Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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CAPÍTULO 32: Retorno à cidade

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CAPÍTULO 32
 
 
 
Retorno à cidade    

 
                                Os fugitivos se escondem num galpão
                            em um dos bairros novos da cidade
                        e são visitados por seu Pedrinho.
                                         


               Dois dias depois os fugitivos resolveram deixar o galpão e retornar à cidade, aproveitando a carona que um amigo lhes proporcionou em seu caminhão. Era preciso resolver algumas coisas e não se esconder mais, pois o galpão estava sendo observado por vizinhos que moravam sobre um morro e a bisbilhotice faria com que fossem delatados em pouco tempo.
               O dia estava nublado anunciando chuva para a noite e dias seguintes, e isso proporcionava boas possibilidades de se esconderem num lugar indicado por seu Pedrinho. O caminhão cortava a estrada rapidamente e estacionou em uma rua quase deserta, de um novo bairro, onde apenas algumas casas haviam sido construídas. Numa dessas casas morava um parente de seu Pedrinho e havia um galpão nos fundos que seria utilizado como esconderijo.
               O lugar era apropriado para se esconder, pois pouca gente passava pela rua e o sossego era dominante no bairro. Não se ouvia falar de que jagunços passassem pelo local e era o lugar ideal para os fugitivos.
               Ficaram três dias escondidos no galpão sem preocupação, mas atentos a qualquer movimento suspeito ou diferente. A chuva caiu nesses dias e tudo parecia muito calmo, como se não houvesse encrenca na região.
               No quarto dia, seu Pedrinho apareceu e entrou no galpão para conversar com os amigos.
               ― Dizem que os jagunços estão atacando os colonos por toda a parte, impondo um período de terror na região. Contam também, que as Companhias querem, a todo custo, forçar os colonos a pagar novamente pela terra. Quem não pagar pode sofrer as consequências recebendo a visita dos jagunços.
               ― Está na hora dos colonos se unirem e dar um basta nisso – comentou Darci, convidando seu Pedrinho a sentar em um banco ao lado da porta. – Se não houver a concordância dos colonos e do povo da cidade não conseguem afugentar esses bandidos.
               ― O perigo está na possibilidade de acontecer uma guerra em toda a região. – aparteou Dirceu – As Companhias têm o aval do governo e a força das armas dos jagunços para cometer as barbaridades.
               ― Se a população da cidade se unir com os colonos conseguirão expulsar as Companhias e os jagunços para longe daqui – comentou Antonio. – Os crimes cessarão e o povo será livre e poderá trabalhar com tranquilidade.
               ― Temos que entender que o problema das terras não é apenas de Pato Branco, mas de Francisco Beltrão, Santo Antônio do Sudoeste, Verê, Foz do Iguaçu, enfim de todo o sudoeste – esclareceu seu Pedrinho. – O mais difícil será unir os esforços de todas as cidades que sofrem a opressão.
               ― O que nos dizem os que estão diretamente envolvidos com os problemas? – perguntou Dirceu, desejoso de saber o que estava acontecendo na cidade e no campo.
               ― As notícias que chegam são de que os colonos estão se unindo para tomar as cidades e expulsar as Companhias – respondeu prontamente seu Pedrinho. – Contam também que os jagunços estão querendo invadir as cidades e matar quem apóia os colonos contra as Companhias.
               ― E o Altair, tem dado notícias? – perguntou novamente Dirceu sabendo que suas cabeças estavam à prêmio.
               ― Otávio esteve em minha casa para cortar o cabelo e contou que Altair está preparando os capangas para fazer uma varredura na cidade para encontrar vocês – respondeu seu Pedrinho, que, na verdade, estava ali para contar esse fato e a pergunta chegou na hora certa. – O motivo principal de minha visita é o de informar esse fato novo. É preciso cuidar, daqui para frente, pois os jagunços estão se preparando para nova investida.
               A conversa seguiu nesse diapasão durante duas horas e ficou acordado que seu Pedrinho avisaria sobre qualquer movimentação da jagunçada.
 
 

Luiz Marini - Livros

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Para refletir

"Não se pode ensinar tudo a alguém. Pode-se, apenas, ajudá-lo a encontrar por si mesmo." (Galileu Galilei)