Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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Conselhos

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Dizia um amigo meu que se conselho fosse bom ninguém daria e sim venderia. Certo ou errado o amigo sempre aceitou os meus conselhos quando da necessidade deles. Isso sem pagar um tostão. Também porque não faz meu tipo cobrar por auxiliar alguém e nem o dele que é um pão duro, pagar por qualquer coisa que lhe façam.

Mas o que vemos por aí é que a maioria das pessoas que tem bom conhecimento da vida e da arte da vida procura aconselhar os menos experientes para que não cometam as mesmas bobagens que fizeram quando acabaram por se deixar levar e enganar por atos e fatos que cruzaram em sua vida.

Vejo dezenas de pais que já perderam os cabelos e a paciência com seus filhos, depois de tantos conselhos para que não se aproximassem de maus elementos, não se metessem com drogas lícitas e ilícitas, não perturbassem a cabeça dos outros, que estudassem e trabalhassem dignamente. Até que alguns conseguiram o seu intento, mas a grande maioria ficou a ver navios e “perderam” os filhos para o torvelinho do mundo que tudo engole sem piedade. O mundo ideal ainda está longe de vencer o mundo-cão.

Através do tempo fomos estudando a história e notamos que muitos fatos ocorridos poderiam ter sido totalmente diferentes se as pessoas aconselhadas fizessem o que os conselheiros lhes disseram. Todos os que seguiram os bons conselhos se deram bem, enquanto que os outros deram com os burros na água.

 

Sócrates, o grande filósofo, precursor de Jesus, que dividiu a filosofia em pré-socrática e pós-socrática, quando estava preso e condenado a beber cicuta, o liquido letal para cumprir a execução da pena de morte, recebeu de seus discípulos o apelo para deixar a prisão, pois que os guardas poderiam ser comprados (nada contra, mas já naquele tempo a turma dos vendilhões estava a postos para vender até a alma) e o mestre poderia sair livre e fugir para outra cidade e viver em paz o que lhe restava de vida, já que estava beirando os setenta e um janeiros. Não aceitou o conselho dizendo que os juizes que o condenaram também já estavam condenados à morte, pelas leis naturais da vida, e que ele, Sócrates, teria grande prazer de diferenciar no mundo espiritual os verdadeiramente sábios daqueles que dizem ser e não o são.

 

O grande mestre Siddhartha Gautama, também conhecido como Buda (desperto, iluminado), já aconselhava, 500 anos antes de Jesus, que nada deve ser muito rígido ou frouxo, tudo deve ter o ponto ideal, como as cordas de um instrumento que devem estar afinadas. Ensinava quatro verdades:

1 - Existência do sofrimento;

2 - A causa do sofrimento: os apegos humanos (raiva, cobiça, ódio, etc.);

3 - A extinção do sofrimento: o desapego;

4 - Caminho que leva a extinção do sofrimento: visão correta, pensamento correto, fala correta, ação correta, meio de vida correto, esforço correto, atenção correta, meditação correta.

Notaram como é fácil atingir o objetivo do budismo que é a liberdade e a felicidade?  São também ensinos precursores da doutrina de Jesus, cinco séculos antes de Seu nascimento.

 

Falando em Buda, vamos contar a história de um indiano que pediu para uma viúva rica que lhe cedesse um aposento para que pudesse meditar. Ela, como era boa gente, disponibilizou um local com uma pessoa para que atendesse as suas necessidades. E assim o faquir se colocou a postos e meditou durante 12 anos.

Certo dia a viúva quis comprovar o poder de espiritualização do homem e chamou uma prostituta de grande beleza para que tentasse seduzi-lo. No primeiro dia a mulher belíssima dançou em sua frente e cantou as mais belas canções e o homem nem se mexeu. A viúva pagou o seu trabalho com moedas de ouro e pediu que voltasse no outro dia.

Novamente a mulher dançou e agora, mais ousada, tirou a roupa num strip-tease estonteante, chegando a tocá-lo muitas vezes e o homem nem aí com o problema. Foi paga pela viúva e convidada a voltar no outro dia.

Estava mais deslumbrante em sua beleza quando começou a cantar e a dançar. Acariciou muitas vezes, roçando sua pele macia e alva no corpo esquálido e seminu do indiano, que fez de conta que nem era com ele o que acontecia no recinto.  A mulher foi paga novamente com moedas de ouro e voltou para sua lida.

