Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

  • Aumentar o tamanho da fonte
  • Tamanho padrão da fonte
  • Diminuir tamanho da fonte

Almas afins - Áquila e Prisca - Parte I

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

 

ÍNDICE

01- Introdução

02- Emmanuel e Lívia

03- Família espiritual

04- Saulo de Tarso

05- Oásis de Dan

06- Saulo, Áquila e Prisca

07- Prisca

08- Áquila

09- Áquila e Prisca almas afins 

10- Áquila e Prisca o encontro

11- Jerusalém

12- Fuga de Jerusalém

13- Áquila e Prisca em Roma

14- Áquila e Prisca em Corinto

15- Áquila e Prisca em Éfeso

16- Citações na Bíblia relativas a Áquila e Prisca

 

“Despedindo-se (Paulo de Tarso) da cidade (Corinto) teve o pensamento voltado para o pretérito, para as esperanças de ventura terrestre que os anos haviam absorvido. Visitou os sítios onde Abigail e o irmão (Estevão) haviam brincado na infância, saturou-se de recordações suaves e inesquecíveis e, no porto de Cencréia, lembrando a partida da noiva bem-amada, rapou a cabeça, renovando os votos de fidelidade eterna, consoante os costumes populares da época”. (Paulo e Estevão – Emmanuel /  Chico Xavier.- ed.Feb).

“Saudai a Priscila e a Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus.

Os quais pela minha vida expuseram as suas cabeças. O que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios”. Romanos 16:3-4

 

01- Introdução

 Muitos amigos fazem inquirições seguidas sobre as almas gêmeas, ou almas afins. O que são, como são, o que fazem para serem tão semelhantes, como é que se procuram e se encontram no mundo, porque Deus as coloca sempre juntos, que feitiço faz com que se descubram na multidão, e porque é que se gostam tanto, a ponto de se dizer que são partes inseparáveis um do outro.

Esse é um conceito muito amplo que mesmo os espíritas encontram dificuldades para explicar, em primeiro lugar por que ninguém quer ser o dono absoluto da verdade, aliás, o que é a verdade se o próprio Cristo silenciou quando foi inquirido sobre o tema?

Existem muitos pontos de vista sobre este assunto e convém dar ouvido a cada uma das opiniões, porque nunca se sabe ao certo quem está com a melhor verdade. Kardec dizia que a melhor religião é aquela que torna a pessoa melhor. Assim posso dizer que a melhor resposta em nosso estudo é aquela que melhor satisfaça o amigo.
O caso de almas gêmeas ou almas afins apresenta tantas nuances e diferenças; tantos são os casos distintos, que podemos ter a certeza de que para tudo existe algo que satisfaça alguém.

Muitos entendem que almas gêmeas seriam aquelas almas criadas por Deus para se juntarem e formarem um par idêntico na consumação dos tempos. Outros pensam que são almas metades que devem se unir para sempre, para seguir como um só espírito.

Alguns acreditam que elas nem existem porque nunca sentiram nem um arrepio, nem um calorzinho no coração, ou um pequeno sentimento de amor verdadeiro por alguém. Passaram a vida em branco, no lusco-fusco da pessoalidade interior sem nunca ter compartilhado amor com quem quer que fosse.

Também eles têm o direito de pensar e expor as suas idéias, o que respeitamos com toda a certeza. Mas entre viver na amargura de nunca ter sentido algo diferente por alguém e defender a tese de que não existem almas que se queiram tanto a ponto de ser conhecidas como almas afins, tem muita diferença. Deixemos que o tempo auxilie essas pessoas a conhecer o ritmo do coração acelerado quando alguém especial se aproxima.

A experiência nos ensinou que nunca devemos tomar partido único de opinião ou pensamento, respeitando os prós e contras de cada ocorrência. E na verdade, conhecemos dezenas de casos de almas semelhantes que não estaríamos errados em dizer que são almas gêmeas ou almas afins.

