Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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CAPÍTULO 29: O cerco aperta

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CAPÍTULO 29
 
 
 
O cerco aperta         

 
                                     Os jagunços entram no pátio do depósito
                           de madeira à procura dos fugitivos.
                                       Depois retornam ao armazém e ameaçam
 matar Pedro e José.
                                         


               Os jagunços procuraram por Antonio e os irmãos durante o dia todo, vasculhando todo lugar onde pudessem se esconder. Ao entardecer, três deles se aproximaram do depósito de madeiras e verificaram o portão na entrada constando que as correntes estavam no lugar e não havia sinal de que tivessem sido manipuladas.
               Um dos jagunços percebeu que na cerca havia um arame frouxo e desconfiou que alguém tivesse passado por ali. Fez sinal aos companheiros, entraram no pátio do depósito e começaram a procurar por rastros que pudessem denunciar os foragidos.
               Os jagunços procuraram em toda parte e se aproximaram da porta do galpão, empunhando os revólveres com cabo de madrepérola. As armas reluziam aos últimos raios de sol enquanto os homens procuravam espiar por frestas na parede se havia alguém no galpão. Uma grossa corrente com cadeado cerrava a porta e eles imaginaram que, pela porta, alguém jamais entraria.
               Procuraram nas paredes do lado e nada encontraram. Quando tentaram olhar a parede dos fundos notaram que a madeira das pilhas encostava-se à parede impossibilitando alguém de por ali passar. Eles não notaram que havia um vão entre as duas pilhas que era por onde os homens entravam no galpão.
               Os fugitivos estavam escondidos entre caixotes que continham ferramentas e não foram notados pelos marginais. Os jagunços retornaram ao vão da cerca por onde passaram, voltando à rua que conduzia ao armazém.
               Os fugitivos olharam pelas frestas os jagunços se afastarem e seguirem para os lados do armazém. Não demorou muito e ouviram gritos e tiros. Darci saiu pela abertura na parede e, sorrateiramente, chegou até uma árvore, num terreno ao lado, de onde podia visualizar as casas e o armazém.
               Em cinco minutos retornou para avisar aos companheiros que os jagunços estavam no pátio do armazém fazendo arruaças e atirando para o alto, espantando os fregueses. Um deles gritava avisando a seu Medeiros que, enquanto não revelasse o paradeiro dos fugitivos eles ficariam ali e não deixariam ninguém entrar.
               Dentro de dez minutos puxaram Pedro e José para o pátio e os ameaçavam caso não entregassem Antonio. Começaram a bater nos dois, pedindo que delatassem o inimigo, caso contrário seriam mortos. Os jagunços haviam espantado os fregueses e os transeuntes, não se importando com quem estivesse espiando pelos cantos das janelas das casas próximas.
               O tiro foi certeiro e o jagunço caiu na poeira, agonizando. Os outros tentaram descobrir de onde partira o disparo para responder ao fogo, mas não tiveram tempo de ver o atirador escondido detrás da árvore do terreno próximo. Mais dois tiros foram disparados e mais dois jagunços caíram por terra.
               Depois de contar o que estava ocorrendo no pátio do armazém, Darci havia retornado para o terreno com o Winchester na mão, acompanhado pelo irmão e por Antonio. Ao ver a situação se complicar para o lado dos empregados de seu Medeiros resolveu atirar para dar fim aos jagunços.
               Um grupo de colonos havia sido avisado que os jagunços estavam aprontando no pátio do armazém e estavam resolvidos a ajudar seu Medeiros a colocar ordem na situação. Não tiveram tempo de enfrentar os jagunços, pois alguém com ótima pontaria havia feito o serviço para eles.
               Os colonos colocaram os corpos numa carroça e os levaram para fora da cidade onde haveriam de dar um sumiço neles.
 
 

Luiz Marini - Livros

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Para refletir

"O sábio não é o homem que fornece as verdadeiras respostas; é o que formula as verdadeiras perguntas." (Claude Lévi-Strauss)