Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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Cavalgada no céu

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(...) Começamos a vislumbrar, de novo, a luz do sol, como se estivéssemos em madrugada clara. (...) A certa distancia, surgia a Terra, não na forma esférica, porque nos achávamos não longe da Crosta, mas como paisagem além, a interpenetrar-se nas extensas regiões espirituais. (...)Entramos na zona de influenciação, direta da Crosta. Poderemos, doravante, praticar a volitação. (Os Mensageiros André Luiz pág. 176 - Feb)
André Luiz conta que entre a Crosta terrestre e as cidades espirituais como Nosso Lar, existem zonas purgatoriais que são chamadas de umbral. Viajando de Nosso Lar para o Rio de Janeiro por essas zonas nevoentas, quando atingem uma certa proximidade com o planeta notam que a paisagem se modifica tornando-se o ambiente claro e visivel, tal como nós observamos um dia claro. Nesse ambiente proximo da Terra é que esta estabelecida a colonia de que nos fala Maria Rosa neste episódio.
 
  

Para quem observa de longe, ao anoitecer, parece apenas um ponto de luz encravado nas longínquas regiões da espiritualidade maior, pairando na região sudoeste do estado do Paraná, mais precisamente perto da cidade de Pato Branco. Para quem conhece a região espiritual sabe que ali se desenha um forte de cavalariças onde permanecem acomodados centenas de espíritos oriundos da região do Contestado e do próprio sudoeste e que se encontram em trabalho junto às entidades espirituais que prestam serviço ao comando do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes.

 

 

Esta cidadela está situada há mais de 2.000 metros de altura da crosta terrestre e permanece como um posto de socorro para todos aqueles que desejam modificar seu pensamento e começar a andar com Jesus Cristo. Desde o momento em que ocorre essa modificação no coração, o espírito já se acha apto a adentrar esta cidade onde pode se recuperar de longos anos de sofrimento ou perseguição que possa ter sofrido.

Encontra-se incrustada numa planície imensa, verdejante, com florestas e montanhas ao fundo. Este local está protegido do ataque das forças inferiores, pois está circundado por uma cerca de cinco metros de altura, luminosa, que não deixa que os inimigos do bem se aproximem.

A estrada que conduz ao plano terrestre é de terra, de chão batido e inicia da entrada do lugarejo onde existe um portão com mais de 6 metros de largura, que protege a entrada. Ao lado externo da cerca existe um campo gramado e numa distância de 300 metros começam as florestas que se erguem até as montanhas ao longe.

O casario fica ao fundo do forte e é composto de mais de setecentas casas no estilo colonial, lembrando as antigas habitações da região. Galpões imensos protegem os cavalos das tempestades que ocorrem no lugar, porque a cidadela está muito próxima da cidade terrena e as intempéries que incidem no âmbito terrestre se refletem no ambiente espiritual. O mesmo sol, a chuva, o frio e o calor que se sentem na terra os espíritos experimentam nessa região, porque os que ali habitam ainda são trabalhadores em evolução e tem o corpo perispiritual denso, algo humanizado.

Um pátio imenso logo na entrada do forte é o local de treinamento e apresentação dos cavalarianos quando da saída para o cumprimento de missões especializadas na região terrestre.

Um hospital ao lado da grande praça está erguido como um monumento à bondade divina. No lado externo é construído em madeira, porém internamente é de alvenaria, muito cuidado e asseado para bem atender aos doentes.

Um templo espiritual está encravado a trezentos metros das construções habitacionais, no centro da grande praça arborizada, construído no estilo colonial. É o local onde todos os habitantes se reúnem para fazer as orações ao alvorecer e ao entardecer.

Quando a noite se acalma e se enche de sombras, esperamos os amigos que chegam das regiões da terra, para enfrentarmos as dificuldades de uma nova missão na espiritualidade. Aprontamos em fila os cavalos, que já estão arreados, arrumamos as ferramentas de trabalho e nos colocamos à disposição do Senhor do Mundo para realizarmos mais um oficio relativo ao resgate de espíritos sofredores que estão na espiritualidade inferior.

O casario envelhecido pelo tempo dá um aspecto de nobreza e de recordação dos velhos rincões terrenos, onde passamos a maior parte de nossas vidas. Recordamos nossos afazeres quando de nossas aventuras na região do Contestado, lembrando que também fomos partidários das tarefas comuns aos cavaleiros terrestres.

Nada mal que observemos os cavalarianos que se apresentam para a jornada desta noite. São mais de cem companheiros que deixam suas residências e comparecem no pátio imenso onde estão às ordens de nosso comando. Já estão com seus cavalos prontos para a cavalgada noturna.

Quando olho o sertanejo apeado, segurando seu cavalo nas rédeas bem próximo ao buçal, repassando a mão em suas crinas, relembro os meus tempos de comandante das forças defensoras das terras que nos foram usurpadas pelo poder do governo central. Nossa luta foi inglória e estava fadada ao fracasso, pois quanto mais se necessitasse de soldados mais homens o governo poderia mandar para nos combater. Era a luta de um pigmeu contra um gigante bem armado.

