Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

  • Aumentar o tamanho da fonte
  • Tamanho padrão da fonte
  • Diminuir tamanho da fonte

05 – No acampamento dos oponentes

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

<<< Anterior...

 Quando a meia noite se aproximava, reunimos os dez principais guerreiros que fazem parte de nossa equipe. Estive, durante o dia, em nossa cidadela, que é um posto de serviço espiritual, situado no Sudoeste do Paraná, confidenciando aos nossos cavaleiros o problema a ser resolvido. Eles permaneceriam na cidadela até que fossem convocados ao trabalho.

Estávamos vestidos com trajes análogos aos dos atacantes para que pudessemos nos infiltrar no acampamento sem que fôssemos notados. Encontravamo-nos a cerca de três quilômetros da cidade Recanto de Luz. Estávamos fora da estrada principal para não despertar suspeitas de quem quer que passasse por ali e para evitar denúncias aos atacantes.

Havíamos diminuido nossas vibrações, ficando totalmente assemelhados aos habitantes da região umbralina. Nossos corpos se tornaram bastante materializados para que fossem notados pelos inimigos do bem e confundidos com os de sua própria categoria. Na verdade, isso é um perigo porque quando se diminui as vibrações os corpos podem ser feridos e machucados. Portávamos apenas espadas e punhais no momento e resolvemos verificar pessoalmente a situação. Caminhamos silenciosamente rumo ao acampamento, sob o luar peregrino.

Desaparecemos por entre arbustos quando ouvimos alguns Espíritos que se aproximavam vindos dos arredores do acampamento. Podíamos ouvir o que diziam:

- Nosso chefe comentou que dentro de dois ou três dias a cidade será dominada. Então expulsaremos todos os habitantes. Tomaremos a cidade e faremos dela nosso reduto. Libertaremos todos os que aqui estão sem o seu consentimento.

Ao dizer isso o jagunço gargalhou, feliz, por ser um dos participantes do evento. Outro mal encarado comentou:

- Essas terras agora têm dono e nunca mais os amigos do Cordeiro haverão de pisar por aqui. De cidade em cidade dominaremos essa região.

O grupo era formado por dez elementos, todos vestidos como soldados das antigas guerras deflagradas no país. Haviam cometido tantas desditas nessas guerras que ainda conservavam a mentalidade daquela época. Carregavam espadas e punhais. Haviam sido convocados para a guerra havia algum tempo e se prepararam muito para o conflito. Percebemos que os mentores da tomada da cidade haviam planejado a conquista há muito tempo.

Deixamos que os soldados passassem por nós e seguissem em frente.

Os guerreiros que comigo estavam eram Espíritos trabalhadores das falanges do bem e quando necessário se arrumavam a rigor para as batalhas. Estavam felizes por ter a oportunidade de servir na causa da justiça.

Adentramos a estrada principal e seguimos, intimoratos, rumo ao acampamento que se erguera no vasto campo em frente à cidade. O início do umbral ficava a mais ou menos quinze quilômetros de distância. Os atacantes formaram uma cabeça de ponte entre o acampamento e sua cidade no umbral, por onde eram conduzidos armamentos e alimentos aos guerreiros.

Enquanto seguíamos para o acampamento encontramos diversos grupos de rebeldes que gritavam palavras de ordem e impropérios contra os trabalhadores do bem. Estavam felizes por terem a oportunidade de guerrear, pois o seu desejo era destruir as cidadelas do bem. Tinham a aparência de loucos, vestidos com andrajos que demonstravam sua insignificância espiritual. Estávamos muito calmos e caminhamos entre os guerreiros observando bem a situação. Outros grupos de guerreiros estavam bem vestidos com fardas militares.

Pudemos visualizar bem o acampamento pela claridade que as fogueiras e tochas proporcionavam. Era imenso e estava tomado por perto de três mil Espíritos sedentos de guerra. Uma distância de trezentos metros o separava do portão da cidade para a devida proteção contra as flechas dos sitiados.

Eles sabiam que na cidade havia poucos defensores especializados, pois jamais esperariam que alguém os fosse atacar. Por isso os comandantes haviam planejado minuciosamente o ataque, infiltrando de antemão alguns comparsas na cidade. Eles já haviam desligado os geradores de luz, o que tornavam inúteis os canhões de defesa. Também haviam dominado alguns núcleos interiores de produção. Agora, o plano era atacar em massa e subir a paliçada ou arrebentar os portões. Feito isso ficaria muito fácil dominar a cidade. Armas, guerreiros e vontade de sobra eles tinham para o feito.

Mas se o mal trama suas desavenças, o bem se arma de coragem para a batalha. Jesus não esquece seus discípulos e amplia sua visão e coragem para vencer o mal.

Muitos podem pensar que os Espíritos inferiores ficam vagando ou em seus lugarejos no umbral e que os bons Espíritos permanecem nas cidades espirituais, sem que possam de maneira alguma interagir. Os problemas são imensos, pois as mentes em desarmonia não querem de maneira alguma que os bons tenham paz. É só observar os problemas das obsessões que ocorrem entre os encarnados. Os Espíritos inimigos travam as mais cruentas batalhas para não deixar que seus desafetos sejam felizes. Isso também ocorre no âmbito espiritual. Somente as cidades mais afastadas do umbral, nas regiões de luz, não têm esse tipo de problema.

As cidades espirituais que são erguidas nos limites do umbral têm também a missão de buscar os Espíritos sofredores que já estão aptos para entrar em novo direcionamento, para que sejam auxiliados em seus hospitais especializados. Essas cidades são cercadas por muralhas e são guardadas ininterruptamente para que não caiam nas mãos dos malfeitores do além. Os Espíritos ainda devotados às ocorrências do mal adoram uma encrenca seja ela qual for. Essas falanges são formadas por vagabundos, desocupados, mentirosos, cúpidos, assassinos, sequestradores, e outros inimigos do bem.

A batalha dos Espíritos inferiores é contra a luz, contra Jesus, e isso inclui a perseguição empreendida contra os fracos que se tornam joguetes em suas mãos. Mas Deus nunca desampara os que lutam pelo ideal superior. Envia seus mensageiros e faz com que a lei divina prevaleça sempre.

As confusões que ocorrem nas regiões umbralinas são imensas. Os maus homens que habitaram a Terra, com o desencarne, se tornam os maus Espíritos que pululam entre os encarnados, nas trevas e no umbral. A luta continua a cada dia. Além de vencermos os demônios interiores temos que vencer os inferiores do além. Cada dia é uma batalha nova que se apresenta. O tipo de confronto depende da situação e dos mentores que nele agem. Tínhamos agora uma situação de emergência e precisávamos agir com presteza.

Podíamos ver os Espíritos que iam e vinham em azáfama constante, preparando armas. Comiam, bebiam e fumavam como se fossem encarnados. Alguns usavam drogas. Tinham o semblante modificado pela ação psicológica do grupo. Pareciam raivosos, demonstrando isso no semblante carregado e sisudo.

Caminhamos entre as tendas até nos aproximarmos de barracas altas que dominavam o centro do acampamento. Ali ficava o quartel general dos opositores, onde permaneciam os comandantes do exército.

Nesse instante os tambores começaram a soar, ecoando na noite o som triste e silente.

Discutimos a situação e resolvemos retroceder em nossos passos, seguindo para as encostas das montanhas. Percorremos as ruelas e saímos do acampamento sem que notassem e enquanto caminhávamos, ouvíamos o som dos tambores que ecoavam na noite.

Continuar...

 

Luiz Marini - Livros

kiko_e_malhado.jpg
Clique na imagem para acessar