CAPÍTULO 61: No jardim

Sexta, 21 Setembro 2012 10:46
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CAPÍTULO 61
 
 
 
No jardim                  

 
                           A avó Maria, Luisinho e Maria Rosa
                               conversam, no jardim da casa, sobre
             os últimos acontecimentos.


 
               A manhã de sábado estava clara e aprazível em nossa cidade espiritual. A avó Maria, Luisinho e eu estávamos caminhando pelo jardim de nossa casa apreciando as flores e conversando sobre as últimas ocorrências da vida.
               ― O trabalho realizado com os grupos de Antonio e de Altair foi deveras difícil, mas que obteve ótimos resultados – confidenciou-me a avó Maria enquanto tocava a haste de um lírio branco. – Eles eram inimigos há muitos séculos e desencadeou toda a trama que tivemos a possibilidade de conhecer.
               ― Avó Maria – disse-lhe por minha vez, - Deus prepara os caminhos para que os Espíritos procurem os instrumentos corretos para que possam cortar os laços de ódio e atar os liames da amizade e da compreensão. Nesse caso foi alcançado o primeiro estágio que é o da interrupção da violência que ocorria entre os integrantes dos grupos. Agora vem a sequência que é o de transformar o íntimo dos Espíritos para trabalhar a busca de novos horizontes.
               ― Esse trabalho requer muita disciplina e boa vontade, por que a cada instante os sentimentos de revolta e ódio aos antigos inimigos poderão retornar, causando a queda do Espírito no mesmo patamar anterior.
               ― E se houver a queda de algum desses Espíritos que estão em reciclagem de seus atos e costumes, o que poderá acontecer? - fiz a pergunta para saber a opinião da avó Maria sobre a recaída que é tão comum em quem está tentando se reerguer.
               ― Nesse caso os mentores trabalharão novamente o soerguimento desse Espírito para que seu retrocesso não prejudique o restante do grupo – respondeu a avó Maria, conhecedora que era de muitos casos de recaída de Espíritos que não tiveram forças para seguir com o tratamento. – Os grupos de Antonio e Altair seguirão tratamentos em separado para que não ocorram casos de queda por estarem à frente dos antigos inimigos. No futuro, com a necessária precaução e sob os olhares dos mentores espirituais, os integrantes dos grupos passarão a se reencontrar para a devida reconciliação.
               ― O que a senhora achou do tratamento dispensado aos grupos? – perguntei tendo em vista que havíamos visitado os grupos na semana anterior.
               ― O grupo de Altair está no Posto de Socorro Boa Vontade que fica a vinte quilômetros daqui – respondeu-me a avó Maria. - As dificuldades são maiores por que os Espíritos estavam acostumados a praticar toda sorte de maldades e agora devem esquecer tudo e recomeçar uma nova fase de suas vidas. Além do tratamento nas enfermarias para a extração dos fluidos negativos de seus corpos, participam das sessões com psicólogos e terapeutas para melhorar a questão psicológica e espiritual. Para complementar o tratamento frequentam a escola e participam dos trabalhos nas oficinas e, literalmente, colocam a mão na massa na construção de novas instalações e no trato com as frutíferas no pomar.
               ― E quanto ao grupo de Antonio? – perguntei para observar sua opinião quanto à diferença de local e tratamento.
               ― O grupo de Antonio está num Posto de Socorro próximo aos campos limítrofes – respondeu com um sorriso. – Uma estrada luminosa liga o Posto a esses campos e o grupo pode passear livremente nas várzeas luminosas para renovar seus pensamentos e ver quanta beleza existe no mundo de Deus. Isso proporciona alento para suas mentes cansadas de tanto sofrimento e desilusão e recarrega suas energias para novos empreendimentos.
               ― Nesse caso, o grupo de Antonio, por ter sido vítima, está mais receptivo aos imperativos de progresso – afirmei por minha vez. – Por isso é que receberam a permissão de participar do “Posto de Socorro da Gruta” que fica próximo aos campos limítrofes. Aliás, esse Posto é nosso conhecido desde que participamos do trabalho de reconduzir à civilização o ermitão do umbral.
               ― Bom dia companheiro!... Lembra Maria Rosa? – perguntou Luisinho rindo com a lembrança do ermitão, que estava dormindo sobre um tronco de árvore caída, e, com o susto, o tombo que levou.
               ― Claro que lembro Luisinho – respondi, rindo com a recordação. – O ermitão foi reconduzido ao trabalho com a sociedade e está bem em suas funções junto à esposa e aos filhos.
               ― Lembrar que o lugar onde ele morava na caverna do umbral se tornou um Posto de Socorro é gratificante para nós – lembrou a avó Maria. – É um dos projetos de mudança da negatividade para a luz dentro do programa divino para se proceder a Regeneração da Terra.
               ― O coronel foi uma das figuras mais incríveis que conheci – aparteou Luisinho – De homem duro de lidar transformou-se em um bom trabalhador na espiritualidade.
