Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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Almas afins - Áquila e Prisca - Parte III

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12 - Fuga de Jerusalém

Áquila e Prisca estavam estarrecidos com a violência com que tratavam os seus amigos. Para não perecer, o casal resolveu no mais curto espaço de tempo sair da cidade e seguir para Palmira onde Prisca, por certo, seria acolhida pelo seu protetor Ezequias.

A viagem foi feita cercada de muitas dificuldades e apreensões, devido à distância, ao calor exacerbado das áreas onde o deserto era inclemente e ao perigo de encontrar inimigos dos cristãos ao largo da estrada, pois que sabiam que o doutor da Lei, Saulo de Tarso, estava seguindo para Damasco para prender Ananias, tido como um dos chefes dos cristãos.

Quando chegaram à cidade, foram recebidos por Ezequias sob os mais calorosos abraços e foram contratados para executar serviço na casa comercial, na confecção de tendas e mantas. Em seguida foram encaminhados para o oásis de Dan onde pretendiam ficar algum tempo a salvo das perseguições infligidas aos amigos do Cristo.

 

13- Áquila e Prisca em Roma

Roma regurgitava de gente que ia e que vinha pelas ruas pavimentadas, quando os dois peregrinos adentraram a cidade. O primeiro espanto foi grande porque nunca tinham visto nada igual no mundo. O gigantismo das construções, o mármore e alabastro dos prédios públicos e das casas arquitetonicamente bem delineadas faziam com que o casal de judeus ficasse boquiaberto perante tamanhas maravilhas.

Bem que diziam os amigos que haviam estado em Roma que a capital mundial do poder era magnífica em seus monumentos e casario de luxo. Não havia como negar isso.

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Para compreendermos a magnitude da cidade de Roma vamos narrar um fato interessante que ocorreu com um dos maiores discípulos de Jesus.

Cerca de setenta anos depois da chegada do casal a Roma, próximo ao ano 117 da era Cristã, o grande discípulo de João Evangelista, Ignácio de Antioquia, já ancião, foi levado acorrentado para ser supliciado em Roma.

Quando o cortejo adentrou a cidade, Ignácio ficou tão impressionado com a beleza de sua arquitetura, que sorriu fascinado. Um soldado bruto, vendo o sorriso nos lábios do velho pregador, lhe disse: “- Estás seguindo para a morte e tens esse sorriso no rosto? Toma para aprender”. E desferiu vários açoites no velho indefeso, que abriu feridas por onde o sangue jorrou escorrendo pela face.

Ignácio voltou a sorrir e lhe disse: “- Estou sorrindo, sim, porque se Deus permite que pessoas de má índole construam uma cidade tão bela quanto Roma, imagino o que Ele reserva na outra vida para quem segue os Seus ensinos”.

Este fato ficou marcado na história do Cristianismo por todos os tempos e se reflete também como um dos episódios mais contundentes que a Espiritualidade relembra em seus arquivos impressos no éter.

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Relatam alguns amigos da espiritualidade que o inolvidável Ignácio de Antioquia, desencarnou no Anfiteatro Flavium, em Roma, sob as garras de um tigre.  Quando se libertou do corpo alquebrado pelos anos de luta em prol do evangelho de Jesus, reencontrou muitos amigos que o haviam precedido na grande jornada, inclusive o apóstolo João Boanerges que o criou como se fosse seu filho.

Depois de visitar varias cidades onde vivera e trabalhara durante a trajetória na carne, o apóstolo chegou a Éfeso onde vislumbrou maravilhado duas estrelas rutilantes descer do firmamento e se aproximar, tomando a forma humana.

Eram Áquila e Prisca que chegavam das regiões resplandecentes da espiritualidade para homenagear o amigo. Eles haviam desencarnado há muitos anos e usufruíam a felicidade dos justos nos locais mais sublimes que possamos imaginar.

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A cidade se abriga entre as sete colinas, como que a protegê-la de ataques dos inimigos, pois que Roma os tinha por toda a parte e que tudo faria para aniquilar o seu poderio.

