Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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CAPÍTULO 33: Com seu Pedrinho

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CAPÍTULO 33
 
 
 
Com seu Pedrinho    

 
                         Os fugitivos chegam à casa de seu
                    Pedrinho para se esconder dos
jagunços.                 
                                         


               ― Saiam do galpão!...
               A ordem foi dada em voz alta pelo chefe dos jagunços e ecoou na madrugada, ao primeiro cantar do galo. Os primeiros clarões do sol surgiam no horizonte anunciando um dia claro e ensolarado.
               ― Saiam do galpão!...
               Repetiu-se a ordem enquanto os jagunços preparavam as armas para começar o tiroteio. Reinava o silêncio no galpão, que tinha a porta fechada.
               ― Fogo!...
               A ordem partiu do chefe e mais de vinte armas começaram a disparar contra o galpão, crivando de balas as paredes de madeira. A cada balaço farpas da madeira eram arrancadas, soltando-se no ar, estatelando-se no solo. Em minutos a casinha estava cheia de buracos e os jagunços encetaram o assalto final, derrubando a porta com um machado.
               Para surpresa dos atacantes, a casinha estava vazia e não havia nenhum sinal dos fugitivos. A jagunçada estava indignada com o desfecho da situação, pois esperava encontrar os inimigos do patrão e dar cabo deles. Procuraram pelas redondezas, mas nada encontraram que denunciasse o rumo que os fugitivos haviam empreendido.
               Longe dali, às margens do rio Ligeiro, três companheiros caminhavam rapidamente entre as touceiras de capim elefante, procurando não se mostrar a quem passasse na rua marginal.
               Dirceu acordara durante a noite e não podendo dormir chamou os companheiros para o perigo a que estavam sujeitos, pois havia a ameaça de serem delatados e o galpão ser facilmente cercado, o que não permitiria a fuga do confronto.
               Expôs a preocupação aos companheiros, recolheram as tralhas e armas, e deixaram o galpão quando as estrelas brilhavam ao lado do cruzeiro do sul no céu onde a lua nova passeava sem pressa.
               A intuição havia sido providencial e salvado suas vidas, pois tão logo apareceram os primeiros clarões do dia, a jagunçada metralhou o galpão e, se estivessem no local, estariam mortos.
               Haviam atravessado metade da cidade e chegado até o rio onde se esconderam num capão de mato esperando a oportunidade de conseguir outro esconderijo mais seguro.
               Diversos grupos de jagunços passavam ao largo sem perceber que os inimigos, que tanto procuravam, estavam bem perto de seus narizes.
               Depois do meio dia resolveram deixar o local, aproveitando a carona de um caminhão que havia chegado perto para descarregar alguns sacos com restos de material de construção. Depois de descarregar o material, quando o motorista se preparava para embarcar, os três fugitivos subiram na carroceria, pela parte traseira, e se esconderam. Em minutos estavam rodando pela estrada de terra, deixando o local do esconderijo, rumando para local incerto.
               Quinze minutos depois o caminhão estacionou em uma viela perto de algumas casas novas e de uma construção que estava em andamento. Ouviram vozes dos trabalhadores chamando o motorista para novo carreto. Quando se afastaram, entrando na casa em construção, os fugitivos pularam da carroceria e se esconderam atrás de uma das casas novas.
               A ideia era chegar até a residência de seu Pedrinho, onde poderiam encontrar guarida. O perigo estava em encontrar os jagunços que estavam por toda parte. Mesmo assim, enfrentaram a situação e passaram por diversos quintais chegando até a casa do barbeiro sem que houvessem sido vistos pelos inimigos.
               Seu Pedrinho escondeu-os perto de sua casa em um capão de mato, cuidando para que não fossem vistos por quem passasse na rua ou chegasse à barbearia.
               ― Estive no armazém de seu Medeiros e encontrei Otávio com alguns peões – começou a contar seu Pedrinho. - Otávio disse-me que Altair andou aprontando alguns vizinhos da fazenda perto do Iguaçu, inclusive tomando suas terras e chegou a Pato Branco para desforrar os inimigos. Ele quer a todo custo eliminar vocês, e, para isso, trouxe um bando armado disposto a tudo.
               ― Não temos alternativa senão enfrentar esse bandido – comentou Darci, tentando obter o aval dos companheiros para a empreitada – O que vocês acham da ideia?
               ― Não sei, Dirceu, não sei. - Respondeu seu Pedrinho – Ou fugir ou enfrentar os jagunços.
               ― Não temos alternativa senão enfrentar esse bandido – comentou Darci, tentando obter o aval dos companheiros para a empreitada – Nem que para isso tenhamos que combater até a morte.
               ― Não sei se vale a pena morrer por gente tão baixa – comentou Antonio, que não estava a fim de enfrentar os jagunços bem armados, pois isso seria encontrar a morte, na certa. - Talvez o melhor seja fugir para longe e esquecer esses bandidos.
               ― Eles vão nos perseguir até o fim do mundo e não teremos escapatória - explanou Dirceu. – O melhor é enfrentar os maus elementos agora, sem medo de morrer.
               ― Vamos fazer o seguinte:  propôs seu Pedrinho – Vocês ficam escondidos aqui por alguns dias até que as coisas se acalmem para então tomar decisão do que fazer.
               ― Apoiado, seu Pedrinho! – consentiu Antonio, olhando para os companheiros – Também penso que o melhor é esperar alguns dias para ver o que acontece, pois os colonos estão armando uma revolução e não sabemos em que isso vai dar.
               ― Tudo bem! Estamos de acordo. – os irmãos aprovaram a decisão, esclarecendo que precisavam da proteção de seu Pedrinho para não deixar alguém se aproximar dos fundos de seu terreno.
               Armaram uma lona a baixa altura para ficarem escondidos e que pudessem se abrigar do sereno da noite. O capão de mato era grande e poderiam caminhar por entre as árvores para movimentar as pernas e relaxar enquanto esperavam os acontecimentos que estavam agitando a região.
 
 

Luiz Marini - Livros

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Para refletir

"Sábio é o homem que chega a ter consciência de sua ignorância." (Barão de Itararé)