Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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01 – O Recanto de luz

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Instalada nos arredores do umbral fino, beirando os limites das regiões de penumbra e sofrimento, por entre montanhas, situa-se um vale verdejante, um recanto espiritual, onde os Espíritos devedores de Jesus reencontram o prazer de trabalhar e aprender, ajudar e fazer, ensinar e colher.

Diretamente ligado às falanges do bem, o recanto abriga os Espíritos endividados que desejam melhorar suas condições.

Estando situado nas proximidades do umbral, muitos Espíritos revoltosos armam tocaias para as caravanas que percorrem as estradas que conduzem à colônia.

A estrada é larga e permite que nela passem veículos puxados por animais, muito semelhantes às carruagens. Esses comboios são protegidos por lanceiros que não permitem que os celerados ataquem.

Dezenas de quilômetros ao redor estão Postos de Socorro que são os primeiros lugares para onde os Espíritos sofredores são levados para os iniciais atendimentos. Esses Postos estão localizados inclusive nas regiões umbralinas.

A cidade está localizada cerca de quinze quilômetros do final das regiões umbralinas e recebe as bênçãos do sol rotineiramente e da chuva de quando em quando.

A cadeia de montanhas que cerca o vale é um obstáculo natural que não permite que os Espíritos inferiores alcancem o seu interior. Essas montanhas formam um U, e, para fechá-las, construíram um muro alto.

Entre as primeiras montanhas, num vão de um quilômetro, erguem-se as muralhas da cidade, com uma altura de dez metros. A paliçada lembra os castelos europeus da Idade Média. O grande portão fica bem no meio da muralha, e, à sua frente, descortina-se um descampado de grande dimensão, plano, coberto de relva verde e macia.

Da paliçada pode-se ver grandes extensões de terras iluminadas por estarem livres dos miasmas inferiores e também se observar os limites do umbral, região nevoenta e triste. Esses campos de saída apresentam à esquerda a região nevoenta do umbral e à direita as regiões de luz.

A claridade é suave e a luminosidade do dia é boa. A temperatura é agradável. À noite, também a cidade entra em silêncio para o descanso dos trabalhadores e somente poucas lâmpadas mantêm o local com luminosidade. Lá fora se ouve o canto das aves noturnas e os seguidos lamentos e gemidos dos Espíritos sofredores que perambulam nos limites do umbral.

Chamamos essas regiões divisórias de “campos de saída” o que define lugares-limites, entre as esferas inferiores e superiores. 

Talvez quem leia estas linhas não saiba o tanto os amigos do espaço lutam para vencer as dificuldades e os maus Espíritos que grassam e perambulam pela espiritualidade.

O local é impregnado de vida. 

As montanhas são altas e dificultam sobremaneira a ação dos Espíritos inferiores que desejam alcançar a localidade povoada. 

Seguindo pela estrada principal que liga essa localidade aos outros núcleos habitacionais, o viajante, que chega das regiões superiores passa, por vales encantadores, verdejantes, repletos de vida. Percorre campos de verdor estonteante, acariciado com o murmurar constante de riachos cantantes. 

Os serros altaneiros dão as boas vindas ao viajante. Depois de longa jornada, esferas menos luminosas começam a tomar conta do ambiente. À proximidade com as regiões inferiores da Terra, quando o umbral aparece no horizonte, ao longe, a estrada ainda permanece iluminada e clara. São dois mundos diferentes, opostos em luminosidade e leveza. 

Geralmente os habitantes do umbral não chegam até a estrada, pois estão em faixas vibratórias diferentes e não se sentem bem no local. Porém, nos campos que separam a cidade do umbral esses Espíritos perambulam livremente.

Isso representa o que se conhece acerca dos locais para onde os Espíritos vão depois do desencarne: cada um permanece no local onde o seu coração está. 

Depois de um longo peregrinar pela estrada larga, por entre montanhas lindíssimas, chega-se num grande campo de gramíneas baixas tendo mais de um quilômetro de comprimento por dois quilômetros de largura; dali pode-se ver, por entre montanhas altaneiras, os portões que protegem a cidade Recanto de Luz. 

