Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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06 – Na cidade Recanto de Luz

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Enquanto nos afastávamos do acampamento, observamos o céu que estava repleto de estrelas. A lua nova clareava a estrada solitária que se desenhava à frente. Podíamos ver que a situação estava complicada, senão desesperadora, para os habitantes da cidade. O problema seria perder o comando da cidade, pois haveria centenas de reféns que seriam encaminhados às cidades do umbral, dominadas pelos celerados.

Discutimos a situação e resolvemos pôr em prática um plano. Em primeiro lugar mudamos nossas roupas e nos vestimos com os trajes dos antigos samurais por ser mais adequada para o trabalho que teríamos à frente.

Seguimos, calados, até perto das colinas na parte lateral da cidade, sentido norte. Com agilidade escalamos a montanha e chegamos ao cume. De cima podíamos ver, à luz do luar, a cidade em polvorosa, pressentindo o ataque final dos marginais. Em frente, víamos o acampamento com suas fogueiras e ouvíamos o barulho dos tambores, as conversas e os gritos dos soldados.

Os cantões agrícolas, nos fundos da cidade, estavam às escuras. Na povoação, apenas algumas casas tinham luminosidade à base de candieiros e velas improvisadas. Podíamos visualizar algumas pessoas que caminhavam apressadamente, talvez em busca de amigos e proteção.

Descemos a encosta íngreme, atravessamos a floresta, chegando ao campo de relva verde ao lado do casario. Nossa condição espiritual permite transpassar essas barreiras com muita facilidade, o que não ocorre com os Espíritos de baixa condição, pois seus corpos perispirituais são muito parecidos com os corpos dos encarnados. A matéria pesada não permite que se vença esses obstáculos.

Onze sombras ligeiras deslizaram rapidamente, vencendo a distância que separa as montanhas das casas.

Logo adentramos um pavilhão que geralmente é usado para reuniões dos habitantes dos diversos núcleos de trabalho da cidade. Um dos companheiros foi designado para chamar o administrador da cidade que estava em sua casa. Em poucos minutos, seu José e alguns amigos seus, estavam conosco.

Seu José era um homem alto e magro, de barbas e cabelos negros. Os olhos eram vívidos. Na terra havia sido professor de línguas e diretor de escolas. Há muitos anos era o administrador da cidade e fazia parte de nosso grupo de trabalho.

Depois dos cumprimentos, nos sentamos em círculo e seu José começou a narrar os acontecimentos.

- Vejam vocês, meus amigos, que alguns trabalhadores desses campos que aqui estagiam para modificar suas atitudes, começaram a desrespeitar as ordens instituídas para o bom andamento dos trabalhos. Isso ocorreu depois que esses trabalhadores tiveram a permissão de visitar parentes que ainda estão encarnados. Quando regressaram, modificaram suas atitudes para com a colônia e suas regras.

Nós, como administradores, procuramos acalmar os revoltosos para que tudo voltasse à normalidade. Os ânimos estavam acirrados e sentimos que deveríamos tomar atitudes mais enérgicas. Os indisciplinados estavam ligados mentalmente com as forças negativas do umbral e iniciaram os planos para a tomada da cidade. 

Seu José falava e demonstrava estar visivelmente nervoso. Respirou fundo e continuou.

- Há cinco dias, assumiram o controle da casa de força e desligaram as baterias que alimentam os canhões nas muralhas, que disparam dardos elétricos. Também as luzes da cidade foram desligadas. Na mesma noite em que assumiram a casa de força, formou-se o acampamento em frente à cidade e na manhã seguinte ocorreu o primeiro ataque à fortaleza. Foi uma batalha difícil porque nossos defensores especializados são em número reduzido.

Na noite seguinte conseguiram introduzir na cidade, escalando as muralhas, mais de vinte invasores. Já tomaram algumas glebas agrícolas e estão derrubando muitas árvores das encostas. Nossos defensores não podem atacá-los, pois precisam defender a muralha.

Estamos com inimigos no interior da cidade e com um grande acampamento no lado de fora. É grande a possibilidade de perdermos a cidade a qualquer momento. 

Seu José enxugou o suor da testa e continuou a narrativa.

- Para completar os problemas surgidos, há mais de uma semana uma caravana com alguns jovens partiu da cidade rumo às regiões de mais luz, para curso de aperfeiçoamento. A caravana desapareceu e ficamos sabendo que foi conduzida ao umbral. Minha filha, Angélica, estava junto a essa comitiva. Só por Deus mesmo para solucionarmos esse problema.

Nesse momento seu José começou a chorar, emocionando a todos.

Ficamos em silêncio alguns minutos e então falei ao grupo.

- Se é com ferro e fogo que atormentam os Espíritos do bem, será com ferro e fogo que lutaremos. Viemos em paz, mas, se eles querem a guerra, terão o que esperam. Os Espíritos do Senhor não podem deixar que as forças das sombras destruam o trabalho da seara de Jesus. Se aqui estamos é para endireitar o que se entortou. 

Falando isso, abracei seu José e pedi que retornasse à sua casa com os amigos.

Continuar...

 

Luiz Marini - Livros

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