Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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Jesus e Judas - Crime e Remissão - Parte I

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Índice

Primeira Parte Judas segundo o Evangelho

01 – Introdução

    02 -  A eleição dos doze.

    03 – O preço da traição

   04 – O pacto da traição

   05 – Jesus é preso

    06 – Suicídio – Compra do campo do oleiro

    07 – Maria unge com ungüento os pés de Jesus

    08 – A santa ceia

    09 – Matias é escolhido no lugar de Juda

    10 – Comentário

Segunda Parte – Judas segundo os Espíritos

    01 – Introdução

    02 – Chico Xavier explica Judas Iscariotes

    03 – Humberto de Campos e a entrevista com Judas Iscariotes

    04 – Joana D´Arc

    05 - Irmão X -  Nas palavras do caminho

    06 – Maria Dolores e o Retrato de Mãe

    07 – Humberto de Campos e a ilusão do discípulo

    08 – Conclusão

 

Primeira Parte – Judas segundo os evangelhos

01 – Introdução

O nome “Judas” carrega o estigma de ser maldito. Toda vez que é lembrado traz a recordação de um homem que traiu o seu Melhor Amigo, dando-lhe um beijo, condenando-o à morte.

Judas representa o confidente que se fez infiel e que traiu a confiança do Maior Amigo que se pode ter.
Mas será que Judas Iscariotes estava consciente quando praticou o ato que é condenado pela humanidade e já perduram 2.000 anos?

O que os evangelistas escreveram condiz com a realidade do que aconteceu?

Ele cometeu o ato insano por conta própria ou estava a mando de alguém?

Suicidou-se mesmo ou colocou alguma pessoa em seu lugar, fugiu e mandou alguém contar que havia cometido mais esse delito?

Jesus era tão desconhecido assim dos homens do Sinédrio que alguém teve que beijar a Sua face para mostrar quem era o Nazareno?

O Sinédrio não estava atrás de alguém para servir de bode expiatório, que pudesse ser entregue aos romanos como um revolucionário?

Será que os romanos sabiam de alguma revolta que estava sendo armada e os dirigentes israelitas não precisavam de alguém para morrer e então poderem dizer que aquele que pretendia fazer uma revolta já estava morto?

A morte de Jesus foi uma farsa como pretenderam dizer alguns escritores que contaram suas fantasias em livros a fim de amealhar dólares à sua fortuna?

Jesus fez de conta que morreu e três dias depois fugiu com Maria Madalena a quem amava loucamente?

Tudo o que foi escrito nos evangelhos foi a maior farsa que o mundo já conheceu?

E nós, em pleno século XXI, temos total conhecimento do que ocorreu naquela época?

Temos provas de que aquilo que os evangelistas falaram sobre Jesus realmente aconteceu?

Em nossos dias conturbados conseguimos vivenciar os ensinamentos que Jesus deixou?

Vamos fazer um estudo do caso para tentar responder essas questões e outras mais que mexem com nossas cabeças.

 

02 – A eleição dos doze

E subiu ao monte, e chamou para si os que ele quis. E vieram a ele. E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar. E para que tivessem o poder de curar as enfermidades e expulsar os demônios; Simão, Tiago e João filhos de Zebedeu, André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão e Judas Iscariotes, o que o entregou. (Marcos 3:13-19)

 

03 – O preço da traição

E Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principais dos sacerdotes para lho entregar.
E eles, ouvindo-o folgaram, e prometeram dar-lhe dinheiro. E buscava como o entregaria em ocasião oportuna
. (Marcos 14: 10-11)

 

04 – O pacto da traição

Estava, pois perto a festa dos asmos, chamada a páscoa. E os principais dos sacerdotes, e os escribas andavam procurando como o matariam; porque temiam o povo. Entrou, porém Satanás em Judas que tinha por sobrenome Iscariotes, o que era do número dos doze. E foi, e falou com os principais dos sacerdotes, e com os capitães, de como lho entregaria.

Os quais se alegraram, e convieram em lhe dar dinheiro.

E ele concordou, e buscava oportunidade para lho entregar sem alvoroço. (Lucas 22:1-6)

 

05 – Jesus é preso

Estando ele ainda a falar, eis que chegou Judas, um dos doze, e com ele grande multidão com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. E o que o traía tinha-lhes dado um sinal, dizendo: o que eu beijar é esse; Prendei-o.

E logo, aproximando-se de Jesus, disse: eu te saúdo Rabi. E beijou-o.

Jesus porém, lhe disse: amigo, a que vieste? Então, aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus, e o prenderam. (Mateus 26: 47-50)

 

06 - Suicídio – compra do campo do oleiro

Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos.

Dizendo: pequei, traindo o sangue inocente. Eles, porem, disseram: que nos importa? Isso é contigo.

E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar.

E os príncipes dos sacerdotes, tomando as moedas de prata, disseram: não é licito mete-las no cofre das ofertas, porque são preço de sangue.

