CAPÍTULO 28: Encontro com os irmãos

Sexta, 21 Setembro 2012 11:20
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CAPÍTULO 28
 
 
 
       Encontro com os irmãos

 
                              Antonio se encontra com os irmãos e
                        prevê dificuldades para enfrentar
     Altair e seus jagunços.
                                         


               Darci e Dirceu estavam dormindo no galpão do depósito de madeiras quando Antonio chegou e bateu levemente à porta. Identificado o visitante, Darci abriu a porta e convidou o amigo a entrar. Em rápidas palavras Antonio expôs o que havia acontecido e pediu para ficar escondido com eles durante alguns dias até que pudesse pensar em o que fazer.
               Antonio ainda estava tremendo, sob o efeito da ação, e sentiu que estava com os dias contados, pois seria perseguido pelos jagunços sem tréguas. Por sorte, tinha muitos amigos em quem podia confiar de olhos fechados, incluindo também os irmãos que desejavam deixar a vida de jagunços.
               Antonio ficou pensando, enquanto se acomodava em um colchão sobre o assoalho de madeira, em quanto teria que lutar para permanecer com vida. Ele aprendera, com dona Anastácia, que a vida é somente uma passagem na Terra e que se deve praticar o bem para alcançar a verdadeira felicidade depois da morte.
               A benzedeira tinha alguma coisa da doutrina de Kardec e sabia lidar com os Espíritos que rodeavam os vivos da Terra. Ele sorria quando ela lhe dizia que os vivos do mundo espiritual gostavam de se comunicar com os vivos do mundo material.
               Antonio era cristão e aprendera os ofícios do Evangelho com o padre João na capela do interior onde morava. Depois da morte da família deixara de acreditar em Jesus, pois não era possível que Ele houvesse permitido que bandidos ceifassem a vida de sua esposa e de seus filhos inocentes.
               Com Anastácia aprendera que Deus permite que os maus permaneçam na Terra para modificar seus caminhos e é necessário que os bons saibam se defender dos maus elementos que grassam pelo mundo. A lei existe para que todos andem dentro de parâmetros de respeito aos direitos de seu próximo. A justiça dos homens, neste sertão, nestes dias, estava sendo tripudiada pelos bandidos que faziam o que bem entendiam. Os jagunços sabiam que não seriam alcançados pela mão da justiça que, neste caso, era realmente cega, pois não tinha olhos para ver as barbaridades que eram cometidas contra os simples.
               Antonio havia redescoberto seu filho Otávio e isso o deixava preocupado, mormente por que Altair queria a todo custo persegui-lo. O que não poderia fazer com seu filho diante da nova situação? Otávio tinha capatazes armados para defendê-lo se Altair chegasse à fazenda procurando encrenca. Na pior das hipóteses Altair se aproximaria de Otávio para atraí-lo e jogá-lo contra o pai verdadeiro.
               Como ficaria seu Medeiros sem a sua presença no armazém? Antonio sabia que não poderia retornar ao trabalho enquanto não se resolvesse a questão com Altair. Por certo o patrão já havia mandado alguém ao seu galpão para saber do ocorrido e do porque da ausência ao trabalho. Seu Medeiros tinha muito apreço por seus empregados e quando alguém se ausentava por doença mandava o socorro imediatamente.
               Antonio continuava em seu devaneio quando ouviu leves pancadas na parede dos fundos do galpão e alguém chamar pelo seu nome. Antonio se aproximou e respondeu ao chamado depois de verificar que se tratava de Pedro, o filho de seu Artêmio. Pedro viera ao seu encontro a mando de sua mãe e trazia água e comida. Ele se esgueirara por uma capoeira ao lado do depósito e caminhara cautelosamente entre as pilhas de madeiras até chegar ao esconderijo sem que pudesse ser percebido.
               Pedro entrou no galpão por uma abertura que fizeram retirando um pedaço de tábua. Entregou os mantimentos e permaneceu no recinto durante vinte minutos, quando então retornou à sua casa para voltar ao serviço.
 
Continuar...