Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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CAPÍTULO 41: Nas regiões nevoentas

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CAPÍTULO 41
 
 
 
      Nas regiões nevoentas

 
                                       Maria Rosa e alguns mentores descem ao
                                  umbral para descobrir o paradeiro dos
                     jagunços e dos prisioneiros.      


 
               Durante a manhã estivemos na escola atendendo os mais diferentes assuntos, cuidando para que a harmonia estivesse presente em cada ação de nossos assistentes, professores e alunos. Logo depois do meio dia retornamos para casa onde recebemos os amigos Tirson, Chica Pelega, Elizabete e Manoel.
               Tínhamos uma missão a realizar: descobrir o local, no umbral, onde os Espíritos obsessores se reuniam e saber o paradeiro de alguns dos personagens que havíamos conhecido durante a projeção das imagens no Centro Espírita.
               A avó Maria e Luisinho também estavam de saída para tentar descobrir o paradeiro das filhas de Antonio que estavam desaparecidas. Com os votos de boa sorte nos despedimos em frente à nossa casa e seguimos rumos diferentes.
               Volitamos até a região limítrofe do umbral que fica na direção vertical da cidade de Pato Branco e entramos numa abertura que dividem as esferas em suas diferentes dimensões.
               Menotti sabia onde se encontravam os jagunços e entramos no umbral por uma passagem utilizada pelos Espíritos que vagam na região nevoenta e, às vezes, se embrenham pelos campos limítrofes onde conseguem sentir o calor do sol e respirar o ar mais puro.
               Seguimos pela estrada que conduzia às regiões mais escuras até atingirmos um campo de vastas extensões onde milhares de Espíritos vagavam mostrando nas feições a tristeza de não saberem para onde ir. Caminhavam a esmo pelo campo e quando chegavam aos limites eram impelidos a retornar em seus passos, para recomeçar a caminhada num círculo sem fim.
               Tirson nos disse que se tratavam de Espíritos que foram na Terra pessoas sem rumo e sem direção nas coisas que faziam e, principalmente, em matéria de espiritualidade, sempre se preocupavam em observar possíveis erros dos outros sem que procurassem se emendar num só ponto. Andaram, na Terra, em círculos sem ter um norte que os guiassem e no mundo espiritual continuam da mesma maneira, vagando a esmo.
               ― O que terão que fazer para retornar à lucidez e deixar de caminhar a esmo? – perguntei a Tirson -. Sabemos que todos têm a oportunidade de recomeçar a caminhada rumo a Deus.
               ― Eles se encontram nesse estado por terem olvidado os ensinos de Jesus e combatido aqueles que seguem o Mestre. Terão que pedir perdão a Deus e solicitar sua orientação para não mais andarem sem rumo. Quando obtiverem permissão conhecerão a estrada do bem e iniciarão sua jornada pelo caminho reto que leva até Deus. Deixarão de andar em círculo e terão um norte a seu dispor.
               ― Qual é a maneira para distinguir os que estão aptos a sair desse círculo vicioso? – tornei a perguntar.
               ― Experimente olhar os Espíritos que andam retamente pelo campo e note a expressão mais amena em seus semblantes. Eles já estão preparados para sair da campina e iniciar novas jornadas em outros locais.
               ― Quem tem a permissão de retirá-los desse campo?
               ― Existem grupos de trabalho nas cidades espirituais que têm essa incumbência. Nós também temos essa possibilidade e poderemos fazê-lo quando voltarmos de nossa jornada.
               Tirson é um dos grandes mentores de nossa instituição e sua sabedoria nos impressionava sempre que tínhamos a oportunidade de com ele conversar.
               Nossa locomoção pela estrada era rápida, mas mesmo assim, centenas de Espíritos se aproximavam do caminho para nos observar. Geralmente estavam em grupos pequenos apresentando as mesmas características nos olhares tristes, pois que haviam cometido os mesmos tipos de infrações durante a encarnação. As roupas eram sujas e rasgadas, os cabelos desalinhados, os olhares esgazeados, os semblantes abatidos.
               Olhavam para nós como se fossemos viandantes de outros tempos ou planetas e sentíamos na expressão de seus braços estendidos, as súplicas para acabar com seus sofrimentos.
               Passamos por um pântano onde centenas de olhos nos miravam desde a superfície calma da água turva. Se jogássemos uma rede com certeza retiraríamos muitos Espíritos de seu leito. Eram almas que haviam cometido crimes utilizando-se do líquido precioso para afogar suas vítimas e, em outros casos, Espíritos que haviam retornado ao mundo espiritual, vítimas de suicídio por afogamento.
               Passamos por uma floresta de árvores desfolhadas erguendo seus galhos ao céu, como a pedir clemência a Deus. Em seu bojo milhares de Espíritos vivendo à míngua por entre os troncos sem poderem construir um rancho onde pudessem se abrigar das intempéries e tormentas que assolam o lugar. Eram Espíritos que, na Terra, haviam destruído as florestas visando apenas o ganho monetário, sem se importar com o reflorestamento e o manejo integrado que deve gerir esse tipo de empreendimento.
               Lembrei das florestas imensas de pinheiros e imbuias centenárias que existiam nas terras do Contestado e que foram derrubadas pela Companhia ferroviária, no episódio que resultou na Guerra do Contestado. A floresta exuberante foi destruída junto com a vida de milhares de colonos que viviam no lugar. Os devoradores de florestas haviam atacado com fúria inclemente nossa região e o mesmo aconteceu na região sudoeste do Paraná e foi o motivo principal da rixa entre os personagens desta história.
               Espíritos que haviam proporcionado a derrubada indiscriminada das matas agora procuravam abrigo entre os troncos das árvores desnudas e não conseguiam seu intento.
               Passamos pela floresta e entramos num deserto de areia fina, com grandes dunas, onde visualizamos os Espíritos vagando a esmo, tendo a pele queimada e os lábios ressecados suplicando por um gole de água. Eram os Espíritos dos homens que haviam desertificado regiões imensas para o plantio de arroz e criação de gado e, com o passar dos anos, o solo impróprio para essas culturas viraram desertos, tornando-se áridos e sem vida.
               A estrada serpenteante descia no rumo do umbral mais grosso onde imperam os grupos de Espíritos armados, com o intuito de prender e castigar os incautos que pela região passem. Encontramos diversos desses grupos que nos olhavam com desdém por reconhecerem em nós Espíritos que estavam em trabalho na região. Não nos enfrentavam por temer a força espiritual que de nós emanava e, assim, nos deixavam passar em paz, sem qualquer indício de animosidade.
               O caminho estava livre e andávamos rapidamente sem qualquer empecilho até encontramos um grupo de Espíritos que, na Terra, haviam sido mercenários. Estavam armados e se puseram em posição de defesa ante nosso avanço, apontando as armas em nossa direção. Não titubeamos e avançamos sem qualquer medo, pois ao nos aproximarmos, a vibração espiritual que emanava de nossos corpos atingiu o grupo dispersando-os rapidamente.             
                 
 

Luiz Marini - Livros

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Para refletir

"É apenas com o coração que se pode ver direito; o essencial é invisível aos olhos." (Antoine de Saint-Exupéry)