Nós, que viajamos constantemente a esses lugares, compreendemos a necessidade dos portões e das fortalezas para impedir que Espíritos inferiores penetrem os seus umbrais e devastem o trabalho realizado pelos servidores do bem.

Energia espiritual vibra intensamente em todo o lugar e somente quem tem autorização entra na cidade. Diversos guardiões permanecem sobre a paliçada, para observar o movimento das hordas selvagens.

O recanto espiritual serve de abrigo aos Espíritos que estão em evolução e que desejam aprender a trabalhar e estudar. Nesta cidade cerca de dois mil Espíritos estão em estágio para aprender as lições de vida e esquecer o passado nebuloso. 

Os amigos poderiam até me dizer que isso é fruto de minha imaginação e que moldo este quadro com as pinturas do delírio. Não sei usar esse tipo de tinta, nem sei usar de aleivosidades quando descrevo os ambientes da espiritualidade. É muito fácil comprovar o que digo. É só chegar até esse recanto e comprovar as minhas palavras. Dito ou não dito, passo a descrever o que originou a localidade.

Há alguns decênios, Espíritos bondosos observaram a necessidade de se criar um local de aprendizado para os Espíritos oriundos dos hospitais e casas de abrigo na espiritualidade. 

Eles necessitavam de espaço para ensinar a esses Espíritos o valor da vida e do trabalho, por isso, criaram a fazenda num local próximo ao umbral, pela necessidade de auxiliar e servir. 

O trabalho começou quando um Espírito de luz vislumbrou o vale entre as montanhas e concluiu que ali poderia ser criado um local para servir de educandário para os alunos reprovados na escola da vida. Dito e feito. Reunidos vários amigos espirituais, começaram os trabalhos de recompor a natureza do lugar, limpando a floresta, cultivando os campos e construindo as casas no centro do vale. 

Assim, notamos que depois do portão de entrada, tem um campo, depois uma floresta, a frente mais um campo, e, em seguida, o povoado. A rua principal é larga e comprida. Ruas laterais em número de oito cada lado demonstram o planejamento na hora de se construir a cidade. 

No centro da povoação tem uma praça e em meio a ela um edifício alto que é o local para reuniões e preces. Ao lado desse edifício fica a sede administrativa da cidade. Ao lado da sede está a escola, que é um prédio grande e que abriga todos os internos nos mais diversos estágios de estudos. Ali se aprende desde as matérias básicas de português e matemática, ciências, biologia, química, física, línguas, ciências orientais, filosofia, religião, entre outras.

O regime de estudo é muito parecido com o que temos na Terra. O que diferencia do estudo normal é que são alunos já saídos da infância. São jovens e adultos que foram retirados das zonas de sofrimento e que depois de receberem tratamento específico às suas necessidades, de comum acordo, foram conduzidos a essa escola-laboratório para aprenderem a valorização da vida e do trabalho, para então, no futuro, regressarem à Terra, para nova encarnação. 

Tem sido de muita valia o estágio que esses Espíritos fazem na localidade. Na verdade ali aprendem a serem sociáveis, responsáveis, amáveis, e a respeitar as leis da vida.

Aprendem as ciências do mundo através do estudo, do trabalho em grupo e aprendem a respeitar a natureza, cuidando com carinho das plantas e dos animais. Aprendem a observar o nascimento de uma flor, o gorjear dos passarinhos, o rumorejar dos riachos, o sussurro das florestas, o ciciar do vento nas campinas e começam a dar valor à vida.

O Recanto de Luz não é uma cidade qualquer, é uma abençoada edificação a serviço do Senhor. É o local onde se aprende e se ensina, onde se trabalha e se descansa, onde se planeja e se faz.

Continuar...

 

Luiz Marini - Livros

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Para refletir

“Eu chamo de bravo aquele que ultrapassou seus desejos, e não aquele que venceu seus inimigos; pois a mais dura das vitórias é a vitória sobre si mesmo.” (Aristóteles)