CAPÍTULO 31: Conflito

Sexta, 21 Setembro 2012 11:17
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CAPÍTULO 31
 
 
 
Conflito                     

 
                                              Os jagunços chegam ao sítio de seu Aldo para
                                       pedir dinheiro pela terra, tentam surrar a
                             família e são enfrentados por Darci.
                                         


               No dia seguinte, às dez horas, o caminhão encostou sob um abacateiro frondoso e desembarcaram sete jagunços armados. Foram de encontro a seu Aldo com a convicção de que receberiam o dinheiro da terra, pois haviam sido avisados pelo pessoal do escritório que as escrituras que Aldo tinha eram ilegais.
               Seu Aldo recebeu-os educadamente e ouviu as ponderações do chefe dos jagunços:
               ― O senhor sabe que as escrituras são ilegais e o que tem que ser feito é pagar as terras para legitimá-las. Nosso escritório vai lhe dar a titulação definitiva quando o pagamento for feito. Pague para não ter incômodos.
               ― O governo vai dar causa de ganho aos colonos e não vou pagar por algo que me pertence – argumentou o seu Aldo com a certeza de que o jagunço entenderia seu ponto de vista.
               ― Se o senhor não pagar vai ter incômodos – asseverou o jagunço.
               ― Hoje mesmo vou passar na Prefeitura para ver como é que está o caso das terras – afirmou o proprietário não demonstrando sinal de que efetuaria o pagamento exigido.
               ― Então vamos ter que lidar com o senhor de maneira diferente – disse o jagunço fazendo sinal para os comandados prenderem seu Aldo. Os jagunços avançaram e manietaram o proprietário, levando-o para o abacateiro onde o amarraram firmemente. Depois entraram na casa e prenderam a esposa e as duas filhas pequenas, trazendo-as para o pátio. Quando o comandado ergueu o chicote para começar a surrá-las, eis que se ouve um tiro e o jagunço que portava o chicote caiu de lado, morto.
               O segundo tiro acertou o chefe do bando que caiu de costas, agonizando. O outro jagunço, vendo o que estava acontecendo com os companheiros, correu para o caminhão, mandou o motorista ligar o veículo e sair rapidamente. Não deu tempo. Um tiro acertou o motorista e ele caiu rolando na terra. Outro tiro e o último jagunço estava morto.
               Darci saiu do esconderijo ao lado de um pé de guabiroba e se encaminhou até o pátio onde jaziam os quatro homens mortos. Seu Pedrinho subiu na boleia do caminhão e ligou o motor. Os homens ficaram impressionados com a versatilidade do homem que sabia fazer de tudo um pouco, pois naquele tempo saber dirigir era algo inusitado.
               Colocaram os corpos na carroceria, limparam o sangue do chão e seu Pedrinho, acompanhado por Antonio e Darci, dirigiu o caminhão até a encosta de um morro, perto de um banhado, onde os jagunços foram enterrados. Depois o caminhão seria levado para longe, no rumo do sul, onde seria abandonado, e seu Pedrinho voltaria na garupa do cavalo de Dirceu que os acompanharia de perto.
 
Continuar...