Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

  • Aumentar o tamanho da fonte
  • Tamanho padrão da fonte
  • Diminuir tamanho da fonte

CAPÍTULO 59: Ataque

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

<<< Anterior... 

CAPÍTULO 59
 
 
 
Ataque                      

 
                                                              Os Cavaleiros atacam o forte para mostrar aos inimigos
                                               que a força do bem existe para ser respeitada.


 
               Enquanto o grupo de atendentes fazia o seu trabalho convocamos os nossos comandantes para conversar sobre os próximos passos a seguir. Nosso entendimento era feito pelo pensamento comum e concordamos que deveríamos atacar o forte para mostrar ao grupo de Altair que éramos fortes o suficiente para vencê-los em qualquer lugar.
               Olhamos para o forte e visualizamos os vigias nas torres enquanto os outros soldados ficavam a espreita detrás dos altos troncos, esperando nosso ataque. Um de nossos cavaleiros trouxe uma arma parecida com uma bazuca e apeou à nossa frente.
               ― Estamos prontos para derrubar o portão – disse-me o cavaleiro. – Esperamos seu sinal para que tudo voe aos ares.
               ― Posicione-se e atire – dei a ordem ao companheiro. – Derrube o portão para que possamos entrar.
               O guerreiro ajoelhou-se no gramado a cem metros do forte e fez mira. Quando disparou ouviu-se um estrondo e o portão veio abaixo num só tempo. A um sinal os cavaleiros atacaram embrenhando-se pelo vão deixado pelo portão e começaram a disparar. Eram trezentos cavaleiros no ataque o que fazia tremer o chão e também os mais incautos inimigos.
               Os cavaleiros atacaram em fila fazendo um círculo no pátio do forte e retornando para o campo. A ação foi repetida por cinco vezes e muitos dos combatentes fugiram do forte indo até o campo onde eram conduzidos para o acampamento de triagem e identificação.
               Depois da quinta carga demos ordem de retirada dos cavaleiros, com o consequente descanso no campo em frente ao forte.
               Manoel, José, Menotti, Luiz Dam e eu entramos no forte acompanhados por mais de cinquenta cavaleiros. Altair chegou ao alpendre e gritou que jamais se entregaria e também não soltaria os prisioneiros.
               ― Altair, é hora de se libertar das amarras da perseguição e da discórdia – eu lhe disse com sinceridade. – São milênios de encrencas e guerras sem fim e isso tem que terminar para que possas, finalmente, descansar.
               ― Eu não me encontro cansado – respondeu-me. – Estou é com raiva de tipos como vocês que chegam para destruir o que levamos muito tempo para construir.
               ― Não tivemos alternativa senão agir com energia – disse com firmeza na voz. – Não é nosso intento machucar alguém e sim fazer com que compreendam que temos necessidade de resolver esse problema dos prisioneiros e de obsessões com irmãos da Terra. O que fizemos foi só derrubar o portão do forte, para mostrar do que somos capazes.
               ― Vocês podem destruir o forte, mas não conseguirão me fazer mudar de ideia quanto aos prisioneiros e aos inimigos que temos na Terra. O meu trabalho continuará sem tréguas.
               ― Altair modifique seus sentimentos e perdoe os inimigos – recomendei ao comandante. – Isso fará com que encontre paz para seu Espírito e também para seus comandados. Vejo em seus olhos que vocês estão cansados de lutas e guerras e pretendem parar com as encrencas.
               ― Alguns de nossos homens já estão cansados, mas eu continuo firme em meus propósitos – afiançou-me o antigo fazendeiro. – quero continuar minha luta e não esmorecer jamais.
               ― Altair experimente vir conosco e conhecer um novo tipo de vida, mais aberta, clara e feliz – convidei Altair humildemente. – Depois de conhecer novos campos de trabalho e de vida, com certeza se arrependerá de não ter feito isso há mais tempo.
               ― Por enquanto não aceito nada disso – retrucou com rancor. – Preparem-se para a luta, pois será a coisa mais difícil do mundo nos tirar desse forte.
               Altair virou-se para entrar no seu escritório quando ouvimos o tropel de um cavalo que chegava rapidamente vindo do campo. Era Chica Pelega trazendo na garupa um moço aparentando quinze anos. Reconheci o jovem imediatamente. Era Otávio com a aparência de quando vivia como filho de Altair durante a Revolta dos Colonos. Na Terra, ele já estava com setenta anos, mas para o Espírito é fácil utilizar o rejuvenescimento para se fazer reconhecer por alguém.
               Altair levou um baque e caiu no assoalho do alpendre. Os companheiros o ampararam rapidamente sentando-o num banco de madeira. Ele havia perdido a esperança de reaver a amizade do moço que criara como filho e isso o tornara mais cruel em seu desejo de vingança.
               Agora tornava a vê-lo tal qual era no tempo em que o perdera na confusão com Antonio e os irmãos ex-jagunços durante a Revolta dos Colonos. Com a morte Altair começou a tramar a vingança desde o lado espiritual, organizando um grupo de jagunços para esse fim. Prendera Antonio, os irmãos Darci e Dirceu e muitos outros inimigos e, para completar, obsidiara Marisa e Josué.
               Altair estava absorto em seus pensamentos quando ouviu Otávio chamá-lo:
               ― Estou aqui em nome da paz para pedir ao senhor que esqueça as intrigas que colocaram tantos inimigos em seu caminho e pense num novo amanhã. Essa amiga Chica colocou-me a par de tudo que está acontecendo e estou aqui para pedir perdão se também o magoei e quero recomeçar a amizade que sempre nos uniu enquanto estivemos juntos.
               ― Meu filho!... Eu nunca o esqueci – disse o antigo fazendeiro, chorando. – Quero que me perdoe também por tudo o que fiz para magoá-lo. Espero que possamos juntos recomeçar a vida em nova dimensão esquecendo o passado.
               ― Eu sei que estou aqui em sonho, pois meu corpo dorme em minha casa na Terra. Estou bem lúcido e sei o que está acontecendo, por isso peço que liberte os prisioneiros e deixe-os seguir sua vida, para que possas estar em paz a sua também.
               Otávio subiu os degraus e abraçou-se a Altair, ficando longo tempo assim, até que sentiram que estavam realmente desejando uma nova chance na vida. Altair pediu aos comandados que baixassem as armas e soltassem os prisioneiros, pois esse era o primeiro passo para o entendimento.
               Quando os prisioneiros chegaram ao pátio ajoelharam-se e rezaram agradecendo a Deus pela liberdade. Otávio chamou Antonio, Darci e Dirceu para que se aproximassem de Altair. Depois de uma rápida conversa os antigos inimigos se apertaram as mãos selando assim a vitória do bem sobre as incursões do mal.
                                                           
 

Luiz Marini - Livros

kiko_e_malhado.jpg
Clique na imagem para acessar


Para refletir

"A omissão de quem pode e não auxilia o povo, é comparável a um crime que se pratica contra a comunidade inteira. Tenho visto muitos espíritos dos que foram homens públicos na Terra em lastimável situação na Vida Espiritual." (Francisco Cândido Xavier