Para evitar distorções vamos utilizar a expressão almas afins para especificar aquelas almas que se amam profundamente, que se procuram e se encontram em qualquer tempo e lugar na história da humanidade, que vibram em trabalhar juntos num mesmo ideal, principalmente quando o ideal está voltado para o Caminho, Verdade e Vida, que é Jesus Cristo.

 

02 - Emmanuel e Lívia

 Comecemos analisando o caso Emmanuel e Lívia, que foram casados quando ele era senador romano e se chamava Públius Lêntulus, no tempo em que Jesus Cristo esteve na Terra.  Tinham uma filha chamada Flavia que dizem ser a reencarnação, na época, de Chico Xavier, e outro filho chamado Marcus, o qual foi seqüestrado por inimigos pessoais do senador, causando os maiores dissabores ao tribuno romano. Emmanuel acabou por desprezar a esposa Lívia que terminou seus dias no circo romano sob as garras das feras.

No livro “Há 2.000 anos” Emmanuel conta que isso acarretou muitos séculos de sofrimento para ele. Há uma poesia dedicada à esposa amada em que ele a denomina explicitamente de alma gêmea da minhalma.

Essa canção foi composta em sua mocidade e dedicada à Lívia. Vamos recordar o que disse Públius Lêntulus:

Almas  gêmeas

 

Alma gêmea da minhalma,
Flor de luz da minha vida,
Sublime estrela caída
Das belezas da amplidão!...
Quando eu errava no mundo
Triste e só, no meu caminho,
Chegaste devagarinho,
E encheste-me o coração.

Vinhas na bênção dos deuses,
Na divina claridade,
Tecer-me a felicidade,
Em sorrisos de esplendor!...
És meu tesouro infinito,
Juro-te eterna aliança,
Porque eu sou tua esperança,
Como és todo o meu amor!”.

Emmanuel e Lívia são almas afins ou almas gêmeas se preferirem. Mas estão há dois mil anos trabalhando separados, em locais diferentes, devido à diferença de espiritualidade que os divide, por que Lívia seguiu os passos de Jesus enquanto Públius adotou os passos do orgulho e da vaidade dos homens poderosos da terra.
Lívia vive em regiões superiores, de muita luz, enquanto Emmanuel ainda está nas paragens terrenas.

 

03 - Família espiritual

Gostamos muito da colocação que nossos mentores fazem de família espiritual onde dezenas ou centenas de espíritos fazem parte de uma família que se forma a partir do desejo de crescer espiritualmente, obedecendo à lei da atração espiritual.

Falamos isso baseado no fato de nossa mãe, dona Maria, sempre nos dizer que sua família espiritual é muito grande. Esse núcleo é formado por centenas de espíritos afins, com o mesmo ideal no bem, cuja finalidade é trabalhar por Jesus.

Seus componentes vão se revezando nas reencarnações formando então famílias terrestres, não importando o grau de parentesco que tenham aqui na terra. O objetivo principal é evoluir. As posições assumidas nas encarnações têm a importância devida de acordo com a necessidade e os objetivos principais da encarnação, tudo visando o processo de evolução. Dois espíritos podem ter sido pai e filho na encarnação anterior e nesta são irmãos, primos, avô e neto, etc.

Então nesse contexto é que ocorrem as relações de aproximação maior entre almas que se tornam afins, porque elas apresentam maior afinidade, fator preponderante que as aproxima.

Podemos chamá-las de almas gêmeas? Ou almas afins? O amigo decide como é que prefere denomina-las. O nome que se dá à relação espiritual que ocorre entre os espíritos que se procuram incessantemente não importa.  O essencial é saber que algumas almas se diferenciam pela atração maior que tem uma pela outra, como se fossem realmente metades que se procuram.

