Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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Ao entardecer

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             A chuva caiu torrencialmente, formando uma cortina de água que escorria pelas calçadas e ruas, enchendo bueiros, carregando as folhas mortas, as flores e os gravetos do chão.

               Durou pouco, mas chegou em forma de tempestade, aliviando o calor da tarde de verão. Como a chuva de verão, chegou e foi embora com a mesma rapidez, deixando atrás de si uma cortina de névoa branca.

               Ficou no ar o cheiro de relva molhada, de perfume inebriante das flores da trepadeira no muro e dos camarões vermelhos em frente à casa.

               O pôr do sol tornou-se lindo com o vermelho das nuvens no poente, entremeado às luzes da cidade que começavam a clarear no lusco-fusco do momento.

               Lembrei-me de Jesus que ao final das tardes sentava-se nos morros ao redor de Cafarnaum e falava aos discípulos e ao povo que O procuravam. Nesses momentos a alma se enchia de amor ao sabor do vento jornaleiro que chegava do poente para acalentar os pescadores da pequena vila.

               As palavras do Mestre enchiam as almas pequeninas dos aldeões que ainda viviam no doce encanto de um recanto bucólico onde o burburinho da grande Jerusalém ainda não havia chegado.

               Todos se conheciam e sabiam de seus afazeres e profissões. E Jesus ali chegou chamando Pedro e André, João e Tiago por seus nomes sem que os conhecesse. E, no entardecer desse dia, fez a primeira prédica na praça para seus novos amigos e para o povo que, curioso, procurou ouvi-Lo.

               Até as árvores silenciaram em seu balançar de galhos e folhas para que Sua mensagem fosse compreendida pelo povo simples de Cafarnaum que era o mais belo recanto da Galiléia.

               Dois mil anos se passaram e Suas palavras ainda ecoam no entardecer para aqueles que são mansos e bondosos. Sua mensagem se confunde com os raios de sol que tornam as nuvens sanguinolentas no fim do dia.

               Jesus é o eterno peregrino que chega para nos convidar a seguir Seus passos no rumo da felicidade. Alcançamos a liberdade quando nosso coração se enche de esperança ao seguirmos o Seu Evangelho de luz.

               Feliz é aquele que pode, ao entardecer, ver o sol se pondo, sentindo a brisa tocar seu rosto, compreendendo que a eternidade o espera na felicidade do dever cumprido na vida e na preparação de um porvir de luz nos braços amorosos de Jesus.

 

Luiz Marini 14-01-2014 

 

Luiz Marini - Livros

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Para refletir

"Além da terra, além do infinito, eu procurava em vão o céu e o inferno. Mas uma voz interior me disse: O céu e o inferno estão em ti mesmo." (Omar Kháyyám)