               ― Esse é um dos objetivos dos mentores nessa época – comentou a avó Maria. - A par de levar o evangelho de Jesus aos homens ainda sem boa vontade, transformar os lugares escuros do umbral em Postos de atendimento aos sofredores.
               ― Como está o tratamento dos Espíritos que viviam nas tendas em frente ao forte? – inquiriu Luisinho.
               ― Foram conduzidos a um Posto de Socorro nas imediações do forte para que possam ser auxiliados em sua recuperação. Estão bem animados com o tratamento, pois no forte, eram tratados com brutalidade pelos asseclas de Altair. Muitos já estão apresentando melhoras significativas e logo poderão trabalhar nas oficinas, estudar e se preparar para o retorno à Terra.
               ― Como estão os irmãos que foram levados à Herdade? – perguntou Luisinho.
               ― Estivemos visitando Alcione e João Paulo na semana passada e ficamos felizes em vê-los recuperados – respondeu a avó Maria. – Já estão com o pensamento modificado quanto à existência de Deus, pois estão numa escola filosófica muito interessante que passa os conceitos de várias correntes do pensamento humano que provam a existência de Deus. Eles estão imbuídos de boas intenções e já participam de várias oficinas de trabalho visando a reformulação de seus pensamentos principalmente quanto ao auxílio ao próximo, pois reconhecem que também foram ajudados e se não fosse isso ainda estariam no casebre, perseguidos pelos Espíritos inferiores.
               ― E as filhas de Antonio que foram conduzidas à nossa cidade? – tornou a inquirir o pequeno companheiro.
               ― Elas estão bem e o processo de recuperação é impressionante, pois são Espíritos de bom coração que se perderam nas estradas do umbral, depois da morte – revelou a avó Maria. – Elas já estão conscientes do que ocorreu e passarão a frequentar nossa escola. Depois terão a oportunidade de reencarnar na família de Marisa e Josué, nos próximos anos.
               ― E Antonio, Darci e Dirceu também voltarão à Terra? – tornou a perguntar Luisinho.
               ― Eles estão em fase de recuperação dos sofrimentos que tiveram na cadeia e depois farão os estudos e participarão das oficinas de trabalho como preparativos para reencarnar. Antonio será filho de Tadeu, o segundo filho de Otávio e Darci e Dirceu reencarnarão como filhos de Fabrício, filho mais novo de Otávio.
               ― E Altair? – perguntou Luisinho – também voltará às lides terrenas?
               ― Com certeza – respondeu a avó Maria. – Ele será filho de Augusto, o filho mais velho de Otávio. Deus os colocará como parentes na Terra para que aprendam a se respeitar e amar segundo a lei de Deus. Otávio aceitou receber esses Espíritos como familiares para ajudá-los. Ao mesmo tempo assumiu o compromisso de pagar os estudos de Mirtes e de auxiliar Marisa e Josué na construção de sua casa própria. É o filho reconhecendo a mãe.
               ― Por isso é que temos tantos parentes que não se entendem – comentou Luisinho. – Pode ser que sejam os inimigos de antanho que retornam na mesma família para se reconciliar, mas se deixam levar pelos sentimentos antigos.
               ― Se as pessoas tivessem o hábito de respeitar o próximo e aceitá-los como são, muitas das encrencas que temos por aí deixariam de existir e os homens seriam muito mais felizes – comentei para justificar que os homens devem se amar sem distinção. – Se amamos o próximo é natural que tenhamos que amar também nossos parentes, mas aí é outra história...
               ― Nesses irmãos que renascerão como parentes haveremos de introduzir em suas vidas a religião, o estudo e o trabalho para que compreendam que estão no mundo para progredir e não para retroceder – afirmou a avó Maria. - Faremos com que tenham o dom mediúnico para desenvolver, compreender as verdades espirituais e auxiliar o próximo, e, assim, não ter tempo de pensar bobagens.
               ― Concordo com a senhora – assenti, fazendo um sinal de positivo com a cabeça. – Cabeça vazia é oficina do mal. O homem cheio de compromissos com o bem não tem tempo de pensar besteiras.
               ― Por isso é que trabalhamos vinte e quatro horas por dia, não é avó Maria? - perguntou Luisinho rindo a valer. – Nossas mãos estão gastas de tanto trabalhar...
               ― Quem consegue compreender o chamado de Jesus ao trabalho, mesmo quando está em horas de descanso não deixa de pensar no bem e no progresso, espantando as más tendências e pensamentos – respondeu a avó Maria abraçando o pequeno. – Quem vive em Deus ama, trabalha e descansa com o Espírito sempre voltado à construção da seara do bem no mundo. Mas falando em trabalho vamos à crosta que temos muito que fazer por lá... Amanhã sim, teremos o descanso num compromisso muito importante com o Dr. Bezerra...
                                                           
Continuar...