Assim como existem milhões de almas que se odeiam, obedecendo a seus instintos ainda retrógrados, existem milhares de almas que se amam tão intensamente, de uma maneira tão sublime que somente Jesus pode entender a intensidade desse amor que as une.
Mas falando em almas afins, vamos relatar um pouco do que aprendemos sobre duas almas que são realmente afins.
Estão inseridas no trabalho de divulgação do cristianismo nascente, vivenciados nos tempos apostólicos, por terem sido grandes amigos de Paulo de Tarso. Estão nomeados no “Ato dos Apóstolos”, de autoria do evangelista Lucas e no livro “Paulo e Estevão” escrito a quatro mãos por Chico Xavier e Emmanuel.

 

04 - Saulo de Tarso

Narram esses fenomenais escritores que Paulo quando ainda se chamava Saulo de Tarso, e era o implacável perseguidor dos homens do “Caminho”, depois da visão que teve de Jesus às portas de Damasco, adentrou a cidade e foi ao encontro de Ananias, lídimo cristão que ali se encontrava para fugir da perseguição encetada pelo próprio Saulo desde Jerusalém. Saulo estava cego como conseqüência do fenômeno mediúnico e o discípulo de Jesus, Ananias, retirou as escamas que cobriam os seus olhos fazendo com que enxergasse novamente.

A vida foi bem cruel para com Saulo de Tarso porque ele era noivo de Abigail, que morava na estrada de Jope. Abigail e Estevão eram irmãos, que estavam separados havia muitos anos e não sabiam do paradeiro um do outro. Estevão foi impiedosamente perseguido por Saulo, que estava alucinado de ódio, combatendo um novo ensinamento que nascia e que era a doutrina de um carpinteiro de Nazaré.

Mas ninguém sabia deste fato. Abigail ficou doente e morreu.  Saulo colocou a culpa nos cristãos, principalmente em Ananias, que era o seu benfeitor e amigo da casa do Caminho. A partir deste fato recomeçaram as perseguições, agora mais violentas, contra os discípulos de Jesus. Saulo obtivera do Sinédrio a permissão de ir até Damasco para prender Ananias e outros discípulos de Jesus que ali se encontravam. Ele não contava com o fato de que Jesus o esperava às portas da cidade para chamá-lo à realidade.

Depois de recuperado, Saulo vai para a sinagoga no sábado, fala sobre o antigo testamento e faz colocações sobre Jesus como sendo o Messias ansiosamente esperado por Israel. Aquilo caiu como uma bomba sobre a multidão que o escutava, pois ele era o grande rabino que encetara as maiores perseguições aos cristãos de Jerusalém, inclusive causando a morte por apedrejamento de Estevão, o primeiro mártir do cristianismo.

Agora havia mudado de lado e estava pregando a favor do carpinteiro crucificado na cruz da ignomínia. Só podia estar louco.

Os israelitas gritavam, vociferavam contra Saulo de Tarso e queriam a todo custo que pagasse por sua ousadia. Um dos rabinos da sinagoga, homem ponderado, acalmou os ânimos pedindo que recitassem uma oração do antigo testamento e fez com que Saulo saísse do local apressadamente.

Ananias aconselha Saulo a que se refugie por determinado tempo em algum oásis no deserto para refletir sobre os últimos acontecimentos de sua vida e descobrir o que Jesus pretendia fazer de seu destino.

Seguiu para Palmira onde encontrou o antigo amigo, o rabino Gamaliel, agora também cristão, cujo irmão tinha grande comércio de tendas e outros aparatos de origem animal que eram vendidos para as caravanas que passavam no deserto.

Saulo segue com uma caravana até o oásis de Dan, distante 75 km de Palmira, procurando refazer o seu caminho.

Parte II >>

 

Luiz Marini - Livros

kiko_e_malhado.jpg
Clique na imagem para acessar


Para refletir

"Há grandes homens que fazem com que todos se sintam pequenos. Mas o verdadeiro grande homem é aquele que faz com que todos se sintam grandes." (Gilbert Keith Chesterton)