O casal adentrou Roma pela Via Ápia e logo se encontrou à frente do Circus Maximus. Ficaram extáticos observando a obra imponente situada entre a Colina Palatina e a Colina Aventina.

Este local fora inicialmente utilizado para jogos e entretenimento pelos reis etruscos de Roma. Julio César em 50 a.C. expandiu a pista para 600 metros em comprimento e 225m em envergadura, acomodando 150.000 pessoas sentadas e outro tanto em pé. O imperador Domiciano ligou seu novo palácio, na colina Palatina, ao Circo, onde de sua varanda conseguia assistir aos jogos. Contam os historiadores que o Circo chegou a ter a sua capacidade aumentada para 385.000 lugares.

Esse era o principal objeto de desejo dos imperadores que manipulavam o povo através do binômio “pão e circo”. Alegria de alguns, tristeza de milhões, dizem os nossos amigos. Enquanto o povo se divertia, centenas morriam nessa arena edificada para gáudio de governantes, mais desejosos de sangue do que o povo que incitavam nos anfiteatros.

Com Nero é que começaram os sangrentos festivais onde os cristãos eram queimados, mortos a flechadas, espadas, lanças, leões e tigres famintos, pisoteados por cavalos.

Quando esse Imperador enlouquecido, querendo erguer uma nova Roma, ausentou-se para não despertar suspeitas e mandou incendiar a cidade, na manhã de 16 de julho de 64, não previu que o estrago seria muito maior do ele próprio imaginava e em lágrimas fingidas disse que reergueria a cidade.

Para amenizar a situação e abrandar a ira do povo, colocou a culpa nos cristãos que passaram a ser perseguidos e foram vítimas de toda sorte de suplício.

Contam que ele amarrou centenas de cristãos em postes cravados em seus jardins e ao escurecer mandou atear fogo para clarear o seu palácio.

Imaginaram e cometeram os mais hediondos crimes em suplícios intermináveis para aniquilar os inimigos forjados do estado romano.

Depois, Áquila e Prisca caminharam por outros lugares famosos, conhecendo o anfiteatro Flavium, diversas termas, aquedutos, o fórum, e ladearam o famoso rio Tibre que corta Roma e que sempre foi considerado a alma da cidade.

Os espíritos contam que a grande maioria dos imperadores e altos dignitários da Roma Antiga, depois da morte, procuravam resgatar os seus crimes, reencarnando como miseráveis e habitando as margens desse rio.

Áquila e Prisca procuraram por um abrigo e o encontraram num velho casarão em ruínas no Trastevere. Arrumaram um canto mais agradável para morar e montaram sua tenda de trabalho, num dos lugares mais concorridos numa rua perto do casarão.

Havia poucos anos que Jesus fora crucificado e a mensagem do Mestre ainda era pouco divulgada na cidade. Assim, o casal, durante o dia fazia seu trabalho na tecelagem e à noite falava a alguns poucos conhecidos sobre o evangelho. Com o decorrer do tempo foram conseguindo mais adeptos para os cultos e a mensagem do Cristo já obtinha muitos participantes. Trabalhavam para obter o pão do corpo e espalhar o pão do espírito, e tudo corria bem.

Mas, como diz o velho ditado, tudo que é bom se termina. Os judeus mais fanatizados pelo rigor da Lei resolveram que o Jesus que os dois mostravam à cidade não passava de um simples carpinteiro revolucionário que morreu numa cruz ignominiosa e que nada tinha a ver com o Cristo que os próprios judeus esperavam para libertar o povo e o país das garras da escravidão. Das palavras ásperas à ação criminosa foi um átimo.

Certa noite um grupo de israelitas fanatizados pela Lei de Moisés, conhecedores somente do “olho por olho, dente por dente”, adentraram a humilde morada e açoitaram impiedosamente Priscila, deixando-a banhada em sangue.

Somente mais tarde, quando Áquila voltou do trabalho, é que a jovem esposa pode ser socorrida. Já não havia mais lugar no mundo onde a palavra de Jesus pudesse ser divulgada com liberdade. Os próprios irmãos de sangue, do mesmo Israel, se tornavam os piores inimigos de seus objetivos.

