Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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29 – Maria Rosa e avó Maria

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Enquanto conversávamos com os amigos vimos chegar o senhor José que nos convidou a entrar.

- Avó Maria e Maria Rosa, gostaríamos que falassem algo para um grupo de Espíritos que já estão preparados para a remissão – iniciou a conversa o administrador da cidade. - Temos cerca de noventa pessoas no salão do centro de atividades esperando para começar os estudos visando o autoconhecimento. Esses Espíritos não participaram das batalhas, porque ainda estavam no acampamento e, por isso, estão bem e já podem começar a receber aulas – falou o Sr. José, convidando-as para participar das atividades.

- Com certeza, Seu José, vamos conversar com esse pessoal – respondeu a avó Maria.

Seguimos o administrador até o local referido, um barracão de aproximadamente trezentos metros quadrados onde se faziam trabalhos de diferentes especializações e reuniões de aprendizagem.

Quando chegamos, os ex-soldados estavam sentados em bancos toscos feitos com pinheiro e imbuia.

Na sala, podíamos ver alguns quadros retratando Jesus e a Mãe Santíssima. Eram quadros lindíssimos, de aparência viva, que transmitiam energia intensa. Fixei meu olhar nos quadros e me pareceu que tinham vida própria. Era como se estivéssemos na presença do Mestre e de Sua mãe.

Aprendi a ver os dois principais seres do Evangelho não apenas em seus quadros, mas em todas as coisas do mundo, pois, são eles os representantes legítimos de Deus na Terra e em tudo vejo a presença desses seres divinos.

Quando adentramos o recinto todos nos olharam com simpatia. Depois, alguns abaixaram a cabeça como se estivessem envergonhados.

Seu José começou uma conversa franca com aqueles homens que há poucas horas eram nossos adversários. Apresentou-nos e pediu-nos que falássemos aos novos alunos da senda do evangelho.

- Vou ser breve com vocês, meus amigos – comecei a conversa olhando para cada um deles. - Chamo a cada um de vocês de meu amigo e alguns dirão: -“amigos? Por que amigos, se há pouco estávamos em campos contrários, combatendo?”

- Respondo a vocês que tivemos que enfrentar forças que desejavam destruir uma cidade. O que fizemos foi apenas proteger o patrimônio do bem. Não pensem que, em algum momento tivemos raiva de vocês. Compreendemos que vocês estavam asfixiados pelas forças inferiores, marchando numa luta inglória. Vocês estavam impregnados da força psicológica que move a multidão, que faz com que as pessoas realizem coisas das quais, em sã consciência, jamais fariam.

- Somos irmãos! Aproveitem a oportunidade para provocar modificação nos seus corações. Venham conosco andar na estrada clara da alegria e da felicidade.

- Deixem para trás as desilusões e sofrimentos e iniciem uma nova jornada com as falanges do bem. – conclamei os novos amigos para que se sentissem aceitos pelos novos companheiros.

- De este momento em diante virem a página escura da vida e vivam um novo amanhã no livro da eternidade. Essa nova página começou a ser escrita neste momento em que vocês estão imbuídos da vontade de modificar as atitudes.

- Meus amigos! Façam um grande favor para vocês mesmos. Utilizem esse momento para coroar o renascimento de seus corações para Deus. Juntos, vamos estudar, trabalhar e nos divertir, amar e sonhar. Comecem o processo de transformação que Deus ajudará para que os objetivos sejam alcançados.

- Gostaria que agora vocês ouvissem com atenção a avó Maria, pois é um Espírito muito experiente e que poderá ajudar muito a cada um.

- Deus nos abençoe!

Conclui a preleção, observando as reações de cada um dos ouvintes. Fiquei feliz, pois a grande maioria estava sinceramente com vontade de aproveitar a oportunidade surgida para volver à vida.

A avó Maria começou a alocução com a costumeira simpatia aureolando o semblante.

- Que Jesus nos abençoe neste momento, iluminando nosso coração e nosso caminho. – começou a avó Maria.

- Não pensem que apenas os senhores têm grande trabalho pela frente. Nós também estamos escalados para a labuta. Todos somos caminheiros em busca de luz. Tentamos a cada dia sair das amarras que nos prendem às coisas inferiores e atingir os campos da felicidade. A necessidade dos senhores de aprender vem de encontro às nossas aspirações de aprender e ensinar. Alunos e professores devem manter o mesmo objetivo que é esclarecer o Espírito. Essa é a simbiose que une todos os seres.

- Jesus permitiu que os senhores encontrassem, neste dia, a redenção, ou seja, a estrada de Damasco de cada um. Esse deve ser o marco de mudanças enormes na vida dos senhores. Quem aproveitar ganhará muitos anos de felicidade nos caminhos que levam a Deus.

- Tornem-se calmos, obedecendo ao ensinamento de Jesus que diz: - “Bem aventurados os mansos porque eles herdarão a Terra”.

- Os senhores estão entrando na mesma gleba de trabalho em que nós estamos. Somos semeadores da vida e necessitamos amanhar a terra para conquistar o mundo. Jesus é o grande semeador da vida e nós somos os trabalhadores de Sua seara. Desde os tempos de Jesus sabemos que a messe é grande e os trabalhadores são poucos. Está na hora de aumentar o número dos obreiros do Senhor.

- Quem já tem a experiência no cultivo da terra se propõe a ensinar aquele que chega sem nada saber. Esta é a proposta que Deus lhes oferece neste momento.

- Espero que os senhores aproveitem a oportunidade. Seus familiares estão ansiosos esperando pelos senhores, com os braços abertos, para, juntos, serem muito felizes na vida.

- Esta é a hora de trabalho e dedicação. É hora de lutar e vencer. É tempo de mudar o coração e conhecer Jesus.

- Esse é o momento em que podemos dizer que Jesus nasceu para nós. Ou será que fomos nós que nascemos para Jesus Cristo? Pensem nisso...

- Que o Divino Mestre nos abençoe!...

A avó Maria concluiu sua alocução e eu pude ver que muitos daqueles homens estavam com os olhos marejados.

Aqueles homens cansados de lutas e de dores sentiram que estavam sendo acolhidos, sem exceção. Levantaram e vieram nos abraçar, coroando o trabalho realizado.

Depois, seu José nos convidou para passearmos na praça ampla e verdejante. Os ipês roxos e amarelos estavam em plena floração tornando as árvores um completo festival de flores. As orquídeas em diversos troncos demonstravam a beleza de seus matizes e formas. Ficamos em silêncio admirando o encanto do lugar, vendo centenas de borboletas e muitos beija-flores sugando o néctar, batendo as asas num colorido sem igual.

Em seguida nos encaminhamos para as herdades onde diversos Espíritos, nossos conhecidos, trabalham.

Passamos pelas casas e cumprimentamos as pessoas. Paramos por mais tempo no lugar onde os Espíritos invasores haviam começado o trabalho de corte de árvores para as reformas programadas. Fora ali que o médium havia sido levado para constatar a invasão da cidade. Nesse momento estava tudo tranquilo e a família que cuidava desse lugar já estava trabalhando normalmente.

Degustamos uma laranja que tinha a doçura do mel. Mesmo assim a avó Maria fez uma carinha de poucos amigos, talvez relembrando os tempos na Terra quando chupava laranjas ácidas. Rimos muito com os amigos. Despedimo-nos abraçando os amigos e voltamos à praça central.

Continuar...

 

 

Luiz Marini - Livros

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