Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

  • Aumentar o tamanho da fonte
  • Tamanho padrão da fonte
  • Diminuir tamanho da fonte

CAPÍTULO 34: No armazém

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

<<< Anterior... 

CAPÍTULO 34
 
 
 
No armazém             

 
                                             Altair chega ao armazém e diz a seu Medeiros
                                             que prendeu Artêmio e Anastácia e, em troca,
quer os fugitivos.     
                                         


               Quatro dias depois alguns homens chegaram à residência de seu Pedrinho com dois meninos para cortar o cabelo. Conversaram demoradamente enquanto o barbeiro fazia o serviço nas madeixas dos pequenos. Eles estavam interessados em descobrir se seu Pedrinho sabia de alguma coisa sobre três homens que se escondiam pela cidade.
               O barbeiro, vivo como uma cobra despistou os homens dizendo que nada tinha visto de incomum, concluiu o serviço e dispensou-os, dizendo que tinha que sair para fazer algumas compras. Desceu o morro onde morava, atravessou a ponte sobre o rio e se encaminhou para o armazém, pois queria saber o que estava acontecendo com a jagunçada.
               O armazém estava com muitos fregueses no momento em que seu Pedrinho chegou e se dirigiu até o depósito onde Pedro e José estavam trabalhando. Foram para os fundos do estabelecimento onde os funcionários da casa contaram ao barbeiro que Altair já estava na cidade e seus jagunços vasculhavam os possíveis locais onde os fugitivos pudessem estar.
               Informaram também que Altair estava hospedado na casa de um amigo na saída da cidade, a quinhentos metros do armazém. Otávio também estava na cidade e procurava acalmar o fazendeiro para que não cometesse bobagens, pois isso somente iria complicar a situação.
               Quando seu Pedrinho saiu do depósito e se encaminhou para o balcão e fazer o pedido de mercadorias, eis que entra na sala Altair, secundado por cinco comparsas. O barbeiro disfarçou e entrou no depósito para não ser visto pelos bandoleiros. De lá ouviu a conversa de Altair dirigindo-se a seu Medeiros:
               ― Meus homens prenderam Artêmio e Anastácia na casa onde estou hospedado. Gostaria que o senhor avisasse Antonio e os irmãos que vamos matá-los se não se apresentarem até amanhã à noite. Sabemos que o senhor tem informações de onde eles estão escondidos e pode mandar esse recado para eles. Vamos esperar até amanhã à noite. Se eles não aparecerem vamos matar os dois e, depois, prender o senhor e sua filha para ver se eles aparecem.
               Altair deu meia volta e saiu do armazém seguido pelos jagunços enquanto seu Medeiros não sabia o que dizer ou fazer. Olhou para a filha pedindo socorro para a situação em que se encontrava.
               Seu Pedrinho apareceu ao lado de seu Medeiros e conversou ligeiramente com ele, dizendo que sabia do paradeiro dos fugitivos e que os avisaria da proposta de Altair.
               Não demorou muito e o barbeiro estava com os fugitivos no capão de mato contando o que ouvira de Altair. Não sabia o que aconselhar aos homens, pois o fazendeiro era homem ruim e cumpria as maldades que prometia.
               ― Vamos ter que pensar em um plano para libertar seu Artêmio e dona Anastácia – disse Antonio, preocupado com a segurança de seus protetores. - Vamos idealizar o que fazer e por em prática o quanto antes.
               ― Vamos agir nesta noite – expôs Dirceu -. Vamos para a casa onde Altair está hospedado para ver o que podemos fazer. Iremos armados e prontos para o que der e vier.
               ― Combinado! – consentiu Darci - Se for preciso morrer que seja lutando e não se escondendo igual ao tatu no fundo da toca.
               Seu Pedrinho se ofereceu para seguir com os amigos, mas só recebeu permissão para ficar no apoio à operação, encilhando os cavalos, arrumando mais armas e aguardando os amigos nas cercanias da casa onde estavam os prisioneiros.
               Ao entardecer quatro cavalos encilhados estavam à disposição dos companheiros. As armas foram inspecionadas: quatro revólveres “doblevê”, 38, cano longo; três winchesters, quatro punhais e muitas balas.
               Quando o sol declinou no horizonte, quatro cavaleiros saíram do terreno de seu Pedrinho, desceram a ladeira, atravessaram a ponte sobre o rio, cavalgaram por quinhentos metros até chegar à rua principal onde seguiram para o norte, no rumo da residência de seu Alcides, o anfitrião de Altair.
 

 

 

Luiz Marini - Livros

kiko_e_malhado.jpg
Clique na imagem para acessar


Para refletir

"O sábio não é o homem que fornece as verdadeiras respostas; é o que formula as verdadeiras perguntas." (Claude Lévi-Strauss)