Companheiros de infortúnio

Segunda, 13 Julho 2020 01:18
Versão para impressão

O Espírito com sede insaciável

Perambula pelas ruas ao léu

Tem dos encarnados o mesmo céu

Também o mesmo vício indomável.

 

Chega perto de homem miserável,

Mendigo de seu carma, pobre réu.

Da vida um sujeito abjeto e incréu,

Que puxa de um litro descartável.


A sede do Espírito e do mendigo

Em minutos encontram seu abrigo

Sorvendo grandes goles de cachaça.


A dupla carrega um liame antigo

O Espírito descansa no ombro amigo

Em tosco banco da escura praça.


Luiz Marini 09-11-2018