A viúva enfurecida pegou uma vara de vime, dessas que todo mundo conheceu quando criança, e começou a surrar o indiano, que saiu da meditação (o que é que uma vara de vime consegue fazer) e se pos a correr porta a fora. O que se via era o indiano correndo e a viúva batendo. Depois de apanhar muito ele parou e pediu o porquê de estar apanhando se nada havia feito com a mulher. Resistira à tentação.

- “Você está apanhando, disse a viúva, não porque resistiu à tentação da carne, mas porque poderia ter ao menos dado alguns conselhos para que ela deixasse essa vida e se tornasse uma mulher digna”.

 

Lembro de um ensinamento antigo que vem do oriente. Um sábio, certo dia, soube que uma cobra muito grande assustava os moradores de um vilarejo. Os transeuntes eram atacados por ela e já não podiam passar por aquele caminho. O sábio foi até o local e quando a cobra se aprontou para dar o bote, ele conversou com ela, e lhe disse que isso não era direito, que ela não deveria atacar as pessoas. Naquele tempo as cobras entendiam os sábios, e ela sumiu para sua toca.

O sábio foi embora. Passados muitos anos ele voltou para a aldeia e ficou sabendo que os aldeões perseguiam a cobra e a maltratavam sem piedade. Ela já estava com o couro todo riscado à ponta de adaga.

O sábio desejou conversar com a cobra. Chamou-a e vendo o seu estado lastimável lhe disse: eu lhe falei anteriormente que não deveria atacar as pessoas, mas não lhe disse que não deveria se defender. Não ataque ninguém, mas não deixe que te judiem. Use o meio termo. E assim viveram felizes para sempre.

Isso me faz recordar Jesus de Nazaré que disse aos seus apóstolos quando convocados para pregar o evangelho pelo mundo: - “eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto sede prudente como as serpentes e simples como as pombas”. Mateus10:16).

 

Em 1812 Napoleão Bonaparte atacou a Rússia e foi derrotado, voltando para a França com apenas 10.000 homens. Os russos utilizaram a tática da terra arrasada, que consistia em destruir cidades inteiras para criar um campo de batalha favorável aos defensores. Isso aliado ao inverno rigoroso das estepes, decretou a derrota dos franceses.

Na segunda grande guerra, Hitler resolveu atacar a Rússia e cometendo os mesmos erros de Napoleão, perdeu a guerra para os russos, devido ao poderio militar e aos rigores do inverno. Existem centenas de fotos mostrando os soldados alemães mortos pelo frio intenso.

Napoleão e Hitler não obedeceram aos conselhos que receberam para não atacar os russos. Apostaram alto e perderam feio o jogo. Para o bem da humanidade não lograram alcançar o seu intento.

 

Os japoneses, na manhã de 07 de dezembro de 1941 resolveram atacar Pearl Harbor no Hawaii. Praticamente destruíram a armada americana no local. Não obedeceram ao conselho de ficar quietos em seu lugar e o filme “tora, tora, tora” (tigre, tigre, tigre) mostra no final a frase pronunciada pelo almirante Isoroku Yamamoto: “temo que tudo o que fizemos foi acordar um gigante adormecido e enchê-lo com uma terrível determinação”.

Os Estados unidos entraram na guerra e foram determinantes para a queda do terceiro reich.

 

Muitos assessores de George Bush o aconselharam a deixar o Afeganistão e o Iraque em paz.  Como presidente fez o que bem entendeu e retalhou esses países de alto a baixo, causando a morte de milhares de pessoas. Gastou fortunas inimagináveis do tesouro, quebrando os Estados Unidos. Se tivesse obedecido aos conselhos tudo seria bem diferente e o mundo estaria bem melhor.

 

Na atualidade, assessores do presidente Barack Obama aconselharam que fechasse a prisão de Guantánamo. Um dos primeiros atos do novo presidente dos EUA foi determinar o fechamento do local. Foi um conselho bom para eliminar um foco de maltrato com prisioneiros culpados ou inocentes, e que foi seguido para o bem da humanidade, por que geralmente, quem tem poder primeiro bate para depois perguntar se o individuo cometeu algum crime.

 

Jesus Cristo foi o maior de todos os conselheiros que já andaram pela Terra. Por ser o governador espiritual de nossa galáxia, resolveu, Ele mesmo, colocar em pratica a virtude de ensinar as leis que regem o universo e que promanam diretamente de Deus. Foi assim que durante 4.000 mil anos reduziu a sua luz para poder adentrar os fluidos terrestres e encarnar em Belém, na Judéia.  Dá para imaginar a sublimidade do Cristo?