Sabendo por amigos que visitavam Roma, que os apóstolos estavam realizando trabalhos grandiosos em toda a Ásia e Oriente, resolveram voltar para colaborar na missão de espalhar o evangelho de Jesus pelo mundo, e também obedecendo ao Imperador Cláudio que ordenara que todos os judeus fossem embora de Roma.

 

14 - Áquila e Prisca em Corinto

Corinto era a capital da Acaia. Cidade devassa e repleta de gente de má índole que ali procuravam o ganho fácil, não importando que tivessem que praticar atividades fora da lei. A cidade fora um dos mais importantes centros comerciais da Grécia devido à sua localização privilegiada. Chegou a ser uma cidade estado que rivalizou com Atenas e Esparta. Depois fez parte do império da Macedônia sob o comando de Alexandre, o Grande. Em 197 a.C. passou a ser dominada pelo Império Romano.  Após uma rebelião em 146 a.C. foi destruída. Somente em 46 a.C. Julio César reconstruiu a cidade, tornando-a a capital da Acaia.

Áquila e Prisca estavam morando em Corinto trabalhando na divulgação do evangelho de Jesus. Estavam no ano 50 da era cristã.

Quando Paulo de Tarso saiu de Atenas, estava visivelmente contrariado por ter sido esnobado pelos atenienses. Quando lhes falou de Jesus disseram-lhe vivamente contrariados com um Deus Desconhecido.

-“De outra feita te ouviremos”.

Ficou sabendo através de Timóteo que Áquila e Prisca estavam em Corinto. Isso animou o pregador que percorreu a pé a distancia de 60 km que separa as duas cidades, aproveitando para levar à população das aldeias, no caminho, a palavra de Jesus.

O reencontro com o casal amigo foi repleto de felicidade porque se amavam mutuamente, na alegria de trabalhar pelo mestre divino. Áquila e Prisca eram importantíssimos na divulgação do evangelho na cidade.

Paulo tinha o projeto de fundar uma igreja em Corinto. Áquila e sua esposa se prontificaram a auxiliar em tudo para que o plano se tornasse realidade.

O grande apóstolo dos gentios foi convidado a morar com o casal e passou a trabalhar com eles no oficio de artesão. Falava na sinagoga e todos o ouviam com interesse até que falou sobre Jesus e Seu trabalho de evangelizar o mundo. Os israelitas não admitiam Jesus maior do que Moises e nem que fosse salvador. A bronca estava armada e Paulo foi expulso pelos irmãos de raça.

Com o apoio de um romano chamado Tito Justo, que comprou uma casa para os trabalhos religiosos, Paulo pode finalmente fundar a igreja de Corinto, tendo Áquila e Prisca como os seus dois maiores ajudantes.

Trabalharam próximo de um ano e meio com tranqüilidade até que os judeus tramaram uma maneira de prender Paulo, acusando-o de feiticeiro, blasfemo e desertor da Lei. Depois de responder a um processo Paulo ficou livre e decidiu partir para Éfeso levando consigo o casal Áquila e Prisca.

 

15 - Áquila e Prisca em Éfeso

Éfeso era uma das maiores cidades do Mediterrâneo. Nela viviam perto de 500 mil pessoas. Era a capital da província romana na Ásia. Sua população era constituída por pessoas de bom nível aquisitivo e intelectual.

A cidade foi um dos principais núcleos de onde o cristianismo dos tempos apostólicos se difundiu pelo mundo. Lá viveram e pregaram os evangelhos os apóstolos João Evangelista, Paulo de Tarso, Maria de Nazaré, Ignácio de Antioquia, Lucas, dentre outros. Era um centro de trabalho cristão dos mais importantes do mundo.

Paulo de Tarso, Áquila e Prisca chegaram à cidade e puseram-se a trabalhar ao lado do venerável apóstolo João Evangelista, disseminando a palavra de Jesus. O casal teve a oportunidade de conhecer Maria de Nazaré a humilde senhora, de coração extraordinário, a magnífica mãe de Jesus Cristo.