E, tendo deliberado em conselho, compraram com elas o campo dum oleiro, para sepultura dos estrangeiros.

Por isso foi chamado aquele campo, até ao dia de hoje, campo de sangue.

Então se realizou o que vaticinara o profeta Jeremias: tomaram as trinta moedas de prata, preço do que foi avaliado, que certos filhos de israel avaliaram.

E deram-nas pelo campo do oleiro, segundo o que o Senhor determinou. (Mateus 27: 3-10)

 

07 – Maria unge com ungüento os pés de Jesus

Então um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, o que havia de traí-lo disse:

Por que não se vendeu este ungüento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres?
Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão, e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava.

Disse, pois Jesus: deixai-a; para o dia da minha sepultura guardou isto. (Marcos 14:3-11)

 

08 – A santa ceia

E chegada à tarde, assentou-se à mesa, com os doze.

E, comendo eles, disse: em verdade vos digo que um de vós me há de trair.

E eles, entristecendo-se muito, começaram cada um a dizer-lhe: porventura sou eu, Senhor?

E ele, respondendo, disse: o que mete comigo a mão no prato, esse me há de trair.

Em verdade o Filho do homem vai, como acerca dele está escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do homem é traído! Bom seria para esse homem se não houvera nascido.

E, respondendo Judas, o que o traia, disse: porventura sou eu, Rabi? Ele disse: tu o disseste. (Mateus 26:21-25)

 

09 – Matias é escolhido no lugar de Judas.

E naqueles dias, levantando-se Pedro no meio dos discípulos, disse:

Varões irmãos convinham que se cumprisse a escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam a Jesus.

Porque foi contado conosco e alcançou sorte neste ministério.

Ora este adquiriu um campo com o galardão da iniqüidade. E, precipitando-se, rebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram.

E foi notório a todos os que habitam em Jerusalém, de maneira que na sua própria língua esse campo se chama Acéldama, isto é, campo de sangue. (Atos 1: 15-19)

 

10 – Comentário

 Quando Jesus chamou, entremeio à multidão que O ouvia, doze pessoas para que seguissem dali em diante os Seus passos e fossem os Seus discípulos, deu-lhes o poder de curarem enfermos e expulsar os maus espíritos. Judas Iscariotes estava entre os nomeados.

Se Judas fosse uma pessoa de má índole, com certeza Jesus não o chamaria para compor o Seu apostolado e não lhe daria o poder de curar e de dominar os maus espíritos. Marcos coloca o seu nome por último como se fosse abjeto e diz que foi ele quem entregou Jesus.

Marcos era criança quando Jesus e Judas desencarnaram, pois quando Paulo e Barnabé começaram os trabalhos de evangelização dos gentios, alguns anos depois, Marcos foi junto na primeira viagem e era apenas um adolescente.

Na segunda viagem Paulo não o quis junto porque havia incomodado nos primeiros trabalhos. Marcos era sobrinho de Barnabé e filho de Maria de Cleofas. Esse problema ocorrido com Marcos fez com que Barnabé e Paulo se separassem nas viagens.

Sendo criança, Marcos deve ter visto Jesus e Judas, se os viu, com olhos de criança, sem que pudesse fazer juízo correto sobre Judas Iscariotes. Com certeza descreveu a historia de Judas conforme ouviu dos apóstolos e outras pessoas.

O preço da traição. Dizem os estudiosos que Jesus foi vendido pelo preço de um escravo. Pouco dinheiro para um homem muito procurado pelos príncipes do Sinédrio que O queriam morto a qualquer custo.

Talvez o preço estipulado tenha sido simbólico, apenas para dizer que o Cristo havia sido vendido. O evangelho diz que Judas reuniu-se com os doutores da Lei para entregar Jesus.

E a pergunta fica no ar: Judas não pretendia fazer um acerto com os homens do Sinédrio, um pacto político para afastar por algum tempo Jesus, para dar uma trégua às perseguições que Ele sofria?

Nesse pacto Judas assumiria o comando do grupo de Jesus, não mais para fazer oposição à Lei de Moisés, e sim, reestruturar a Doutrina como sendo um de seus segmentos.

Como é que vamos saber o que aconteceu naquela conversa, entre as muitas paredes do Templo?

Um diálogo secreto reuniu Judas Iscariotes e políticos sarcásticos e bajuladores como eram os doutores da Lei que tinham como objetivo eliminar Aquele que ousava desafiar os costumes do povo israelita e ensinar uma nova doutrina.

Como aquela conversa está gravada no éter, um dia algum espírito de luz poderá obter permissão de Deus e repetir integralmente o que aconteceu. Só então saberemos o seu teor na totalidade. Enquanto isso...

Judas levou os soldados e grande número de pessoas para que prendessem Jesus. Beijou o Mestre para mostrar quem era Aquele que deveriam prender.