Nada contra os adversários daquela época, mas andando pelo mundo, tenho visto que só mudou o ano do calendário, não mudou em nada a maneira como os déspotas do mundo usurpam os miseráveis, condenando-os à morte por inanição. Sugam o sangue dos desgraçados até a última gota, despojando-os de seus haveres, condenando-os à morte irremediável. Mas isso é algo que provém da maldade que ainda impera na sociedade, porque os homens ainda não estão conscientes de que todos são irmãos e que devem andar de braços dados para vencer as dificuldades e crescer juntos, rumo à luz de Deus.

Mas que fazer se o nosso planeta ainda está, na classificação dos mundos, nas esferas psíquicas de “mundo de provas e expiação?”. Mas não convém desanimar porque o leme é de Nosso senhor Jesus Cristo e Ele não deixará que o barco fique à deriva e se destroce contra os rochedos.

Logo, logo, as coisas estarão mudadas e um novo tempo cobrirá a Terra de luz e de esperança.

Enquanto isso temos que trabalhar para ajudar a fazer com que essa transformação se concretize.

Esse é o grande trabalho de nossa comunidade.

Estamos organizados para recolher espíritos que sofrem no umbral, tratá-los e conduzi-los posteriormente às cidades espirituais para que recebam educação e estudo e se programe uma nova encarnação para resgatar seus débitos e cumprir uma missão no trabalho com Jesus.

Perto das onze horas, sob o céu estrelado, os cavalarianos já estavam prontos para cumprir a missão programada.

Só esperavam os médiuns que estavam por vir para juntos andarem pelo mundo. Os cavalos estavam impacientes, pressentindo o esforço a que seriam incitados. Eram das mais diferentes raças e pelagens. Havia alguns negros que reluziam ao luar, tostados, tordilhos, brancos como a neve, e das mais variadas raças, indo desde o cavalo crioulo, o appallosa, o quarto de milha, o manga larga entre outros. E os arreios, então, um mais lindo que o outro; de todos os tipos, cores e enfeites.

Meu cavalo nesta noite era negro, de crinas longas e arreios prateados. Bufava e abria cancha impaciente com a demora. Mas não podíamos sair sem os companheiros encarnados.

Logo chegaram os amigos que são médiuns e que gostam de cavalgar conosco. Meu médium chegou junto com a avó Maria. Éramos então três irmãos de fé num só abraço de amor.

Muitos médiuns que trabalham na Casa Espírita estavam presentes, prontos para a cavalgada. Vestidos como cavaleiros de combate, empunhavam espadas para a defesa contra as hostes do mal. Tinham confiança absoluta em nossas forças porque já de há muito estão conosco nessas empreitadas. Meu médium e eu, além das espadas embainhadas, carregávamos fuzis.

Já se aproximava a meia noite quando fizemos uma oração sentida a Jesus e nos despedimos da avó Maria, que ficou no alpendre da Casa de Orações, nos observando.

Com meu médium à frente seguimos portão a fora, cavalgando pela estrada coberta de luar. Eram mais de cem cavaleiros rumando pela estrada para encontrar o seu destino.

Era bonito de se ver o cortejo a trote como se fosse uma brigada de confiança do Senhor seguindo com o vento batendo na cara, chacoalhando a cabeleira, sacolejando os ombros, sentindo as delicias de cavalgar numa noite calma e fresca, num afã de seguir em frente e cumprir o prometido.

Impávidos, seguimos a trote dando costas ao acampamento permanente de nossa gente, cavalgando, intrépidos, estrada afora, num ritmo cadenciado de desprezo ao conforto e à galhardia.

Rumamos pela estrada banhada de luar e só se via os rostos felizes dos companheiros que podiam cavalgar novamente como cavaleiros assoberbados de fé e de esperança em Deus para libertar os sofredores das garras do desespero.

Dentro de poucos minutos a estrada limpa desaparecia e adentramos um campo imenso onde as forças negativas imperavam. Fustigamos os cavalos incitando-os à frente até chegarmos num carreiro estreito onde passavam no máximo dois animais lado a lado.

Em silêncio penetramos a região que se apresentava com nevoeiro. Apuramos os olhares para examinar bem o local e seguimos em frente. Podíamos ouvir gritos de desespero vindos de diversos locais e identificamos como sendo de espíritos sofredores.

Seguimos pela estrada tortuosa até que o caminho desembocou num vale muito grande onde podíamos ver formas humanas vagando ao léu. O chão era mesclado por lama de quatro centímetros de espessura e grama alta em alguns lugares, formando ilhas no lamaçal. O ar estava gelado e fétido. Sentíamos o nariz se abrir para buscar o ar mais rarefeito e puro, mas isso era impossível.

À luz do luar podíamos ver milhares de espíritos vagando a esmo sem saber aonde ir. Muitos choravam e gritavam impropérios como loucos sem rumo.

