Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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CAPÍTULO 30: Fuga

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CAPÍTULO 30
 
 
 
Fuga                         

 
                                     Os fugitivos se escondem num sítio perto
                                      da cidade e os jagunços visitam o sitiante
                                    para que paguem a terra à Companhia.
                                         


               Pedro estava com o nariz esfolado e a orelha com um corte pela violência com que os jagunços os trataram. Mal menor, já estavam mortos e não incomodariam mais ninguém. Pedro e José foram atendidos por Conceição e, em minutos, estavam com gaze e esparadrapo nos ferimentos.
               Pedro deixou o armazém e fez o trajeto secreto para entrar em contato com os fugitivos no galpão. Quando entrou pela abertura na parede agradeceu ao atirador que deu cabo dos maus elementos.
               O que ele queria, na realidade, era informar aos amigos que Otávio mandara empregados ao armazém para buscar mantimentos e avisar que Altair estava se preparando com muitos jagunços para chegar na manhã seguinte e procurar pelos fugitivos por diversos quarteirões. A ordem era matar sem piedade e se desfazer dos corpos em alguma ribanceira.
               Seu Artêmio já havia programado a fuga para eles. Seu Pedrinho tinha um amigo sitiante distante dois quilômetros dali para as bandas do oeste e, na propriedade, um galpão longe da casa, que ficava às escondidas de quem passasse na estrada. O barbeiro se ofereceu para ir com eles até o local tão logo anoitecesse. Uma camionete os levaria até o local.
               Logo que anoiteceu, os fugitivos se esgueiraram pela capoeira e chegaram à casa de seu Artêmio, onde seu Pedrinho e o veiculo estavam esperando. Carregaram comida e subiram no veiculo que percorreu rapidamente o trajeto, chegando ao sítio onde foram recebidos por seu Aldo.
               O sitiante recebeu-os cordialmente e os encaminhou até o galpão onde arrumaram alguns colchões e cobertas para que pudessem descansar convenientemente. Seu Pedrinho estava de folga por alguns dias e resolveu ficar com os companheiros no galpão.
               No dia seguinte andaram a cavalo pelos campos e regressaram apenas ao meio dia para almoçar. O dono da propriedade tinha o maior cuidado para não despertar suspeitas de que estava escondendo os fugitivos.
               Três dias depois, ao amanhecer, os fugitivos foram acordados com o barulho de um caminhão chegando ao sitio. Darci aproximou-se o que pode da casa do sitiante e ouviu a conversa entre o proprietário e o chefe de alguns homens que haviam descido da carroceria do veículo.
               ― Viemos em nome da Companhia de terras para notificar o senhor de que a escritura deste sítio está irregular. O senhor deve pagar normalmente o valor de mercado à Companhia para ter o título definitivo – começou a conversa o chefe do bando de jagunços, um homem baixo, atarracado, moreno e com cara de poucos amigos.
               ― Eu comprei essas terras do seu Pedro e a titulação está regular porque foi feita no Cartório e é reconhecida como legítima. – respondeu seu Aldo, confiante de que os homens compreenderiam o que estava escrito nos papéis assinados e carimbados.
               ― Isso nada vale, pois a titulação só tem valor depois da data em que a Companhia entrou na região. Antes eram apenas terras demarcadas “no grito” para quem chegava antes – o jagunço estava irritado e demonstrava ter pouca paciência no trato com os colonos. – A escritura só tem validade com o carimbo da Companhia.
               ― Hoje à tarde vou até a Companhia para tirar a limpo isso – anunciou seu Aldo com a vaga esperança de que seus documentos fossem reconhecidos pela empresa, pois ele não tinha mais certeza de nada quanto à titulação das terras que ora eram cedidas aos colonos e ora à Companhia.
               ― Seria melhor o senhor nos pagar e evitar a correria até a cidade para ver isso. O senhor nos paga, lhe damos o recibo e dentro de alguns dias é só comparecer ao escritório que a escritura estará pronta em seu nome definitivamente – o jagunço tinha bom poder de barganha e sabia como amedrontar alguém porque, enquanto falava, colocava a mão no cabo do revólver como a mostrar a que tinha vindo.
               ― Acho melhor chegar ao escritório para resolver isso. Hoje à tarde o senhor saberá que estou com razão - seu Aldo tinha confiança na veracidade dos papéis que tinha em mãos e não aceitou a sugestão do jagunço, o que gerou um desconforto ao visitante.
               ― Amanhã cedo estaremos visitando novamente o senhor para buscar o dinheiro da venda legítima que faremos – dizendo isso o jagunço virou as costas, subiu no caminhão e mandou o motorista seguir para a cidade.
 
 

Luiz Marini - Livros

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Para refletir

"O lar é, antes de tudo, a escola do caráter e, somente quando os responsáveis por ele se entregarem, felizes, ao sacrifício próprio, para a vitória do amor, é que a vida na Terra será realmente de paz e trabalho, crescimento e progresso, porque o homem encontrará na criança as bases justas do programa da redenção." (Emmanuel)