Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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CAPÍTULO 38: Reminiscências

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CAPÍTULO 38
 
 
 
Reminiscências        

 
                            Maria Rosa recorda o Contestado e
                           a senhora Maria faz as revelações 
                          sobre os personagens da história.


 
               Quando a projeção foi concluída, lembrei que havia conhecido uma história sobre posseiros que era muito parecida.
               Recordei o Contestado e tracei uma relação entre as duas revoltas: a nossa revolta resultou numa guerra de quatro anos e na morte de mais de dez mil pessoas, entre combatentes, crianças, mulheres e velhos. O ódio e a perversão dominaram o nosso sertão com o assassinato frio e planejado de milhares de colonos que se rendiam.
               As reminiscências de nosso Contestado estão vivas em nossa alma e fazem parte de nossa vida, pois não se esquece de um dia para outro o genocídio de um povo que só queria manter a posse de suas terras e trabalhar para viver e comer o pão de cada dia.
               Na revolta dos colonos o exército prensou o governo estadual para resolver imediatamente a questão das Companhias que espoliavam os colonos e isso aconteceu evitando o derramamento de sangue, diferentemente do que ocorreu conosco.
               Talvez o exemplo da morte de milhares de irmãos de sangue, de uma mesma pátria, da Guerra do Contestado, tenha alertado as autoridades do governo federal de que a estupidez de 1912 não deveria voltar a acontecer no sudoeste do Paraná.
               Seria interessante que os conflitos entre povos, pessoas e companhias fossem resolvidos na base da conversa e da aplicação da justiça plena. Os conflitos só levam ao aumento de problemas em todos os sentidos, e, principalmente, na questão espiritual, quando os criminosos são chamados a resgatar os crimes cometidos sob a falsa mão da lei.
               Nesse caso, os jagunços continuaram impondo suas garras sobre os inimigos depois da morte, causando obsessões aos encarnados, aprisionamento de Espíritos nas regiões umbralinas, perseguições aos fracos e oprimidos.
               Nosso trabalho de libertação começa nesse instante e se transforma em uma luta sem tréguas contra a opressão e o desmando de quem pensa que ainda é, no mundo espiritual, o dono da verdade.
               Nossa missão é libertar os sofredores das garras do mal e conduzi-los às regiões de luz para tratamento e posterior condução ao trabalho edificante e à reencarnação promissora.
               Estávamos, a avó Maria, Luisinho, Luiz Dam e eu, assistindo à projeção acompanhados pelos mentores, a senhora Maria, Menotti, Tirson, José, Manoel, Elizabete e o doutor Jorge Luís.
               Sabemos que a responsabilidade é grande para resolver a questão, mas confiamos plenamente em nossa capacidade espiritual de atender os problemas, pois, acima de tudo, temos em Jesus, Mãe Santíssima e em Deus o escudo para nos proteger.
               A senhora Maria, vendo nossa curiosidade em saber o que havia acontecido com os personagens mostrados na projeção, nos disse:
               ― Dos principais personagens que vimos, temos a destacar o nascimento e o que aconteceu depois da Revolta dos Colonos:
               Antonio nasceu em 1910 e desencarnou em 1980 com problemas de coração.
               Maria, esposa de Antonio, nasceu em 1913 e desencarnou, assassinada, em 1943.
               José nasceu em 1927 e desencarnou em 1965 vitimado por doença pulmonar.
               Pedro nasceu em 1927 e desencarnou em 1995 vitimado por doença nos rins.
               Darci nasceu em 1927 e desencarnou em 1990, em Curitiba, vitimado por doença do coração.
               Dirceu nasceu em 1928 e desencarnou em 1995, em Curitiba, vitimado por doença do coração.
               Anastácia nasceu em 1897 e desencarnou em 1977 vitimada por doença de Parkinson.
               Artêmio nasceu em 1887 e desencarnou em 1997 vitimado por doença pulmonar.
               Seu Medeiros nasceu em 1900 e desencarnou em 1973 vitimado por doença cardíaca.
