CAPÍTULO 7: O massacre em 1943

Sexta, 21 Setembro 2012 11:41
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CAPÍTULO 7
 
 
 
      O massacre em 1943

 
                                        Os jagunços atacam a família de Antonio
                                    em um massacre cruel em uma região
                       remota próxima ao rio Iguaçu.



             A porta golpeou fortemente no batente e arrebentou a taramela que estava mal posicionada, quebrando-a em duas. O machado bateu novamente, e, com um golpe certeiro, destruiu a porta, deixando apenas uma tábua, que estava presa na dobradiça, presa no batente.
               Com o barulho os moradores do rancho acordaram e levantaram assustados, correndo para os cantos tentando esconder-se.
               Não foi possível livrar-se dos oponentes, pois eram nove os assaltantes e a força era desproporcional para lidar com a família de sertanejos. De nada adiantou esconder-se atrás de armários, debaixo da mesa e das camas. Em minutos os moradores estavam sendo levados para o pátio, onde o jagunço chefe dava as ordens:
               ― Peguem o filho pequeno e levem até o acampamento e enfileirem os outros, de joelhos. Já está amanhecendo e precisamos ser rápidos na ação, pois temos outros compromissos.
               A criança de seis meses foi levada por um dos comparsas que montou em seu cavalo e seguiu pela estrada no sentido sul. O pai, a mãe e as três filhas foram posicionados em fila, no pátio, esperando as ordens do chefe.
             ― Vocês sabem que as terras agora são propriedade do senhor Altair. Vocês tiveram aviso e não saíram daqui enquanto era tempo. Antonio, além de não obedecer as ordens você foi até a fazenda e atirou contra o irmão de seu Altair. Vocês vão morrer por isso e nada no mundo vai nos impedir de derrubar os pinheiros deste vale e tomar posse dos campos limítrofes.  
               O jagunço tirou o revólver da cintura e atirou no peito da filha mais nova que caiu morta. Os familiares se desesperaram e gritaram por clemência, mas o chefe continuou a atirar, matando as outras meninas. Quando faltava matar os pais, abriu o tambor da arma, despejou os cartuchos vazios e recarregou calmamente. Depois apontou para o peito da mulher e atirou. O pai estava desesperado com o assassinato da família e pedia misericórdia a Deus pela família morta.
               O chefe chegou perto do pai e apontou a arma para seu peito. O homem fechou os olhos e chorou, desesperado, por ver sua família ser morta e por também estar condenado.
               O bandido demorou alguns minutos apreciando a agonia do homem. Desengatilhou o revólver e mandou o homem abrir os olhos.
               ― Seu filho será criado para odiá-lo, pois o ensinaremos que você matou sua família. Ele será criado à nossa maneira e aprenderá a tomar as terras dos outros para ser poderoso. Você será libertado para vagar pelo mundo, como louco, para acabar seus dias carregando consigo a lembrança da morte de seus familiares. Esse será o seu castigo na vida e somente a loucura haverá de ser seu consolo.
               O jagunço puxou o punhal, perfurou a mão de Antonio e depois mandou um capanga levá-lo para bem longe dali, para outra região, onde pudesse recordar esse dia para o resto da vida.
 
Continuar...