Quando estava consolidado o trabalho junto à igreja, Paulo resolveu partir para Jerusalém, deixando com João o casal amigo, Áquila e Prisca.

O casal teve oportunidade de conhecer Apolo, um recém-convertido, que se notabilizara por sua cultura. Resolvem então voltar para Corinto em companhia de Apolo.

Em pouco tempo, Paulo retornou a Éfeso para conversar com Maria de Nazaré, pois, pretendia escrever um evangelho baseado nas historias da mãe de Jesus. Havia tanta discussão com os adoradores da deusa Diana, que fizeram com que o apóstolo ficasse na cidade por um período maior.

Nessas discussões intermináveis com os oponentes da Doutrina, Paulo não teve tempo de escrever o seu evangelho e mandou posteriormente Lucas, o médico venerável que o acompanhou pelo mundo, para que fizesse esse trabalho junto à Mãe Santíssima. Lucas era um escritor portentoso e a partir das narrações de Maria de Nazaré escreveu o seu evangelho de luz.

Áquila e Prisca voltaram à Éfeso para auxiliar os trabalhos na Igreja. Trabalhavam como artesãos durante o dia.

Os ourives da cidade fabricavam pequenas estatuetas da deusa Diana e estavam sendo prejudicados em seu comercio porque ninguém mais se interessava pelas peças, pois Paulo mudara a preferência do povo com seu discurso de uma nova Doutrina.

Incitaram o povo a perseguir o apóstolo. Rumaram para a tenda de Áquila e Prisca e destruíram a sua oficina de tear, com fúria indomável. O casal foi preso.

Paulo encetou todas as instâncias para libertar os amigos. Tão logo conseguiu o seu intento, para que todos os inimigos do Cristo se acalmassem, resolveu deixar a cidade e seguir para Trôade.

O inolvidável apóstolo do Cristo, o amigo inseparável dos gentios, chamou Áquila e Prisca de seus cooperadores em Jesus Cristo, afirmando que expuseram as suas cabeças pela vida dele.

Áquila e Prisca continuaram, por mais algum tempo, ao lado de João Evangelista na igreja de Éfeso colaborando na divulgação do evangelho de Jesus Cristo...

 

16 - Citações na Bíblia relativas a Áquila e Priscila

Atos 18:2

E depois disto partiu Paulo de Atenas, e chegou a Corinto.

E, achando um certo judeu por nome Áquila, natural do Ponto, que havia pouco tinha vindo da Itália, e Priscila, sua mulher (pois Cláudio tinha mandado que todos os judeus saíssem de Roma), se ajuntou com eles.

E, como era do mesmo oficio, ficou com eles, e trabalhava. Pois tinham por oficio fazer tendas.

 

Atos 18:18-19

E Paulo, ficando ainda ali muitos dias, despediu-se dos irmãos e dali navegou para a Síria, e com ele Priscila e Áquila, tendo rapado a cabeça em Cencréia, porque tinha voto.

E chegou a Éfeso, e deixou-os ali; mas ele, entrando na sinagoga, disputava com os judeus.

 

Atos 18:26

Ele (Apolo, conhecia o batismo de João) começou a falar ousadamente na sinagoga. E, quando o ouviram Priscila e Áquila, o levaram consigo, e lhe declararam mais pontualmente o caminho de Deus.

 

1 Corintios 16:19

As igrejas da Ásia vos saúdam. Saúdam-vos afetuosamente no Senhor Áquila e Prisca, com a igreja que está em sua casa.

 

2 Timóteo 4:19

Saúda a Prisca e a Áquila, e a casa de Onesiforo.

 

Romanos 16:3-4

Saudai a Priscila e a Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus.

Os quais pela minha vida expuseram as suas cabeças. O que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas.

 

Luiz Marini

 

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Para refletir

"É apenas com o coração que se pode ver direito; o essencial é invisível aos olhos." (Antoine de Saint-Exupéry)