Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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07 – Primeiras lutas

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Quando seu José e os amigos deixaram o pavilhão, permanecemos em silêncio por alguns instantes, que foi quebrado quando Artur um dos guerreiros mais jovens nos disse:

- Vamos em busca do ideal que é libertar esses amigos. Ninguém tem o direito de destruir os sonhos dos outros. 

Manoel interveio considerando:

- É hora de provar o valor dos que lutam pelo bem. Não podemos deixar que o mal tome conta deste lugar.

Pudemos constatar pelo brilho no olhar dos companheiros que estavam imbuídos de grande valor seus desejos. Então considerei:

- Para começo de ação, vamos buscar os revoltosos que estão na cidade e reascender a esperança do povo. Sabemos que a população sempre pugnou pelo trabalho, acreditando que não seriam necessários muitos guardas para proteger a cidade, devido a paz que reinava na região.

Sabemos que as atividades do bem por si só, sem defesa, se torna presa fácil dos malfeitores do além. Mas agora o problema já aconteceu e temos que agir.

Em círculo, entrelaçamos nossas mãos e pedimos a Deus a proteção para a empreitada. Seguíamos de corações abertos e elevados em busca do sucesso na empreitada.

Onze Espíritos preparados para a luta, empunhando espadas, punhais, cordas e redes, deixam o pavilhão e esgueiram-se por entre o casario. Pareciam sombras se movendo na noite clara.

Percorremos duzentos metros entre as casas e nos posicionamos numa das laterais da casa de força. Dois Espíritos guardavam a entrada. Um de nossos companheiros subiu ao telhado pela parte oposta e saltou sobre os dois oponentes. Com o golpe cairam no solo e foram subjugados com cordas. Amordaçados, foram conduzidos a um galpão a poucos metros que servia de almoxarifado da casa de força.

Observamos a situação e nos posicionamos à entrada da casa de força. Com cuidado abrimos a porta e olhamos o interior. A primeira sala estava vazia. Na segunda sala nove Espíritos estavam conversando despreocupadamente. O assalto foi rápido e os inimigos foram dominados. Não tiveram chance de se defender. Em poucos minutos estavam amarrados, amordaçados e conduzidos ao galpão almoxarifado. Deixamos um dos companheiros para guardar os prisioneiros.

Em seguida fomos até um grande galpão ao lado da casa de força que servia como núcleo de produção de sucos e observamos por uma janela. Dez Espíritos descansavam numa sala com pouca iluminação. Com a porta apenas encostada, entramos com facilidade. Silenciosos iguais leopardos no ataque, caímos sobre os inimigos com agilidade, utilizando redes. Em poucos minutos também esses estavam presos.

Com a situação dominada naquele local, partimos em direção a um dos recantos agrícolas tomado pelos jagunços. Caminhamos cerca de trezentos metros até chegarmos à herdade. A casa principal havia sido invadida e servia de quartel general dos facínoras, assim como um grande galpão ao lado. Apenas nessas duas havia claridade interior. As outras casas menores estavam no escuro.

Ao clarão da lua pudemos ver as dezenas de árvores que haviam sido derrubadas pelos invasores e o início de construções que haveriam de abrigar os celerados.

Acercamo-nos da casa principal e vimos pela janela de uma das salas, três Espíritos que conversavam, despreocupados, sobre a situação.

- Agora sim, com os generais prontos a derrubar os portões, nosso exército entrará na cidade e dominaremos tudo. – disse o mais velho do grupo, com cara de poucos amigos.

- Mas, quantos dias ainda teremos que esperar? Perguntou o mais jovem, ainda imberbe.

- Acredito que em três ou quatro dias estaremos andando livremente por aqui - respondeu o jagunço. – e emendou – já estamos modificando essa herdade e faremos isso com toda a cidade. Também temos o direito de ter um bom lugar para morar.

Dizendo isso, levou o cigarro à boca e tragou a fumaça com gosto.

Não deu tempo do jagunço soltar a fumaça do pulmão. Num átimo de tempo já estava dominado junto com seus companheiros. Foram amarrados e presos com cordas. Amordaçamos os jagunços para que não fizessem barulho. Fechamos a porta e saimos ao pátio rumando ao galpão que distava trinta metros do local.

Ao nos aproximar, ouvimos conversas e risos. A porta estava aberta e pudemos ver mais de vinte homens sentados em círculo, comendo, bebendo e fumando. Um deles contava uma piada de baixo nível. Despreocupados, haviam deixado as armas encostadas na parede do galpão. Eram os trabalhadores que estavam cortando as árvores e construindo novas casas.

Levaram um susto tremendo quando nos viram entrar, espadas em punho. Não esboçaram reação, pois sabiam que poderiam ser cortados. Amarramos as mãos de cada um e os levamos até a casa principal. Recolhemos os outros três elementos e seguimos para o almoxarifado da casa de força. Prendemos todos ali, fechando a porta com chave. Seria impossível sairem do local. Alguns protetores da cidade haviam se aproximado depois que seu José lhes contou que ali estávamos. Pedimos que montassem guarda para proteger o local e não deixar os presos fugirem.

Voltamos à casa de força e o responsável tentou ligar as baterias. Não conseguiu. Elas haviam sido danificadas pelos invasores. O técnico nos disse que teria que substituir algumas peças e que levaria de dois a três dias para que os geradores pudessem ser ligados.

Continuar...

 

Luiz Marini - Livros

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