Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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13 – O jovem combatente

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- Sei não, general, se o senhor não vai ter que segurar esse moço longe da frente de combate – dirigi a palavra ao comandante tão logo o avistamos em frente a sua barraca. - Quase que ele nos causa grande confusão indo ao acampamento.

- Maria Rosa, com certeza esse jovem vai ficar em seu devido lugar de agora em diante. Gostaria muito que vocês ajudassem a cuidar dele se for necessário. – respondeu-me o general Augusto.

- O senhor sabe que é muito perigoso andar entremeio aos inimigos do bem. Parece que eles sentem que não pertencemos ao grupo deles. Se o aprisionam, com certeza, podem lhe causar problemas sérios. Mas cuidaremos dele, sim, se for preciso.

- Eu deixei que seguissem o seu grupo, pois conheço vocês e sei que ele sabe se cuidar. Era muito importante que ele fosse ao acampamento para tirar dúvidas a respeito de alguém.

- Ele é meu protegido – continuou o general. - Há algum tempo uma senhora procurou-me para saber se eu poderia recebê-lo como soldado em nosso regimento. Ela era uma mulher triste e me disse ser muito importante o seu engajamento como soldado. Isso poderia auxiliá-lo a encontrar o verdadeiro norte, pois estava sofrendo e necessitava fazer algo novo.

- Ele havia sido soldado na última encarnação? – perguntei.

- Sim, foi soldado na Segunda Grande Guerra. Ele e o pai, que era comandante, foram mandados para o front de batalha na Europa. Eram brasileiros mandados para combater Mussolini e Hitler. Sua mãe e duas irmãs ficaram no Rio de Janeiro esperando por eles.

- Certa noite, no front, o comandante e seus soldados, inclusive seu filho, foram pegos em uma cilada. Estavam cercados pelos inimigos e não havia o que fazer. O fogo das metralhas destruía tudo ao lado da coluna. O filho do comandante viu que havia uma brecha por onde poderiam fugir. Com mais três soldados enveredou pela colina, abrindo fogo contra poucos inimigos, vencendo-os. Os companheiros foram chamados para a fuga. O comandante notou que alguém havia caído no morro. Era seu filho agonizante. O moço olhou para o pai e lhe disse:

- Conseguimos fugir do cerco. Leve seus homens para um lugar seguro. Vençam essa guerra por mim.

- O soldado morreu e o pai o carregou nas costas até que estivessem longe do inimigo.

Dias depois o comandante foi ferido numa perna e num braço; então constataram que não poderia mais lutar. Ele foi mandado de volta ao Brasil.

Chegando ao Rio de Janeiro, foi direto para sua casa e a encontrou sem seus familiares. Um vizinho contou-lhe então que bandidos assaltaram a casa e acabaram matando a esposa e as filhas.

O comandante voltou para a casa que antes era cheia de vida e agora estava silenciosa. Com o tempo entrou em profunda depressão e virou-se contra Deus. Ele achava que Deus era o grande culpado pelo seu sofrimento. Deus não havia cuidado de seu filho na guerra e de sua esposa e filhas na cidade. O ódio contra Deus tornou-se imenso e o comandante acabou morrendo nutrindo isso no coração.

A esposa disse-me nunca ter visto o marido na espiritualidade. Ela vive com suas filhas numa cidade espiritual e estão muito bem, desenvolvendo trabalhos de assistência aos necessitados. O filho não conseguia ficar com elas, sentia que precisava de atividades diferentes. Nós o recebemos como soldado há mais de trinta anos e hoje ele ocupa o posto de Capitão, devido ao seu desempenho e capacidade.

- Espero que ele consiga desvendar o seu mistério – conclui.

Depois de alguns segundos ressaltei ao comandante a necessidade de começarmos a traçar os planos para enfrentar os inimigos no dia imediato.

Continuar...

 

Luiz Marini - Livros

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