Centro Espírita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

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CAPÍTULO 27: Pistoleiros

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CAPÍTULO 27
 
 
 
           Pistoleiros                           

 
                                          Os jagunços começam a perseguir Antonio.
                                         


               No início de agosto, poucos dias depois que Antonio e Otávio conversaram no armazém, Antonio estava em sua meia-água, no fundo do terreno de seu Artêmio, em breve descanso depois do expediente no armazém. Estava no alpendre tomando seu mate enquanto o cachorro de seu Artêmio descansava aos seus pés.
               Seu Artêmio chegou acompanhado por sua esposa para uma conversa. Antonio contou o que ocorrera nos dias anteriores e o reencontro com o filho Otávio. Disse que saía bem cedo de casa, uma hora mais cedo do que o costume, para levar comida aos irmãos que estavam escondidos no galpão do depósito de madeira.
               Dona Anastácia pediu muita cautela a Antonio, pois pressentia que haveria revolta dos colonos nos dias seguintes e Altair poderia chegar para matá-lo.
               ― Conversei há alguns dias com a dona Maria e ela me disse que teve uma visão espiritual. Viu que o povo estava indignado com a situação e que muitas mortes aconteceriam por aqui até que se formasse uma revolta – dona Anastácia queria avisar Antonio quanto aos perigos que o rondavam.
               ― Sei que alguma coisa de importante vai acontecer porque os jagunços estão muito revoltados no interior e perseguindo os colonos como nunca o fizeram – disse Antonio para confirmar a previsão de dona Maria. - Parece que adivinham que seus dias de crimes estão contados.
               ― Se o Altair resolver atacar, o senhor tem como se defender? – perguntou Artêmio, preocupado com a segurança de Antonio.
               ― Tenho só a força de Deus comigo. Não tenho armas para me defender e não sei o que fazer se os jagunços resolverem me atacar.
               ― Vou deixar este revólver com o senhor para qualquer eventualidade – disse seu Artêmio entregando um trinta e oito, cano curto, niquelado, e um punhado de balas. – Com isso o senhor poderá se defender.
               ― Obrigado seu Artêmio – agradeceu Antonio. – Vou guardar para qualquer problema que aconteça. Tomara que não precise usar esse “brinquedo”.
               Os amigos conversaram demoradamente e depois se dispuseram a se recolher para o descanso merecido. Antonio jantou e deu alguns pedaços de carne para o cachorro de Artêmio que ficou dormindo sobre um pano na varanda.
               Ao amanhecer Antonio acordou com um estalo que ouviu na cerca ao lado da casinha. Levantou rapidamente e olhou por um buraquinho numa das tabuas da parede.
               Sob o luar percebeu dois homens entrando pelo buraco aberto na cerca de ripas. Vestiu-se rapidamente e, quando se dispunha a sair pela porta, ouviu o cão ladrar na varanda.
               Os homens afugentaram o cachorro e ficaram na varanda esperando Antonio sair por ali. Gritaram para Antonio sair do rancho e nada ouviram em resposta. Arrombaram a porta e foram recebidos por dois tiros disparados de dentro da casa. Os homens retrocederam para se esconder, mas regressaram minutos depois, atirando a esmo pela abertura da porta.
               Esperaram alguns instantes e como nada percebiam de movimentos entraram na casinha atirando em todas as direções. Tudo estava quieto depois que os tiros cessaram. Acenderam o lampião e perceberam que a casinha estava vazia e dois pedaços de tábuas haviam sido retirados da parede dos fundos, por onde Antonio devia ter fugido.
               Os homens regressaram sobre seus passos e desapareceram, depois de cruzar a cerca, nas sombras da noite que deveriam permanecer por mais uma hora.
   
 

Luiz Marini - Livros

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Para refletir

"A paisagem social da Terra se transformaria imediatamente para melhor se todos nós, quando da condição de espíritos encarnados, nos tratássemos, dentro de casa, pelo menos com a cortesia que dispensamos aos nossos amigos." (André Luiz)