Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

  • Aumentar o tamanho da fonte
  • Tamanho padrão da fonte
  • Diminuir tamanho da fonte

Capítulo 04 – A senhora que pediu ajuda

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

 <<< Anterior...

No dia seguinte, depois de cumprirmos as tarefas em nossa escola, ao entardecer, com o sol se escondendo atrás dos morros, os trabalhadores retornavam às suas casas. Muitos se aproximaram de nossa casa procurando por nossa companhia.

Maria Rosa estava ao meu lado, sentada na cadeira de balanço onde se embalava mansamente. Seu vestido branco refletia a luz do entardecer, enchendo seu corpo de claridades amarelas e azuis.

O tempo é nosso amigo e a solidão dos campos enchia a nossa alma de saudades das passagens que tivemos na Terra.

Mari, nossa companheira de lides espirituais, supervisora de nossa escola, aproximou-se vindo da estrada. Estava acompanhada por uma mulher que aparentava ter cinquenta anos.

Mari continuava a moça bonita que conheci quando estávamos encarnadas. O sorriso meigo enchia seu rosto de felicidade. Abraçou Maria Rosa e veio ao meu encontro para também dar-me o abraço carinhoso e terno, que encheu meu coração de alegria. Senti que o tempo em que nos conhecemos e vivenciamos a amizade pura, se refletia no abraço carinhoso.

Depois, Mari, olhou-me demoradamente e disse-me:

- Avó Maria! Esta senhora pediu ajuda há alguns dias para que seu filho fosse resgatado no umbral. Ela reside em um Posto de Socorro e está em nossa cidade visitando alguns parentes que me conhecem e sabem o trabalho que é feito no resgate de Espíritos que vivem no umbral. Ela pediu-me para conversar com a senhora.

- Seu trabalho em nos contatar é importante Mari, pois somos uma família que está sempre pronta a ajudar quem tem necessidades.

A mulher parou à minha frente. Era de média estatura, loira, pele branca, trajando um vestido azul claro que cobria os joelhos.

Cumprimentou-nos e, sendo convidada, assentou-se em uma cadeira à nossa frente. Tinha o semblante triste! Parecia cansada! Olhou-me com seus olhos azuis e me disse:

- A Mari pediu-me para conversar com a senhora e com Maria Rosa, pois tenho um problema a resolver e acredito que vocês possam me ajudar. Disseram-me que as senhoras receberam meu pedido de ajuda para meu filho e ele foi auxiliado.

- Esteja à vontade, minha amiga – eu lhe disse. – Esse foi nosso primeiro encontro sem que nos conhecêssemos. Sua rogativa chegou até nós e fomos até o local onde seu filho se encontrava. Se Jesus permitiu que a senhora nos procurasse é porque o tempo para a solução do problema já e chegado.

- Dona Maria! Meu nome é Marisa e estou aqui porque, minha filha, Andréia, desencarnou há mais de dez anos e nunca tive notícias dela. Não sei por onde anda e gostaria de saber seu paradeiro. Sei que a senhora tem um grupo que é especializado em resgatar Espíritos perdidos no mundo, por isso, estou aqui lhe pedindo ajuda.

- A senhora pode contar com nosso apoio nesse caso. Algo mais a preocupa?

- Sim! Tenho outro problema! Meu filho, Marcos, estava comigo no Posto de Socorro, pediu autorização para visitar amigos na Terra e não retornou. Há alguns dias ele me pediu, mentalmente, ajuda, pois estava à procura de sua irmã e acabou sendo perseguido por Espíritos belicosos. Vocês conseguiram livrá-lo da falange inimiga, mas meus filhos continuam no umbral e eu nem mesmo sei em que condições.

Relembrei o socorro prestado ao filho de Marisa. Em seguida, pude ver, espiritualmente, a moça a que a senhora se referia. Era jovem, bonita, cabelos negros, olhos verdes, de média estatura. A visão me proporcionava a oportunidade de vê-la em um lugarejo no umbral. Muitas sombras envolviam o povoado e ela estava em um bar trabalhando como garçonete. Era assediada por indivíduos mal encarados que bebiam e jogavam cartas, sentados em volta de mesas redondas. O ar nauseabundo tudo envolvia e a moça sentia-se fraca e sem condições de ali ficar. Era pressionada por um grupo de maus elementos que comandavam as ações no lugar e ela não podia abandoná-los, pois o lugarejo era muito protegido pela falange inferior. Seu algoz, Ari, a desejava como escrava e ela seguidamente fugia do povoado, mas não conseguia sair da região, sendo, então capturada.

- A senhora pode ter certeza de contar com nossa colaboração para encontrar seus filhos. Nada prometemos a não ser muita dedicação nesse caso.

- Obrigado avó Maria pela compreensão ao meu pedido – disse-me a senhora enquanto me abraçava. - Tenho que ir, pois os amigos me esperam para retornarmos ao Posto de Socorro.

- Conforme o trabalho for se desenvolvendo, entraremos em contato com a senhora.

Continuar...

 

Luiz Marini - Livros

kiko_e_malhado.jpg
Clique na imagem para acessar


Para refletir

"O êxito de um bom dito depende mais do ouvido que o escuta do que da boca que o diz." (William Shakespeare)