CAPÍTULO 58: Formação de batalha

Sexta, 21 Setembro 2012 10:49
Versão para impressão

<<< Anterior... 

CAPÍTULO 58
 
 
 
  Formação de batalha

 
                                         Os Cavaleiros se preparam para o combate
                      fazendo a formação de batalha.


 
               Montamos em nossos cavalos e demos ordens para que os cavaleiros seguissem seus comandantes. As colunas seguiram pela estrada até chegar em frente ao forte. Dividimos em quatro grupos onde dois ficaram em frente e um de cada lado, cercando as tendas.
               Os Espíritos que continuavam perto das tendas viram que não estávamos para brincadeira e pararam de rir e debochar de nosso grupo. Começaram a se lamentar prevendo que estariam em maus lençóis se ficassem no lado externo do forte. Eles já haviam sofrido com ataques de grupos inimigos e agora estavam enfrentando novamente as possibilidades de sofrer as agruras dos combates.
               Fizemos questão de mostrar que estávamos ali para libertar os prisioneiros e levar conosco todos os que estivessem dispostos a mudar de vida e de conduta. Fizemos soar o trompete em sinal de preparação para o ataque, o que motivou os cavaleiros a desembainhar as espadas e segurar firmemente os fuzis.
               Essa ação foi justamente para amedrontar os que estavam perto das barracas e surtiu efeito imediato, pois todos correram para os lados do portão em busca de refúgio. Ato contínuo os guardiões do forte fecharam os portões deixando do lado de fora mais de trezentos Espíritos.
               Eles corriam para todo lado sem saber para onde ir ou se esconder, pois sabiam que eram totalmente incapacitados de se defender de um ataque dos cavaleiros. A um sinal de trompete o grupo de cavaleiros do lado direito avançou a todo galope contra os Espíritos que estavam atordoados em frente ao portão.
               Quando viram que estavam sendo atacados gritaram apavorados e se bandearam para o lado onde estava nosso grupo de ataque da esquerda. Mais um sinal de trompete e os cavaleiros da esquerda atacaram também.
               Quando os dois grupos se aproximaram dos Espíritos apavorados, frearam os cavalos e pararam de súbito, quase em cima dos oponentes. Foi o suficiente para que os Espíritos viessem para nosso lado e nos pedissem clemência, pois não tinham para onde fugir e como se defender.
               Os setenta cavaleiros que retiraram os Espíritos sofredores dos campos e do pântano haviam regressado e levaram os Espíritos para um descampado à beira da estrada onde fariam uma triagem e encaminhariam, aqueles que quisessem se modificar, até um Posto de Socorro nas proximidades para começar o tratamento espiritual que se fazia necessário.
               Um dos Espíritos que chefiavam o movimento dos que moravam nas barracas chegou para conversar comigo e me disse:
               ― Muitos de nossos companheiros estão cansados desse tipo de vida sem rumo, sem objetivo e querem seguir com vocês.
               ― Todos os que quiserem se redimir podem seguir conosco – falei por minha vez. – Aproveitem a oportunidade e deixem esse lugar escuro e sem vida para começar a viver uma nova realidade onde a luz e a felicidade fazem parte do dia a dia.
               ― Finalmente aprendemos que os comandantes do forte pensam apenas em si e nos deixam como escudos humanos para enfrentar os inimigos – tornou o homem que tinha a tez envelhecida pelos anos passados nas regiões nevoentas. – Queremos mudar de vida a partir de hoje.
               ― Os seus amigos fecharam o portão do forte, o que mostra o que pensam de vocês. Esqueçam a vida no umbral e venham para a vida verdadeiramente pura e bela nas regiões de luz.
               Os Espíritos seguiram nossos cavaleiros para o outro lado da estrada e formaram filas para o cadastramento. Eles haviam compreendido que estávamos ali para resolver o problema deles e dos que se encontravam no forte. Nossa intenção era a mais sincera possível no tratamento de seus problemas e no encaminhamento para a cura de seus males.
               Eles haviam compreendido que nossa intenção não era a guerra e sim a paz. Mas para alcançar a paz era necessário fazer com que os inimigos do bem se convencessem que estávamos ali para ajudar e não para machucar.
                                                           
Continuar...