CAPÍTULO 1: Em nossa casa

Sexta, 21 Setembro 2012 11:48
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CAPÍTULO 1
 
 
 
Em nossa casa     

 
                                Maria Rosa está em casa com a avó
                                Maria quando chegam Luisinho e os
                                irmãos para passear na praça.       



              Nossa casa no mundo espiritual é aconchegante e muito bonita. Simples como todas as casas de nossa cidade, não como abrigo necessário, mas como lugar de parada para nós, Espíritos ainda necessitados de muito aprendizado e trabalho para alcançar novos horizontes na espiritualidade. Está situada em um promontório nas proximidades da cidade e é nosso refúgio para as horas de folga e de uma boa conversa.
              Quando digo nossa casa estou me referindo a casa onde moro com a avó Maria e seus netos espirituais Luisinho, Julia e Lucas. A casa pertence à avó Maria, pois desde o tempo em que estava encarnada já era utilizada por ela. Eu moro com a avó Maria, pois encontrei nela o Espírito amoroso que muito me ajudou nesta nova fase da vida espiritual. A sua cidade é nossa cidade e a sua casa é a nossa casa.
              Muitos não conseguirão compreender como é que os Espíritos necessitam de casa, de vestimentas ou de alimentação, mas posso redarguir que os que ainda se encontram nas proximidades da Terra carregam necessariamente consigo os costumes que tinham enquanto encarnados.
            No julgamento de Joana D’Arc os inquisidores perguntaram se os anjos que ela via se apresentavam desnudos ao que ela respondeu:
               ― Acaso pensam que Deus não tem com que vesti-los?
              As pessoas que morreram no vício, continuam, como Espíritos, a consumir os tóxicos junto aos viciados da Terra. Os que desencarnaram sentindo ódio por seus inimigos continuarão a destilar esse veneno depois da morte, causando os complexos casos de obsessão. Os que deixaram o corpo, situados na esfera do vício da comida, do sexo, do orgulho, da vaidade, da avareza, e outros mais, continuarão a ter o seu mundo girando em torno dessas leviandades.
               Nos Postos de Socorro e nas cidades espirituais próximos a Terra os Espíritos são muito materializados e têm necessidades de suprir seus desejos com alimentação e vestuário. Depois que se libertam e mudam para cidades espirituais mais elevadas essas necessidades desaparecem e então adquirem a possibilidade de viver livres desses desejos inerentes ao corpo humano e ao corpo perispiritual mais denso.
               Na manhã brilhante, anunciadora de um dia maravilhoso, pleno de luz, estava sentada no alpendre de nossa morada observando os Espíritos que se locomoviam em direção à cidade para o cumprimento de suas obrigações com o trabalho, quando alguém se aproximou e tocou meus ombros levemente. Virei para ver quem era e vi um sorriso angelical no rosto de um menino.
              ― Bom dia senhora Maria Rosa – disse-me Luisinho, o menino de sete anos, abraçando-me fortemente.
              ― Bom dia meu querido. Que bom ver o senhor tão cedo em nossa varanda.
            ― Você sabe que hoje temos um compromisso na praça e não podemos perder – disse-me o pequeno com um brilho no olhar.
               ― Sei que vocês têm compromisso e espero que estejam prontos na hora certa.
               ― Julia e Lucas já estão chegando com a avó Maria e a Mari está vindo pela estrada.
              Realmente, a jovem estava entrando no jardim florido, quando o menino a mencionou. Mari parou por alguns instantes, cheirou uma rosa “Príncipe Negro” e tocou levemente em suas pétalas aveludadas. De onde estava olhou para mim e comentou:
               ― Essa rosa é simplesmente fantástica. Tem a beleza, a textura e o perfume que inebria quem dela se aproxima.
             ― Essa rosa é linda e temos a ventura de apreciá-las todos os dias, pois estão sempre abertas ao nosso olhar – anotei com nossa amiga concordando que a “Príncipe Negro” é uma flor fora de série – de tanta beleza chamam a flor de príncipe.
               Mari aproximou-se e notei que estava radiante de felicidade por ser esta uma de suas características. Mari é uma jovem de vinte e três anos, morena, de boca e olhos salientes e muito bonita.
               É amiga da avó Maria desde os tempos que se conheceram na Terra e a amizade continua mais forte ainda, depois que cruzaram as portas da morte. Mari esteve com seus pais nesta noite e chegou para nos acompanhar ao evento na praça.
            ― Bom dia crianças – disse-nos a avó Maria com seu jeito simples e amoroso – Como estão nesta manhã?
               ― Bom dia! – respondemos em uníssono – Estamos bem e a senhora, como vai?
           ― Tudo bem – respondeu a avó - Quem gostaria de nos acompanhar em um passeio pela praça? – Perguntou já sabendo a resposta.
               ― Eu! – Novamente a resposta foi em uníssono enquanto nos olhávamos e sorríamos felizes por nos encontrarmos em um lugar maravilhoso, com gente admirável.
             ― Temos tempo – disse-nos a avó Maria - então vamos caminhando até a praça para conversar e admirar a beleza que nos cerca.
               Julia de seis anos e Lucas de cinco, são irmãos de Luisinho e moram conosco. São as criaturas mais amáveis que conheço pela luz que irradiam de seus corações infantis. Descemos os degraus da escada, entramos no jardim, conversamos sobre a beleza das flores na espiritualidade e nos dirigimos à estrada que conduz até a alameda onde começa o casario.
 
Continuar...