CAPÍTULO 57: Conversa com Altair

Sexta, 21 Setembro 2012 10:50
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CAPÍTULO 57
 
 
 
Conversa com Altair

 
                                                    Alguns mentores vão até a entrada do forte para 
                                      convencer Altair a libertar os prisioneiros.


 
               Perto do meio dia apareceu Altair e ficou nos esperando na entrada do forte. Enviou emissários propondo conversar, pois pretendia evitar um ataque ao forte.
               Menotti, Tirson, Luiz Dam e eu fomos até onde se encontrava Altair e alguns de seus comandantes. Nós o conhecíamos desde as imagens vistas no Centro e sabíamos que era um verdugo cruel, pois matava a sangue frio desde o tempo da colonização do sudoeste paranaense.
               Esse gosto pela violência Altair trazia desde muitos séculos antes quando era guerreiro Otomano e combatia as hostes cristãs, na luta pela hegemonia da cidade santa, Jerusalém. Ele havia guardado na memória as lides guerreiras e acareava para si muitos inimigos, inclusive Antonio que fora seu opositor naqueles dias sangrentos.
               Seus asseclas também haviam sido guerreiros e estavam novamente juntos para incomodar os inimigos. Como não haviam melhorado as condições espirituais continuavam no umbral aprontando das suas e vitimando os inimigos com a prisão e torturas.
               Quando nos aproximamos vimos que as barracas ao lado estavam repletas de Espíritos sofredores que haviam se tornado seus cúmplices mais por medo do que por vontade. As condições que apresentavam eram tristes e comoventes, pois tinham muitas doenças e pústulas em todo o corpo.
               Ficamos em pé em frente aos comandantes do forte prontos para a conversa franca e aproveitável, pois nosso interesse era libertar os Espíritos que ali se encontravam, tanto os prisioneiros quanto os comandantes e soldados que também eram prisioneiros de suas próprias mentes voltadas ao mal.
               Altair foi quem quebrou o silêncio dizendo-nos com voz soturna:
               ― Não gosto que se intrometam em meus negócios e atividades neste forte. Gostaria que fossem embora e me deixassem em paz com minha gente e meus problemas.
               ― O problema é que muitos prisioneiros mantidos no forte estão aqui a contragosto, contra sua vontade e isso não pode acontecer – disse nosso mentor Menotti. – O melhor, para todos, é deixar os prisioneiros saírem e tudo ficará bem.
               ― Nunca!... – bradou o comandante - Eles são meus inimigos de muitos séculos e não poderão sair assim, sem mais nem menos.
               ― Se eu fosse o senhor deixaria de lado essa coisa de inimigos e permitiria que saíssem para cuidar da vida e do seu progresso – emendou Menotti, com ar de seriedade e advertência. – Mais dia menos dia eles serão libertados e o melhor é fazê-lo agora, sem traumas ou problemas.
               ― Há muitos anos que estamos neste forte, arranchados e bem acomodados, e ninguém, até hoje, veio nos incomodar – esbravejou Altair, pois tinha noção do perigo que corria. - Não são vocês que farão isso, por que temos como nos defender por longo tempo.
               ― A questão não é se defender ou não, pois temos condições de arrasar o forte em dez minutos – disse Menotti, com autoridade. – A questão é evitar problemas para os que moram nas tendas e no forte e é isso que desejamos evitar.
               ― Estão querendo nos impor situações através do medo e isso nós não temos – comentou o antigo fazendeiro, com um sorriso maroto. – Preferimos guerrear antes de entregar um só de nossos prisioneiros.
               ― Entregue os prisioneiros e deixaremos o forte e as barracas incólumes – propôs nosso comandante. - Compreendemos que vocês têm o direito de viver onde bem entendem desde que não perturbem o sossego alheio.
               ― Não!... – disse Altair com firmeza. – Não aceitamos essa proposta e pedimos que deixem nosso vale o quanto antes para que não tenhamos que usar a força para expulsá-los.
               ― Pense bem Altair!... – recomendou Menotti – Se fossem teus familiares que estivessem presos qual seria tua reação? Deixaria que ficassem presos por tempo indeterminado sem sequer pensar em libertá-los?
               ― Meus parentes estão comigo e estão bem – enunciou o comandante. - Apenas Otávio ainda está na carne e está começando a ouvir besteiras no Centro Espírita, o que me preocupa.
               ― Ele está tentando encontrar um caminho diferente daquele que lhe foi ensinado, ou seja, fazer qualquer coisa para possuir riquezas e poder. Ele está tentando compreender o sentido da vida para poder encontrar a felicidade.
               ― Ele está é tentando se perder – vociferou Altair. – Desde que se aproximou de Antonio ficou diferente comigo e não tenho tido mais contato.
               ― A vida nos ensina a perdoar para que possamos seguir juntos na rota que leva a Deus. Essa é a hora de libertar os inimigos para que também eles possam seguir seu caminho. Libertando Antonio conseguirás fazer com que Otávio retorne ao seu convívio.
               ― Não acredito nisso e penso que a proposta é um sortilégio para me enganar – comentou o comandante. – Nossa conversa está encerrada e não tem acordo.
               Altair fez sinal aos comandantes para que o acompanhassem ao forte. Os asseclas que o rodeavam deram vivas para a possibilidade de batalha e isso incendiou os ânimos dos que estavam nas tendas. Com nossos mentores, retornamos à formação de nossos cavaleiros sob vaias do populacho que estava muito feliz com a rispidez de seu comandante.
                                                           
Continuar...