CAPÍTULO 47: Anastácia

Sexta, 21 Setembro 2012 11:00
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CAPÍTULO 47
 
 
 
Anastácia               

 
                                       Anastácia visita a avó Maria e conversan
                                       sobre os problemas de Antonio e família.
                                       Ela se prepara para reencarnar e seguir
Artêmio.                


 
               Ao regressarmos da escola, ao entardecer, uma senhora nos esperava em frente à nossa casa. A avó Maria apressou-se para abraçá-la e nos apresentou em seguida, dizendo que era dona Anastácia quem nos visitava. Eu a havia reconhecido quando da projeção no Centro e fiquei feliz em conhecê-la pessoalmente.
               Era uma senhora bonita, elegante, de cabelos curtos e olhos negros, penetrantes, próprios dos que têm mediunidade aguçada. Ela é moradora de Campos da Paz, uma cidade espiritual de bom nível e que fica mais ao sul.
               ― Que bom rever a senhora dona Maria – disse dona Anastácia com um largo sorriso –. Há algum tempo que não nos vemos, não é?
               ― Acredito que faz um ano, mas isso não quer dizer que não nos admiramos. Se estamos longe é porque o serviço nos toma todo o tempo e nos prende nas atividades que temos a cumprir.
               ― Dona Maria, há alguns dias tenho pensado muito na senhora e nos amigos que conhecemos durante nossa encarnação. Algo me diz que Antonio está passando por dificuldades, e, por isso, vim conversar com a senhora.
               ― A história dos personagens que conhecemos não terminou com a morte do corpo, ela continuou viva e atuante, eivada de episódios tristes e dolorosos. Antonio está preso num forte no umbral, com Dirceu, Darci, seu Medeiros e muitos outros Espíritos.
               ― O que aconteceu, dona Maria, que somente agora esses detalhes estão nos sendo revelados? – a pergunta de dona Anastácia tinha sentido, pois ela imaginava que os bons Espíritos não permitiriam que acontecesse algo semelhante a Antonio e seus amigos.
               ― O fruto somente cai da árvore quando estiver maduro. Não é lícito nos intrometer na vida das pessoas ou dos Espíritos se não formos chamados para tal. É importante compreender que muitos carmas têm que ser cumpridos para então haver a solução adequada. No tempo certo o gatilho é acionado e os mentores são chamados para resolver a questão.
               ― Se Antonio está preso pelos inimigos, o que aconteceu com a esposa e as filhas que haviam sido assassinadas?
               ― A esposa de Antonio, Maria, reencarnou em 84 e casou-se em 2003 com José, o filho de seu Medeiros que havia desencarnado em 65 e reencarnou em 1980. Uma das filhas de Antonio e Maria, Miriam, reencarnou em 2004, como filha de José e de Maria. As outras meninas, Marta e Marcela permaneceram no mundo espiritual, perseguidas pelos asseclas de Altair, mas atualmente estão em recuperação no hospital de nossa cidade.
               ― Parece confuso o que aconteceu!... Antonio, além de ser prisioneiro de Altair ainda perdeu a esposa para um amigo...
               ― Na vida, dona Anastácia, ninguém é dono de ninguém. Os Espíritos renascem e formam famílias de acordo com o que é melhor obedecendo às circunstâncias que envolvem cada caso. Maria necessitava renascer para cumprir missão espiritual e não podia esperar por Antonio. Quem sabe, no futuro, voltem a viver juntos. Tudo depende da vontade de Deus que é quem tudo provê.
               ― Para minha sorte, dona Maria, o Artêmio já reencarnou há cinco anos e logo será minha vez de seguir esse caminho. Os mentores permitiram que nos reencontremos e nos casemos novamente. Pedro voltará a ser nosso filho.
               ― Isso não é sorte, dona Anastácia, é conquista. Seu Artêmio e a senhora formam uma boa dupla e podem muito bem servir a Deus e à comunidade. Espero que a senhora continue o trabalho espiritual de ajudar o próximo.
               ― Quero frequentar o Centro desde pequena para manter firme o desejo de ser Espírita e médium e auxiliar os semelhantes. Há muitos anos estou me preparando e agora chegou a hora de colocar em prática o que aprendi. Espero que Deus me ajude nesse intento.
               ― Deus nunca deixa desamparado quem tem boa vontade e se propõe a ajudar o próximo. Sua família auxiliará, em muito, a renovação do planeta.
               ― Espero ser útil, dona Maria, na prática da caridade com Jesus. Quero trabalhar muito na difusão da palavra do Senhor dentro da Doutrina Espírita. Espero ser aceita pelos companheiros de Doutrina e fazer parte da seara do Mestre Jesus.
               ― A senhora é simpática e amorosa e todos que se aproximarem terão, na senhora, um exemplo a ser seguido. Se aparecer em nossa Casa Espírita com certeza será bem recebida.
               ― Obrigada avó Maria, Maria Rosa!... A conversa está boa, mas tenho compromissos em nossa cidade. Certamente dentro de alguns dias voltaremos a nos ver para continuar nosso bate papo.
               Dona Anastácia se despediu e seguiu para sua cidade, deixando em nós a saudade que marca os corações que se querem bem. Notei em seu olhar um quê de tristeza por ter que deixar sua casa em sua cidade para voltar aos liames da carne, mas é imperativo que os bons renasçam para melhorar a qualidade da humanidade.
                                            
Continuar...