CAPÍTULO 15: Trama

Sexta, 21 Setembro 2012 11:33
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CAPÍTULO 15
 
 
 
               Trama                                     

 
                                        Os colonos tramam matar Otávio para       
                                         vingar as mortes cometidas por Altair.       



               Alguns dias depois seis colonos entram no armazém e pedem por seu Medeiros. Queriam conversar em segredo e a filha Conceição os conduz até o depósito onde o pai estava mexendo em algumas mercadorias estocadas.
               Antonio estava junto com o patrão e os colonos não pediram para que saísse, confiando que fosse do companheiro de lutas. Pediram a Medeiros que os avisassem no dia que filho de Altair chegasse ao armazém, pois queriam matá-lo como vingança pelos crimes cometidos por seu pai.
               Falaram em alto e bom som para que Medeiros não falhasse no comprometimento de ajudar a delatar e assassinar o jovem. Medeiros não concordou com os colonos e disse-lhes que sua venda estava a serviço do povo e não queria distinguir uns dos outros, pois, para ele, todas as pessoas eram apenas fregueses que ele deveria atender com muito cuidado e atenção.
               Os colonos prometeram deixar alguém de tocaia até que o jovem aparecesse e estariam de plantão esperando a ocasião para matá-lo. Seu Medeiros pediu que se retirassem e não viessem ao seu estabelecimento para causar confusão. Ele não queria se envolver em nada que comprometesse sua estabilidade.
               Antonio estava lívido, pois aprendera a ver no jovem o filho que lhe foi tirado do convívio por um assassino frio. Precisava fazer alguma coisa para evitar que o tocaiassem na venda ou na estrada. Afinal, além de pessoa diferente do fazendeiro que o criara, era seu filho e algo deveria ser feito.
               Depois do almoço Antonio pediu licença ao patrão para cuidar de alguns negócios e recebeu o consentimento. Procurou seu Pedrinho e pediu um cavalo emprestado para ir até uma fazenda próxima. O barbeiro estava de folga e pediu para acompanhá-lo na empreitada. Antonio agradeceu e em poucos minutos estavam seguindo pela estrada no rumo norte.
               Quando avistaram a fazenda, Antonio sentiu as pernas tremerem. Não era medo da jagunçada, mas temia encontrar Altair, o que ocasionaria encrencas sem fim. Aproximaram-se da porteira e, para sua sorte, Dirceu estava ao lado de dois companheiros fazendo a guarda.
               ― Boa tarde! – Antonio cumprimentou os jagunços tirando o chapéu em sinal de respeito.
               ― Boa tarde! – responderam os jagunços com as mãos nas armas preparados para qualquer eventualidade.
               ― Preciso conversar com o patrãozinho por alguns minutos – disse-lhes Antonio – É algo urgente e para seu bem.
               ― Tudo bem. Entre que vou chamá-lo – disse-lhe Dirceu, fazendo sinal para os companheiros abrirem a porteira.
            Em alguns minutos Antonio e seu Pedrinho estavam em frente ao alpendre da casa de campo esperando pelo jovem. Quando Otávio apareceu, vindo da porta principal, convidou os cavaleiros a descerem para descansar e dizer ao que vinham.   
               Antonio narrou o ocorrido no armazém pedindo segredo ao mesmo tempo em que o jovem evitasse ir à cidade enquanto as coisas estivessem complicadas. Se precisasse qualquer mantimento poderia mandar alguém pegar, pois isso evitaria confusão com os colonos.
               ― Meu pai está para chegar a qualquer momento para fazermos a escritura de uma fazenda, ao lado, em meu nome. Espero que sejamos bem recebidos na cidade, pois nossos homens estão muito bem armados e preparados para enfrentar qualquer situação – o jovem confidenciou isso com a certeza de que não seriam incomodados pelos colonos.
               ― Seria prudente que chegassem ao cartório sem que fossem percebidos. Isso evitaria aborrecimentos – Antonio aconselhava para que não caíssem em armadilhas na cidade. – Temos que ter bastante cuidado com os inimigos.
            ― Quando meu pai chegar discutiremos o melhor a fazer – comentou o moço. – O senhor não precisa se preocupar que sabemos nos cuidar. Mas agradeço a sua vinda até a fazenda para avisar-me do que se passa na cidade. Estaremos de olhos bem abertos se precisarmos de alguma coisa de lá.   
               Antonio despediu-se do jovem e fez sinal a seu Pedrinho para que o acompanhasse no caminho de volta.
               Quando haviam cavalgado trezentos metros na estrada viram três caminhões chegando à fazenda, vindos dos lados do norte. Por sorte não deram de cara com Altair e Lico, o assassino de sua família.
 
 
                
Continuar...