            Marilda, esposa de seu Medeiros, nasceu em 1905 e desencarnou em 1980 vitimada por doença pulmonar.
               Seu Manoel nasceu em 1901 e desencarnou em 1986 por problemas cardíacos. 
               Seu Pedrinho ainda está encarnado.
               ― O que aconteceu com esses Espíritos depois do desencarne? – Perguntei para que tivéssemos uma ideia geral de onde estavam e o que faziam na atualidade.
               A senhora Maria nos disse com simplicidade:
              ― Depois da desencarnação ocorreu o seguinte: Antonio, Darci, Pedro e seu Medeiros foram perseguidos e presos pela falange de Altair; Dirceu continua sendo procurado pela falange do antigo fazendeiro; as filhas de Antonio, Marta e Marcela, estão sendo procuradas pela falange de Altair; Anastácia, Artêmio e Marilda estão em uma cidade espiritual onde trabalham.
              ― Os mentores espirituais programaram o retorno à carne de alguns personagens: José reencarnou em 1980 e passou a se chamar Josué. Maria, esposa de Antonio, reencarnou em 1984 e passou a se chamar Marisa. Josué e Marisa se casaram em 2003. Em 2004, Miriam, renasceu na família de Josué e Marisa e passou a se chamar Mirtes.
              ― Em 2012, Josué e Marisa procuraram o Centro Espírita, pois estão enfrentando problemas de obsessão. A partir deste fato começa o nosso trabalho para a libertação desses irmãos e temos a convicção de que haveremos de alcançar nossos objetivos, pois estamos sempre com a proteção divina guiando nossos passos.
              ― Gostaria que a senhora nos falasse da dona Maria que levou o filho pequeno para dona Anastácia benzer. O que aconteceu com ela? – a pergunta de Luisinho tinha o claro propósito de homenagear a avó Maria, pois o menino olhou para mim, piscou e deu um sorriso singelo.
              ― A dona Maria da história estava a poucos anos de iniciar a jornada dentro do Espiritismo e se tornar a fundadora do Centro Espírita. Ela se tornou uma líder espiritual num lugar onde o povo tinha dificuldades para compreender o serviço que a Doutrina Espírita tem para com Jesus.
              ― Em se falando de jagunços, a história mostra que eram bandoleiros que estavam a serviço dos poderosos para intimidar, surrar e até matar os fracos – tornou Luisinho, olhando ternamente para a avó Maria. - Luiz Dam comentou comigo que, se não fossem os jagunços expulsar a família da avó das terras nas costas do rio Iguaçu, ainda estariam morando por aquelas bandas e não teria oportunidade de desenvolver suas atividades espirituais. Se tivessem ficado em Porto Santana o que teria acontecido?
              ― Luisinho – a senhora Maria iniciou a resposta - teria ocorrido o mesmo que a um parente da avó Maria, que tinha mediunidade de clarividência e clariaudiência e nunca desenvolveu por não ter os recursos à mão. Perdeu uma grande oportunidade de cumprir missão espiritual. Os mentores fizeram com que a família da avó fosse expulsa daquele sertão para voltar à cidade de Pato Branco, dar estudo aos filhos, frequentar uma Casa Espírita, desenvolver os dons mediúnicos e cumprir a grande missão que tinha como desiderato desde antes de reencarnar.
              ― As vezes, um susto que um jagunço dá vale mais que mil palavras – comentou o menino com um sorriso franco e abraçando-se a avó Maria.
              ― Esse foi o caso em que os jagunços foram utilizados para fazer uma família retornar ao local pré-determinado onde deveriam cumprir missão.
              Todos riram com as colocações de Luisinho que conseguia tirar lições profundas de situações consideradas sem importância. A avó Maria pediu, então, que Jesus protegesse aqueles jagunços que, antes de lhes fazer mal, fizeram um bem sem que disso tivessem consciência.
              A senhora Maria deu por encerrada a reunião, convocando-nos, mais uma vez, a unir nossas forças para auxiliar os irmãos que estão enfrentando muitas dificuldades. Esse é o nosso trabalho e não medimos esforços para que o resultado seja o melhor possível.              
  

 

 

Luiz Marini - Livros

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Para refletir

"Além da terra, além do infinito, eu procurava em vão o céu e o inferno. Mas uma voz interior me disse: O céu e o inferno estão em ti mesmo." (Omar Kháyyám)