CAPÍTULO 14: Os jagunços

Sexta, 21 Setembro 2012 11:34
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CAPÍTULO 14
 
 
 
               Os jagunços                            

 
                                   Dois jagunços falam a Antonio que       
                         sabem o seu maior segredo.       



               Vinte dias depois os jagunços retornam ao armazém escoltando o Otávio. Antonio estava concentrado arrumando os arreios na parede e quando se virou deu de cara com o moço. Levou um choque tão grande que ficou branco e nada conseguiu balbuciar.
               ― Gostaria que o senhor me mostrasse algumas esporas e freios – disse-lhe o jovem.
               ― Temos essas no mostruário e vou buscar outras que chegaram na semana passada – Antonio conseguiu falar.– Os freios estão nessa caixa ao lado, o senhor pode escolher o que lhe convier.
               Otávio ficou alguns minutos escolhendo os produtos de sua preferência enquanto os jagunços permaneciam em lugares estratégicos para lhe dar segurança.
               Dois dos guarda-costas se aproximaram de Antonio quando Otávio se dirigiu para o setor dos calçados, onde Conceição o atendeu. Aparentavam vinte e sete anos e estavam com as armas à mostra, na cintura, para que ninguém duvidasse do que poderiam fazer.
               ― Já lhe disseram que o senhor é muito parecido com nosso patrãozinho? – perguntou o que parecia mais extrovertido, de nome Darci.
               ― Penso que é imaginação dos senhores – respondeu Antonio. - Ele é jovem e cheio de vida e eu sou apenas um homem sofrido sem qualquer esperança de futuro.
               ― Os traços são os mesmos e o jeito de falar é parecido. Acredito que o senhor é seu parente. – comentou o outro jagunço, chamado Dirceu.
               - Já vi muita gente parecida, mas que não tinham qualquer sinal de parentesco. – explicou Antonio, com medo de que os jagunços soubessem qualquer coisa do passado de sua vida e o denunciassem ao patrão.
               ― Nós sabemos que o senhor é o pai dele porque vimos a execução de sua família em seu rancho – sussurrou ao ouvido de Antonio o mais extrovertido. – Sabemos disso e o senhor pode nos confirmar o que dizemos.
               ― Vocês estão enganados – asseverou Antonio! – Eu vim de muito longe e não conheço esse moço.
               ― O senhor não está querendo admitir porque tem medo de morrer ou que o denunciemos ao patrão – disse Dirceu. – Fique tranquilo que só desejamos o seu bem. Estamos querendo deixar essa vida de pistoleiros e esse será o primeiro ato para nossa remissão. O que queremos é avisar que o patrão velho deseja transformar Otávio num bandido tal qual ele sempre foi.
               ― Vocês podem se transformar em pessoas pacíficas sem que precisem me amedrontar e se o patrão quer conduzir o moço ao mau caminho isso é problema dele. – comentou Antonio, louco de medo de morrer ali, naquele pedaço de armazém.
               ― Nós voltaremos com notícias sobre o patrão velho e pedimos que o senhor nada conte a quem quer que seja – asseverou Darci. - Essa conversa deve ficar e morrer entre nós.
               Os jagunços se afastaram e começaram a mexer em algumas tralhas de uso no campo, quando viram que o patrão se aproximava. Depois de encontrar o que procuravam, puseram-se novamente em guarda num dos cantos do armazém, controlando o ambiente e alguns fregueses que faziam suas compras.
               Antonio estava lívido, mas voltou a atender Otávio, promovendo uma venda considerável. O moço pagou os produtos e se despediu da moça do caixa com um sorriso. Quando deixou o estabelecimento a jagunçada seguiu atrás, observando tudo e a todos para que não acontecesse alguma tocaia ao patrão.
                
Continuar...