saiam daqui! Deixem-me em paz! Não se aproximem!

O Espírito gritava, horrorizado, ao perceber que estava rodeado pela falange de Espíritos belicosos.

Eram violentos e estavam dispostos a tirar desforra com o Espírito do jovem.

Observei atentamente o jovem que estava no meio do círculo que se fechava lentamente. Aparentava ter vinte e cinco anos. Cabelos negros, curtos, tez clara. Trajava calça jeans e camisa de malha branca.

Estava sofrendo ao perceber que poderia padecer tortura ou mesmo ser trucidado pela malta que se aproximava perigosamente.

Ari, o chefe dos celerados, adiantou-se e o agarrou subitamente, manietando-o. O jovem foi amarrado em uma árvore de três metros de altura e de pouca espessura. O chefe adiantou-se e lhe desferiu uma bofetada no rosto. Olhou-o demoradamente e depois perguntou:

- Onde está a sua irmã Andréia?

O jovem, com os olhos arregalados, respondeu:

- Não sei onde ela está. Há muitos anos não a vejo.

- É certo que você sabe onde ela está. Você quer é esconder isso de nós.

- Não sei onde ela está. Acredite em mim!

- Você estava em nosso povoado bisbilhotando por todo lado. Com certeza estava à procura dela.

- Eu não sei por que vim parar nesse povoado. Há alguns anos estou vagando por aí e alguma coisa me trouxe para cá.

A voz do jovem era trêmula ao confrontar o grupo que tinha aproximadamente trinta Espíritos da falange que dominava o povoado.

- Você foi visto perambulando por aí e eu o reconheci de pronto – disse o chefe. – Com certeza, você sabe o paradeiro de sua irmã.

- Pode ter certeza de que desconheço o local onde ela se encontra.

- Por que é que você fugiu quando nos aproximamos? Quem não deve não foge.

- Se você se sentisse perseguido por muitos Espíritos, certamente não ficaria esperando ser preso.

- Você tem a última chance de responder minha pergunta.

- Eu não sei onde ela está. Acredite em mim.

- Não acreditamos em mentirosos! Em nossa região quem manda somos nós e não estamos a fim de livrar mentirosos do castigo que merecem.

O chefe apanhou uma vara, alcançada por um de seus asseclas e desferiu um golpe na perna esquerda do jovem, que gritou desesperado.

A turba aplaudiu a ação e aplaudiu incentivando o chefe a bater até que o jovem falasse.

Um dos celerados, atendendo pedido do chefe, desamarrou o jovem, que caiu no chão. A surra teria que ser completa e o chefe desejava que o jovem pudesse se defender. Mais um golpe, agora nas costas, fez com que o jovem caísse por terra. Quando tentou se levantar, outro golpe derrubou-o novamente.

Estávamos, Maria Rosa e eu, em uma pequena elevação de onde víamos o que ocorria naquela região remota do umbral. Havíamos sido chamados ao lugar pela mãe do jovem que, sabendo que seu filho estava em dificuldades, elevou um pedido de socorro.

Essa solicitação chegou até nós por meio da Senhora Maria, em nossa cidade espiritual, e ali estávamos para socorrê-lo.

Quando o castigo se tornava mais forte, eis que, de repente, ouvimos o tropel de dezenas de cavalos que se aproximavam no lusco-fusco do entardecer. O barulho foi se acentuando e os Espíritos que compunham a malta pressentiram que algo estava para acontecer.

O burburinho cresceu entre os Espíritos enquanto o barulho se acentuava reboando entre os morros em volta.

Nossos cavaleiros surgiram em formação de ataque, no início do campo, e logo se aproximaram a galope.

Conforme se aproximavam, aumentando a velocidade, os Espíritos começaram a fugir até desaparecerem no final do campo. O chefe foi junto com os comandados, pois não tinha como confrontar os guerreiros da luz.

O jovem aproveitou a confusão e desapareceu entre os arbustos, sumindo na escuridão.

Luiz Dam e Maria Rosa fizeram menção de sair à procura do jovem, mas eu lhes disse:

- Deixem-no ir! Por enquanto, essa era a nossa missão: Mostrar a ele que as forças do bem não abandonam quem está procurando ajudar seus irmãos. Ele ficará pela região procurando por sua irmã. Será de grande utilidade para nós quando aqui estivermos para libertá-la das garras desse facínora que a persegue incessantemente.

Continuar...