Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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Capítulo 11 – O guardião

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O umbral descortinava-se à nossa frente, emoldurando um quadro de tristezas e agonias dos Espíritos sofredores que perambulavam a esmo na paisagem nevoenta.

Luiz Dam e Maria Rosa seguiam ao meu lado, destemidos, sabedores que eram da situação de estarmos materializados naquela região fria e nevoenta. Destacamos a peregrinação dos Espíritos em grupos, jungidos pelos mesmos estigmas de terem cometido os mesmos tipos de crimes.

Fixei minha atenção em um desses bandos. Eram aproximadamente quarenta Espíritos que perambulavam em grupo pelo campo sombreado pelas nuvens espessas.

Um jovem de aproximadamente vinte e cinco anos era o líder do grupo. Vestido como uma pessoa normal de qualquer cidade do Brasil tinha os cabelos longos e a face macilenta.

Quando nos viu se aproximou. Ao parar à nossa frente olhou-nos com desprezo e disse:

- O que fazem em nossas paragens, que mal lhes pergunto?

- Estamos de passagem, meu irmão – respondi. - Procuramos alguns Espíritos que se encontram nessas regiões.

- E vocês acham que terão facilidades em perambular por aqui, sem serem perturbados?

- Acreditamos que, assim como viemos em paz, seremos bem recebidos.

- Aí é que vocês se enganam. Somos guardiões desse lugar e ninguém pode andar livremente por aí sem nossa permissão.

- E se alguns Espíritos que estamos procurando estivessem em seu grupo?

- Vocês não os levariam, pois não permitiríamos.

- Se Jesus nos permite buscar esses Espíritos no umbral é porque eles já estão aptos a serem resgatados.

- Podem perder a esperança de levar alguém com vocês.

- O tempo demonstra a que viemos. Sabemos que você se chama Renato e é um Espírito que necessita de nova oportunidade de reencarnação.

O quê? Como é que vocês sabem meu nome? Eu, reencarnar?

- Sim, Renato. Não estamos aqui para resgatar os seus amigos. O Espírito que precisa deixar essas paragens é você mesmo.

- Não acredito nisso!

- Você teve uma encarnação complicada, plena de problemas com as drogas.

- Como é que vocês sabem disso?

- Nós o conhecemos Renato. Estamos aqui a pedido de sua mãe.

- Minha mãe?

- Sim. Verônica, sua mãe.

- Onde ela está? O que quer comigo?

- Vou lhe mostrar.

Nesse instante, Luiz Dam chegou acompanhado de uma mulher que aparentava cinquenta anos. Trajava longo vestido azul, com mangas curtas e um cinto branco. Seus olhos brilhavam mediante o reencontro com o filho que havia desencarnado havia mais de trinta anos.

O líder do grupo ficou perplexo com a visão. Realmente, era sua mãe que aparecia à sua frente. Era ela mesma, com o mesmo sorriso meigo de quando estavam encarnados. Ele tremeu e caiu de joelhos no gramado úmido. A mãe aproximou-se e o abraçou fortemente. O moço caiu em lágrimas enquanto agarrava-se firmemente à sua cintura.

Os Espíritos do grupo estavam boquiabertos, pois jamais esperavam que isso acontecesse com seu chefe. Muitos se aproximaram e se postaram ao lado, enquanto outros, revoltados, inconformados com a mudança daquele que os comandava, ficaram à distância observando o desenrolar dos acontecimentos.

Renato havia desencarnado em uma contenda com grupos rivais de traficantes. Havia morrido, mas continuava vivo, muito vivo. Perambulou por muitos lugares na crosta e há alguns anos estava nestas paragens, sendo seguido por outros jovens que também haviam sucumbido ao poder nefasto das drogas e das gangues que proliferam na crosta.

Abraçou-se à mãe como a suplicar que não o abandonasse nessa hora de transformação e libertação.

Em poucos minutos Renato sentiu-se livre e permitiu-se despedir-se dos amigos que com ele perambulavam no umbral. Disse-lhes que seu tempo de jornada naqueles campos estava terminado e que agora deveria seguir novos rumos na espiritualidade.

A viagem de retorno foi coroada de êxito, sem perturbação por parte dos Espíritos vigilantes das forças inferiores e dentro de poucas horas chegamos a nossa cidade espiritual depois de deixarmos Renato e sua mãe em um Posto de Socorro nas imediações dos campos limítrofes.

Continuar...

 

Luiz Marini - Livros

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Para refletir

"A omissão de quem pode e não auxilia o povo, é comparável a um crime que se pratica contra a comunidade inteira. Tenho visto muitos espíritos dos que foram homens públicos na Terra em lastimável situação na Vida Espiritual." (Francisco Cândido Xavier