Tudo bem que isso aconteceu à noite, mas será que Jesus era desconhecido a tal ponto de ter que ser apontado por um de seus discípulos?

Jesus aos 12 anos esteve em Jerusalém com seus pais. Quando José e Maria saíram da cidade, viram que o menino não estava com eles. Então voltaram e O encontraram debatendo as escrituras com os doutores da Lei.

Jesus voltou muitas vezes a Jerusalém. Mas o Mestre não gostava de pernoitar na cidade santa, que na verdade era povoada de homens sinistros e que queriam a Sua queda, e por isso descansava na casa dos amigos Lázaro, Marta e Maria, em Betânia.

Um profeta que cura leprosos, cegos, coxos, doentes de todos os tipos, ressuscita os mortos, dentre outros prodígios, e que anda com 12 apóstolos, mais inúmeras mulheres, e grande multidão que sempre O seguia, não podia passar despercebido na cidade de Jerusalém.

Por certo, para saber que era o Cristo, não necessitaria de um delator que o beijasse na face para que O conhecessem.

Talvez tudo tenha sido um ato de uma peça teatral montada pelo Sinédrio para mostrar ao povo que um dos Seus discípulos O havia traído, pois que era homem perigoso e deveria ser eliminado.

Quando Judas viu que Jesus foi condenado à morte, voltou ao Sinédrio e foi tratado de maneira sarcástica, pois que o teor da conversa havia sido diferente.

Então compreendeu que ele também havia sido traído pelas serpentes do Templo.

Se Judas desejasse a morte de Jesus, no momento em que Ele foi condenado, o discípulo estaria feliz e não voltaria ao Templo para cobrar dos príncipes da Lei o porquê da reviravolta no caso.

Essa é uma idéia que expomos. Judas sentiu-se traído e foi cobrar explicações, dizendo que havia traído sangue inocente. Os príncipes dos sacerdotes lhe disseram: -“Que nos importa? Isso é contigo”.

É assombroso o descaso com que trataram o aliado de poucas horas. Isso prova o quanto àqueles políticos eram desleais.

Judas, ralado de remorsos, joga as moedas, símbolo da traição, no Templo, e vaga pela cidade até encontrar uma figueira sinistra onde comete mais um crime: o suicídio.

Os príncipes dos sacerdotes com as moedas, símbolo de sangue inocente, compraram o campo de um oleiro, para construir nele um cemitério para estrangeiros, cumprindo-se o que diz a escritura.

Os evangelistas comentam que Judas era quem cuidava do dinheiro para as despesas que o grupo tinha.

Toda pessoa que não mexe com dinheiro gostaria de ter o prazer de contar as notas e senti-las no bolso. Se Judas era o tesoureiro do grupo, por certo tinha que fazer as contas e conseguir dinheiro para fazer frente aos gastos.

Existe diferença entre cuidar de dinheiro e roubar o dinheiro como dizem que Judas fazia. Mas vamos pensar um pouco.

Se ele roubava o dinheiro para si, era para comprar o que? Ele comia, bebia e dormia junto com os companheiros e não podia comprar algo em separado para ele, pois todos iriam notar se ele estivesse usando um anel novo, ou uma túnica nova, ou sandálias de couro importado.

E não havia banco naquele tempo para aplicar o dinheiro numa continha fantasma num paraíso fiscal.

Lucas comenta que em Judas entrou satanás, o que fez com que traísse Jesus.

Nós sabemos que os espíritos inferiores e inimigos da luz, fazem de tudo para provocar escândalos, problemas, dissensões. Isso deve ter ocorrido com Judas, que acabou sendo o pilar apodrecido que provocou a derrocada de sua casa.

Com certeza ele não imaginou que Jesus seria condenado à morte. Quando soube que o Mestre seria crucificado, voltou ao Templo e cobrou uma atitude dos príncipes dos sacerdotes, que o desprezaram.

Jesus sabia de tudo quanto aconteceria consigo, pois já havia previsto a Sua morte e ressurreição.

O Mestre havia falado abertamente aos discípulos sobre isso. Jesus conhecia toda a trama armada contra Ele, pois sendo Senhor e dirigente de nossa galáxia, isso não Lhe passaria despercebido.

A Sua paixão já havia sido prevista pelos profetas da raça mil anos antes. Teria que ocorrer senão as escrituras não teriam validade.

Se Jesus tivesse vivido até os 80 anos, se estivesse aposentado, recebendo uma gorda soma da previdência, vivendo numa chácara, e tivesse desencarnado de morte natural, não teria tido o efeito que teve ao morrer crucificado, aos 33 anos, pleno de vida, de maneira inocente.

Todos os que conhecem o Seu evangelho se insurgem com o que ocorreu, enchem o coração com os Seus ensinos e se tornam gigantes na disseminação da Boa Nova pela Terra.

Parte II>>

 

Luiz Marini - Livros

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Para refletir

"Sábio é o homem que chega a ter consciência de sua ignorância." (Barão de Itararé)