Toda a Sua vida foi direcionada a ensinar aos homens a Sua doutrina. Foi protagonista de milhares de atos e fatos que modificaram a natureza humana para sempre. Conselho deu aos milhares, para quem quisesse ouvir, pois suas prédicas eram ao ar livre e ninguém precisava pagar para ouvi-Lo. Os que tinham o coração em sintonia com o Seu, não só O ouviam, mas também passavam a segui-Lo por onde andasse.  Vou lembrar alguns desses conselhos que Ele nos deixou, pois todo o Seu evangelho é repleto de ditames para alcançar a felicidade.

Os reis magos: Herodes sabia da profecia da vinda do Cristo e chamou os reis magos para que quando O encontrassem, viessem à sua presença para que ele também pudesse adorá-Lo. Cascata pura. O que o rei queria era matar Jesus ainda no berço. Os três reis encontraram o menino e O adoraram. Em sonho foram avisados para que não voltassem para junto de Herodes. Obedeceram e voltaram para sua terra por outro caminho.

A fuga para o Egito: um anjo apareceu em sonho para José e disse que fugissem para o Egito, pois o menino corria risco de morte, e lá permanecessem até que fossem avisados que poderiam voltar. José obedeceu ao anjo e salvou o menino.

Quando chegou a Cafarnaum, Jesus viu dois pescadores chamados Pedro e André e os convocou: “vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens”. Logo em seguida chamou Tiago e João, filhos de Zebedeu e eles também O seguiram. Foram obedientes e se tornaram seus apóstolos prediletos.

Sermão da montanha: foi o mais lindo sermão jamais visto pela humanidade. Nele, Jesus aconselha a que sigam os mais belos ensinamentos já expostos.

“Se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra”.

“Se tirar-te o vestido, larga-lhe também a capa”.

“Se te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas”.

“Amai vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem”.

E assim seguem os ensinos e conselhos...

“Deixai vir a mim os pequeninos, pois que deles é o reino dos céus”. “Entrai pela porta estreita por que largo é o caminho para a perdição”.

“Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

Perguntando para a mulher adúltera que fora apresentada para ser apedrejada e não vendo mais ninguém da multidão depois que pediu que:

 -“quem estivesse sem pecado que atirasse a primeira pedra”: - “Ninguém te condenou?... nem eu também te condeno. Vai-te e não peques mais”, aconselhou.

Jesus disse ao mancebo rico que desejava herdar a vida eterna:

-“Vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu; vem, e segue-me”. O jovem não ouviu o conselho e na semana seguinte morreu na arena em Cesárea, numa corrida de quadrigas.

Maria de Magdala derramou ungüento de alto valor nos pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos, na casa de Simão, na cidade de Magdala.

Maria, irmã de Lázaro, repete o gesto antes da páscoa em Betânia. Jesus as exalta pela dedicação e amor que Lhe dedicam. Convidadas a segui-Lo, as duas se tornam imortais no evangelho.

“Lázaro, sai para fora” disse Jesus quando da ressurreição de Seu grande amigo. E ele obedeceu, saindo das brumas da morte.

Quando da crucificação disse à sua mãe:

“Mulher, eis aí teu filho” e a João: “eis aí a tua mãe”. E João seguiu ao conselho e cuidou de Maria de Nazaré até o seu desencarne.

Poderíamos falar sobre muitos outros conselhos que Jesus deixou para a humanidade, mas deixamos livre o amigo para que pesquise por seu próprio gosto em Seu evangelho de luz.

 

Paulo de Tarso, o grande apóstolo dos gentios, um dos maiores espíritos que já andaram na Terra, teve que mudar sua vida drasticamente da noite para o dia, ou melhor, em pleno meio-dia às portas de Damasco, quando Jesus lhe aparece e pergunta:

-“Saulo, Saulo por que me persegues?”. Saulo fica cego e vai para Damasco em busca de Ananias, não mais para prendê-lo e sim para buscar ajuda. Ananias, com a imposição de mãos, cura-o da cegueira. Saulo copia o evangelho de Levi e no sábado vai para a sinagoga e fala de sua conversão para Cristo. Foi motivo de indignação, desprezo e fúria.