Havia muitos guardiões que cuidavam para que não fugissem do local. Estavam com chicotes nas mãos e não titubeavam em fazer uso do látego para corrigir os passos dos aprisionados.

Eles se debatiam na lama, sofrendo os achaques e impropérios dos seus algozes.

Esses sofredores não podiam fugir do local porque as extremidades do vale eram formadas por aclives íngremes e havia apenas dois locais que permitiam o acesso: aquele por onde adentramos o vale e outro na extremidade oposta que levava a regiões ainda mais inóspitas.

Quando adentramos o vale, desembainhamos as espadas e seguimos em frente prontos para enfrentar qualquer desafio. Os guardiões se reuniram para nos enfrentar, mas como estavam em menor número puseram-se em fuga alucinada.

Aproveitamos o ensejo e começamos a recolher os espíritos que já podiam montar em nossos cavalos e sair dali. Cada um dos companheiros ergueu um desses espíritos e o colocou na garupa do cavalo. Duas dezenas de companheiros ficaram de prontidão caso necessitassem lutar contra os guardiões. Estavam à nossa volta, prontos para o combate.

Meu médium e eu dávamos as ordens de recolhimento dos espíritos, pois que podíamos ver aqueles que já estavam em condições de afastar-se daquele vale.

Ouvíamos gritos de dor e os gemidos sem fim dos espíritos em desespero. Os que eram recolhidos agradeciam a Deus a oportunidade de sair daquele lugar horrível. Agarravam-se aos cavaleiros iguais carrapatos para não ter perigo de cair do cavalo e permanecer no local.

A confusão era grande, mas o serviço foi feito com presteza e logo estávamos reunidos no centro do vale, preparando a volta para casa.

Quando estávamos de saída ouvimos gritos dos guardiões que voltavam com dezenas de cúmplices para impedir a nossa retirada. Estavam armados com espadas e lanças. A nosso comando reunimos os cavaleiros que formavam o bloco protetor e fomos espada em punho, arremessar contra os inimigos da luz.

Ninguém resiste a uma carga de cavaleiros indomáveis quando se dispõem a lutar pelo bem. A correria foi grande porque estávamos em formação de batalha e meu médium e eu à frente, no ataque.

Aquilo foi uma debandada de espíritos inferiores para todo lado. Fizemos a incursão diversas vezes apresentando armas e arremetendo com velocidade gritando a plenos pulmões para afugentá-los. Sentíamos o espírito guerreiro que remoçava nossa alma e nos impelia a combater com precisão e denodo.

Espada em punho, curvados sobre o cavalo, éramos os perfeitos guerreiros audazes de outros tempos, que revivíamos, com o coração exultante de felicidade, nesse momento.

A sensação de lutar pelo bem e arrebanhar irmãos menores das mãos do mal era um bálsamo a reconfortar nosso coração naquele momento mágico.

Não éramos mais os combatentes ávidos de sangue de outros tempos e sim os guerreiros movidos pela paixão de servir a Deus.

Nosso ímpeto nos movia para frente, sem medo algum, pois tínhamos em mente cumprir integralmente a nossa missão e resgatar os espíritos sofredores daquela região desolada e triste.

Não foi preciso terçar armas porque os inimigos do bem fugiram ravina acima, no outro extremo e se esconderam no mato logo adiante. A formação de batalha havia surtido o efeito desejado.

Retornamos ao centro do vale onde os nossos companheiros nos esperavam ansiosos para a volta ao nosso posto de socorro.

Setenta e três espíritos foram resgatados nessa noite. Ao retornar formamos um bloco onde os companheiros que levavam na garupa um socorrido, ficavam no meio da coluna e os guerreiros protetores cavalgavam ao lado. Em questão de uma hora de marcha já estávamos de volta à cidadela.

Fomos recebidos pela avó Maria e muitos outros amigos que se prontificaram a socorrer os recém chegados. O hospital estava de portas abertas para receber os doentes que foram transferidos em macas para uma ala destinada aos primeiros socorros. Médicos e enfermeiros se dispunham a atender com presteza os espíritos sofredores.

Nossa missão estava cumprida. No grande pátio, juntos aos companheiros, fizemos uma prece de agradecimento a Jesus pela oportunidade de servir. Todos foram dispensados e puderam voltar para suas casas, depois de soltar os cavalos num pasto verdejante.

Sentamos com alguns amigos no alpendre da Casa de Oração para trocar impressões sobre o trabalho realizado onde os objetivos foram alcançados.

A avó Maria não cabia em si de contente por ver que seus filhos e companheiros de jornada haviam conseguido realizar mais uma operação de resgate com êxito total.

Seguimos então com a avó Maria e meu médium para Nosso Lar.

 

Maria Rosa / Luiz Marini, 26-03-09

 

Luiz Marini - Livros

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Para refletir

"Não se zangue por não poder tornar os outros como você desejaria que fossem, pois você não se pode tornar (completamente) o que gostaria de ser." (Tomas Kempis)