CAPÍTULO 44: Na Herdade

Sexta, 21 Setembro 2012 11:03
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CAPÍTULO 44
 
 
 
Na Herdade             

 
                      Adriana e Mateus são levados à
                            Herdade de Luiz Dam para receber
     tratamento espiritual.


 
               A narrativa da avó Maria me levava a meditar sobre as crianças e jovens no mundo espiritual. Acredita-se que a inocência deles possa livrá-los dos problemas e que encontrem paz em regiões de luz, cercados por mentores espirituais.
               Não é bem assim que ocorrem as coisas na espiritualidade, nessa questão. Muitas crianças que desencarnam são Espíritos muito devedores, que cometeram muitos crimes em outras encarnações, e não têm, por isso, condições de subir às cidades espirituais de luz.
               Muitas permanecem jungidas aos familiares, perambulando pelas ruas da cidade onde viveram, arrastadas pelas legiões de Espíritos inferiores para cidades de baixo nível espiritual, escravas de senhores feudais, prisioneiras em aldeias primitivas no umbral.
               Quem nunca foi ao umbral, conscientemente, não consegue imaginar o que acontece nessas regiões de baixo astral. Os Espíritos têm as mesmas características que tinham quando encarnados, têm os mesmos vícios, as mesmas maldades, a mesma violência, o mesmo orgulho, a mesma prepotência e formam falanges cujo objetivo principal é prejudicar os outros.
               Formam verdadeiras quadrilhas de celerados que vagam pela crosta e umbral em busca de Espíritos que possam ser escravizados, seviciados, presos.
               Somente quem anda pelas regiões umbralinas consegue compreender a extensão de nossas palavras transpostas em descrições que procuram expor a realidade que compõe a espiritualidade inferior.
               Muitos pensarão que estamos, meu médium e eu, delirando, quando descrevemos a violência com que os Espíritos inferiores tratam seus desafetos. Para comprovar o que escrevemos é só olhar o que acontece com os obsidiados que frequentemente chegam aos Centros Espíritas para tratamento e relembrar os obsidiados que Jesus curou.
               Os obsessores incorporam e jogam os médiuns no chão, batem contra paredes, ferem com objetos cortantes, deixando-os como loucos. Só quem nunca viu isso não pode aquilatar a extensão de nossas palavras.
               Voltando à conversa pedi à avó Maria que me contasse o que aconteceu com a jovem e o irmão que estavam na choupana.
               ― Maria Rosa!... Eles tremiam de medo, temendo que os bandidos adentrassem a choupana e os capturassem, levando-os às regiões inferiores. Quando viram que os malfeitores haviam sumido, aceitaram nosso convite e se aproximaram para conversar.
               ― Eles tinham plena consciência de que haviam desencarnado e do lugar onde estavam?
               ― Eles sabiam que haviam desencarnado, pois tinham voltado para a casa dos pais e ninguém percebeu sua presença. Ouvindo as conversas dos parentes descobriram que haviam sofrido um acidente que os vitimou. As circunstâncias haviam levado os dois para a choupana, que não era um lugar ruim, mas não sentiam a presença de alguém que os pudesse ajudar.
               ― O que aconteceu depois?
               ― Explicamos rapidamente o que estava acontecendo e os convidamos para seguir conosco até a Herdade que temos perto da crosta. Aceitaram o convite e saímos pela estrada em busca do lugar aprazível onde nosso Luiz Dam é administrador.
               ― Gostaria que a senhora descrevesse o lugar...
               ― A Herdade fica num campo distante dez quilômetros da cidade de Pato Branco. Está na mesma altura que a cidade, mas numa dimensão diferente. Uma estrada luminosa liga a Herdade à cidade e nela só podem andar os Espíritos que têm boa luminosidade ou que sejam convidados pelos trabalhadores do lugar. O lugar tem grandes dimensões e é isolado por cerca de ferro, pois ao lado existem diversas comunidades de Espíritos carentes que ali são atendidas. Nesse posto de socorro temos templos, escolas, oficinas, residências, hospital e muitos colaboradores para atender os que chegam todos os dias em busca de tratamento.
               ― Avó, esse é um lugar magnífico que faz parte de nossos campos de trabalho e onde sinto a paz do Senhor em cada trabalhador ou assistido que ali permanecem. – Dizendo isso estabeleço o amor muito grande que tenho pela Herdade, pois nela os Espíritos sofredores encontram o primeiro atendimento às suas dores.
               ― Realmente, Maria Rosa, a vida na Herdade é algo estimulante para quem deseja melhorar o nível espiritual. Posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que a Herdade é um dos recantos mais graciosos que conheço. Quem tem a honra de ali servir carrega, para sempre, no coração, a lembrança de um pedaço do paraíso que existe entre o Céu e a Terra.
               ― Como foi a recepção aos irmãos?
               ― O Dr. Jorge Luís veio nos receber e conduziu os irmãos para o hospital, onde receberam os primeiros atendimentos e depois, foram descansar na ala de repouso. Por enquanto ficarão na Herdade, onde receberão o tratamento psicológico e espiritual durante algum tempo, até que possam participar de ações que os reconduzirão à vida normal.
 
Continuar...