Vendo o dilema vivido entre o homem velho, ex-doutor da lei, e o homem novo, Ananias aconselha-o a buscar a solidão do deserto para meditar e ver o que poderia fazer depois. Saulo parte então para Palmira onde encontra o grande amigo de Jerusalém, Gamaliel, que também aconselha o trabalho no deserto. Saulo, obedecendo aos amigos, segue para o oásis de Dan, a 75 km de Palmira, para trabalhar como artesão, onde conhece Áquila e Prisca, um casal cristão maravilhoso.

Tornam-se grandes amigos e o casal resolve seguir para Roma onde explicariam o evangelho para os judeus da cidade. Saulo, depois de três anos, seguiu para Damasco e iniciou seu trabalho que o tornaria conhecido como o apóstolo dos gentios. Saulo, Áquila e Prisca reencontraram-se muitas vezes durante a evangelização dos povos.

 

Nos Centros Espíritas, o principal objetivo deve ser o de levar às pessoas o conhecimento do evangelho de Jesus. Tudo é feito para que a pessoa se conheça como homem integral, ou seja, que é parte do passado, do presente e do futuro, pois que nasce e renasce até atingir um determinado grau que permita que a evolução ocorra apenas no mundo espiritual.

Todo o trabalho de aconselhamento para que a pessoa se liberte de seus vícios, de suas angustias, de suas neuroses, é realizado na Casa Espírita.

Se observarmos os livros de Allan Kardec, Chico Xavier, Yvonne Pereira, Divaldo Pereira Franco, Raul Teixeira e tantos outros baluartes da Doutrina Espírita, veremos que neles estão contidos os maiores conselhos e ensinamentos que se possa imaginar.

Inimigos do Espiritismo vasculharam as páginas dos livros, mas nunca conseguiram encontrar um só ensinamento que estivesse ao contrario dos ensinos de Jesus. Então calaram a boca e seguiram seus caminhos quietos, quietos...

Chico Xavier conta que Emmanuel certa feita apareceu e lhe disse que se algum dia transmitisse algum ensinamento que estivesse ao contrario dos ensinos de Jesus e de Kardec, que Chico o esquecesse e que ficasse com os dois anteriores.

 

Emmanuel em “Há Dois Mil Anos”, conta o encontro que teve com Jesus em Cafarnaum, quando encarnava a figura do orgulhoso senador romano Públio Lêntulus. Ele foi pedir para Jesus a cura de sua filha leprosa, Flávia, num entardecer. Estavam perto de uma fonte da cidade do mar da Galiléia.

Jesus pede ao senador o porquê de vir às escondidas falar com Ele. Depois de conversar, Jesus aconselha ao senador que deixe a sua vida no império e siga com Ele para um reino de luz.

O senador ficou um minuto pensando e não atendeu a solicitação do Mestre. Emmanuel conta que aquele minuto e a negação ao Seu conselho acarretaram mais de 1.500 anos de sofrimentos em reencarnações de resgate, porque em vez de seguir o Mestre Galileu, deu vazas à sua sandice, aprontando muitas, inclusive com Lívia sua esposa pulcra e amorosa, a quem renegou. A primeira reencarnação sua foi como o escravo Nestório descrita no livro “50 anos depois”.

 

A dona Maria Daminelli Marini, minha mãe, quando chegou perto dos quarenta anos de idade, sentindo-se sempre mal, e não tendo médico que a curasse, ouviu o conselho de algumas amigas e foi para o Centro Espírita tratar a sua depressão e outras doenças. Em dois meses estava trabalhando com a espiritualidade com grande desenvoltura, pois que possuía as mediunidades de clarividência, clariaudiência, de cura, entre outras, desde criança.

Ela sempre seguiu os conselhos dos amigos espirituais e assim cumpriu a sua missão com méritos.

Para concluir este estudo, posso dizer que os conselhos bons e maus estão em toda parte. Só depende de nós próprios escolhe-los e segui-los.

Queira Deus que por dentro de nós, lá no fundo, no âmago de nosso espírito, o volume de luzes seja razoável e os bons conselhos sejam prontamente ouvidos e postos em prática sem perda de tempo.

Aliás, nós já perdemos muito tempo seguindo maus conselhos em outros tempos, em outras vidas, por isso ainda estamos por aqui, lutando, lutando...

Luiz Marini 01/02/09.

 

Luiz Marini - Livros

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"Há grandes homens que fazem com que todos se sintam pequenos. Mas o verdadeiro grande homem é aquele que faz com que todos se sintam grandes." (Gilbert Keith Chesterton)